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Antidepressivos na gravidez

Cerca de 10% das gestantes são diagnosticadas com depressão

Redação Pais&Filhos

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Sabe aquela frase de bula de remédio “em caso de gravidez, consulte seu médico”? Pois é, nem todos os medicamentos podem ser tomados durante esse período, mesmo. Então imagine os antidepressivos de tarja preta! A notícia é que alguns deles podem, sim, ser tomados, mas com orientação do médico, como diz a bula. Claro que a terapia também é importante.

Segundo a psiquiatra Renata Camacho, mãe de Alice, a incidência de depressão em mulheres grávidas é a mesma que na população normal, em torno de 10 a 12%.

E uma coisa é certa: se o diagnóstico é depressão, vai ser necessário o tratamento, tanto para aquelas que já tinham a doença antes de engravidar, quanto para as que foram diagnosticadas após a confirmação da gestação.
Nestes momentos, não é importante apenas a conversa entre o psiquiatra e o obstetra. É preciso que a família também se envolva, para que se chegue ao tratamento mais indicado a cada caso. “É importante a interação entre a paciente, os médicos e a família. A gestante vai ser orientada porque ela participa das escolhas que serão feitas. E elas envolvem responsabilidades”, afirma a psiquiatra.
   
Durante a gestação, uma depressão não tratada, dependendo do caso, pode trazer complicações como a realização incorreta do pré-natal, má alimentação e até, em casos mais graves, vontade de interromper a gravidez.

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Tratamento
Se você está planejando ter um bebê e está tomando algum tipo de antidepressivo, avise o seu obstetra. Se for surpreendida pela gestação, fale também. Ele vai avaliar o quadro, conversar com o psiquiatra e chegar à medicação e dose ideais. Nos casos mais leves, só terapia e o acompanhamento psiquiátrico e ou psicológico podem ser suficientes.

Segundo o ginecologista e obstetra Eduardo de Souza, pai de Bruno Luis, Ana Luiza e Marcela, não existe um medicamento que deixe o médico totalmente tranquilo. Porém alguns, como a fluoxetina e a sertralina, podem ser mantidos. Se eles forem bem indicados não vão causar problemas para a mãe ou para o bebê.
“Às vezes, é mais fácil tratar uma mulher que, durante a gestação, é diagnosticada com depressão, pois já se escolhe uma medicação que ela possa tomar, sem riscos”, avalia a ginecologista e obstetra Carla Kakuchi, filha de Cândida e René.

A médica comenta, ainda, que, do meio pro fim da gestação, os especialistas continuam atentos ao quadro depressivo, mas mais tranquilos. “A parte crítica é o primeiro trimestre, que é quando o bebê se forma”, diz.   

Para o futuro
Já é comprovado que o tratamento com estímulos eletromagnéticos, feitos na cabeça de pessoas com depressão – e que não estão grávidas – é eficaz.

O Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo vai começar, ainda neste ano, um estudo que mostra que o mesmo tratamento também funciona nas grávidas. “Estes estímulos eletromagnéticos atravessam até três centímetros do córtex cerebral. Eles alteram a liberação dos neurotransmissores envolvidos no processo de depressão”, explica a psiquiatra Renata Camacho, que integra a equipe responsável pela pesquisa.

A depressão, neste momento, pode ser bem difícil, mas existe solução. Enquanto esperamos as respostas dos novos estudos, devemos continuar a tomar os remédios apenas com prescrição médica, seguindo direitinho as orientações do pré-natal.

Consultoria
Carla Kikuchi, filha de Cláudia e René, é ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, tel.: (11) 5080-6000, hmsj.com.br. Eduardo de Souza, pai de Bruno Luis, Ana Luiza e Marcela, é ginecologista e obstetra do Hospital São Luiz, tel.: (11) 3093-1100, saoluiz.com.br. Renata Camacho, mãe de Alice, é psiquiatra e faz parte do Grupo de Estimulação Cerebral do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, ipqhc.org.br.

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