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Antes tarde do que nunca

Redação Pais&Filhos

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Com 41 semanas de gravidez, Carla não dava sinal de trabalho de parto. O jeito foi induzir. Horas depois, Alice nasceu como ela queria, de parto normal, linda e saudável

Carla Gomes, mãe de Alice, é jornalista do canal de TV a cabo ESPN Brasil e nossa leitora desde que engravidou

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No sexto mês de gestação, mudei de obstetra. Minha ginecologista, que eu frequentava havia mais de 15 anos, dava sinais de não estar disposta a esperar por um parto normal. Eu estava, e muito.

Seguindo indicação de amigas, conheci a doutora Joice Armelin. A identificação foi imediata. Logo na primeira consulta ela desmentiu alguns mitos que me assustavam: nem meu útero retrovertido, nem os 10 quilos adicionais seriam empecilhos para o objetivo de parir naturalmente.

Ao completar 38 semanas, parei de trabalhar. Seriam, no máximo, 10 dias “de férias” até a chegada da minha princesa. Completei 39 semanas sem nenhum sinal de parto iminente. Na data provável do parto, estava de novo no consultório médico com um mísero centímetro de dilatação e a barriga tão alta que a Alice ainda parecia chutar minhas costelas. A decisão de tentar induzir um parto vaginal foi fácil de tomar. Marcamos para dali a oito dias.

Foram os oito dias mais longos da minha vida. As sonhadas férias já tinham perdido a graça, o descanso começava a virar tédio e eu (in)felizmente não sentia uma dorzinha que indicasse a chegada da minha filha. Fui ao cinema, almocei com as amigas, caminhei no parque… E nada.

Cada vez que perguntavam “pra quando é o bebê?” meu humor piorava. E o diálogo se repetiu muitas vezes. os mais intrometidos diziam que o “filho-do-amigo-do-vizinho” quase morreu por ter passado da hora de nascer.

As opiniões não eram mais animadoras quando eu mencionava a decisão de induzir o parto com 41 semanas. Conhecia apenas duas mulheres que tentaram a indução e nenhuma delas chegou à dilatação necessária para um parto vaginal. Some aí mais duas “amigas-de-amigas” que tentaram e o índice de sucesso era zero.

Meio desanimada, liguei para a doutora Joice, na véspera. Ela me incentivou dizendo que, dos casos induzidos por ela, metade terminou em parto normal. Com 50% de chance, valia a pena tentar.

Às seis da manhã, chegamos à maternidade. Eu, meu marido Edu, e centenas de gestantes que tinham cesáreas agendadas para aquele dia 21 de dezembro. Por conta da lotação, só comecei a indução às 10h30. À esta altura, algumas das mulheres que chegaram ao hospital comigo já tinham dado à luz.

Ao meio-dia, comecei a sentir dores que lembravam uma cólica menstrual. Continuei andando pelo hospital, para ajudar a gravidade. Às 13h, as dores já incomodavam o suficiente para me deixar quieta no quarto.

Subi para a suíte de parto com a Denise, enfermeira com 30 anos de experiência em partos normais, cheia de truques para espantar a dor e tornar as contrações mais efetivas. Fizemos exercícios respiratórios, enquanto ela e o Edu faziam massagens.

Por volta das 17h entrei na banheira, mas nada me deixava confortável. Era hora da analgesia, e a doutora Joice estava de volta, acompanhada do anestesista.

Às 20h30, começou a fase expulsiva, que teria sido bem mais curta se a pequena não nos pregasse uma peça: ela estava com a mão no rosto na hora do parto.

Às 21h20, a Alice nasceu com seus olhos acinzentados bem abertos. Veio direto para meu peito e mamou com o cordão umbilical pulsando. Tomou o primeiro banho nos braços do papai e da enfermeira Denise, antes de ser exibida para a família. Voltou linda para meu colo… pra nunca mais sair.

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