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Abaixo a culpa!

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

De obrigar minha filha a comer tomate para em seguida vê-la vomitar, eu sou culpada. Felizmente, nós, da Pais&Filhos, acreditamos que você não precisa ser perfeita para criar uma criança ótima

Por Caroline Schaefer e Maria Flor Calil, mãe de Teresa e Julieta / Tradução e reportagem de Samantha Melo, filha de Sandra e Tião e Paula Montefusco, filha de Regina e Antonio

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Outro dia ouvi uma frase genial: “dizer que mãe tem culpa é pleonasmo!” E é verdade. Mas quem pensa que a culpa só nasce quando o bebê sai da nossa barriga também está enganado. Ela surge, impiedosa, quando lemos o resultado POSITIVO. Sei que não fui a única que imediatamente se lembrou que, num tal jantar, já grávida, havia abusado do vinho. A partir daí, a culpa virou minha companheira, apesar de me achar uma mãe até bacana. E nas rodas de conversa, com minhas amigas, logo descobri que todas tem o seu momento mãe-má e depois se culpam baldes por isso. Perder a paciência e gritar com a criança ou fazer uma chantagenzinha para ela comer, tipo “come tudo que depois a mamãe dá chocolate” – confesso, essa eu já fiz! Mea culpa, mea máxima culpa! – são só alguns exemplos. Mas dá para usar essas situações específicas, em que passamos do limite, para fazer uma reflexão e tentar mudar para melhor. Aqui, nos colocamos na situação de várias mães e expusemos os problemas para especialistas. O conselho deles vai explicar por que você não deve se estressar e como deixar para trás esses pequenos deslizes da maternidade.

Eu tive o meu filho de cesárea

É verdade que o parto normal é o caminho mais natural para ter um filho, mas, às vezes, ele é contraindicado, como quando a mãe tem eclâmpsia, placenta prévia total, quando o bebê está em sofrimento fetal ou quando há desproporção cefalopélvica. Muitas vezes a mulher quer parto normal, mas fica com medo da dor ou não é bem orientada pelo médico e acaba fazendo cesárea. Mesmo com todas as justificativas, as mães costumam sentir-se insatisfeitas e frustadas por não ter conseguido ter o bebê naturalmente.

Abaixo a culpa
 Se a mãe não conseguiu ter o parto normal, é esperado que ela fique frustrada. Mas ela  tem que aceitar que, assim como não existe o filho perfeito, não existe o parto perfeito. E já que não dá para voltar no tempo, o jeito é planejar o próximo parto e lutar para que ele seja normal.

Faça melhor
Uma cesárea não impede futuros partos normais. Existem grupos que apoiam o parto normal, como o GAMA – Grupo de Apoio à Maternidade Ativa, do qual a gente sempre fala por aqui. Essas comunidades oferecem uma corrente de difusão de conhecimento e troca de experiências por grupos de e-mail e redes sociais, além de encontros presenciais. Eles podem ajudar a mulher a buscar o tão sonhado parto normal hospitalar, domiciliar, de cócoras… Além de auxiliar também nas questões que surgem na segunda gravidez.

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Eu não amamentei

O leite materno é, incontestavelmente, o melhor alimento para o bebê. Ele é feito especialmente para o pequeno. Além disso, o momento da amamentação é essencial para o desenvolvimento do vínculo entre mãe e bebê. Mas, muitas vezes, a mãe simplesmente não consegue amamentar. É o leite que não desce, o peito que empedra, a incapacidade para ordenhar e armazenar…

Abaixo a culpa
Se não deu para amamentar, a opção mais segura para substituir o leite materno é a fórmula infantil, que reproduz os principais nutrientes do leite materno. Uma alternativa válida e cada vez mais utilizada é a combinação de fórmula e leite materno. Esta é uma boa opção para quando a mãe produz uma quantidade pequena  de leite.

Faça melhor
Os hospitais que oferecem apoio à amamentação disponibilizam profissionais que podem ajudar. Em alguns hospitais, é possível contatá-los após a alta, por telefone ou com uma nova visita à maternidade. Se a criança já mama na mamadeira, é possível fazer uma relactação posicionando uma sonda paralela ao bico do peito com leite materno ordenhado ou mesmo com leite artificial. Assim, o bebê aprende a mamar no peito da mãe sem que ela se sinta pressionada a ter bastante leite. Com o tempo, o movimento de sucção deverá ser o suficiente para que a mãe produza o leite necessário para o bebê.

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Não dou atenção para o meu filho por estar muito cansada

Mãe que trabalha é a rainha da culpa, não tem jeito. E nem precisa trabalhar fora, não! A maioria das mães que cuidam da casa reclamam que, ao final do dia, se sentem tão cansadas como se tivessem passado horas no escritório. Aí que o sofá chama a gente, e mesmo que o pequeno insista para brincar, não conseguimos reunir energia o suficiente para gastar com eles.

Abaixo a culpa
 Dificilmente a sua mãe conseguiu te dar atenção integral todos os dias, certo? E você a ama menos por isso? Não. Mesmo pequeno, seu filho consegue perceber que há certos momentos em que você não consegue dar atenção a ele. E quer saber? A maioria das crianças não só não fica chateada, como esquece rapidinho.

Faça melhor
Mesmo sem sair do sofá, você pode fazer o seu filho se sentir querido. Que tal colocar um DVD para os dois verem juntos? Melhor: pegue um livro para ler para ele. Ou apenas converse e pergunte como foi o seu dia. Se o pequeno ainda estiver elétrico, a honestidade é a melhor solução. Explique que trabalhou muito e que está cansada, exatamente como ele fica depois de ir à escola, ou brincar muito. Sugira algumas atividades que ele possa fazer sozinho, ou peça ajuda ao pai! Você pode prometer que no dia seguinte vai brincar com ele, mas não deixe de cumprir a palavra.

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Eu falo mais SIM do que deveria

Comer doce, ver TV, dormir tarde. Quantas vezes você já falou “sim” para o seu filho mesmo sendo para o tipo de coisa que você normalmente não concordaria? Para evitar birras, choros, por falta de tempo para dar atenção a eles, ou por medo deles “gostarem menos” da gente, acabamos permitindo que eles façam o que sempre juramos não deixar.

Abaixo a culpa
 Se você deixar seu filho comer um docinho hoje, isso não vai te fazer uma mãe pior. Qualquer mãe no mundo se ressente de dizer não, e por isso o sim acaba saindo mesmo. E qual seria a graça se o pequeno não soubesse direitinho como te dobrar? As regras existem para serem seguidas e colocarem ordem na casa, mas os escorregões também fazem parte e tornam o dia a dia mais leve.

Faça melhor  
Para todo sim a mais que você disser, explique que é uma exceção, e que ele não deve se acostumar, pois da próxima vez as coisas serão feitas da maneira certa. Além disso, associe esses “sims” a bons comportamentos. Lembre da nota alta da prova ou da vez que ele ajudou a cuidar do irmão. Assim, ele vai considerar que ganhou um prêmio.  Além disso, volte ao caminho certo rapidinho: mande-o correndo escovar os dentes após os doces e certifique-se que os canais assistidos na TV sejam educativos.

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Eu nem sempre faço meu filho compartilhar

Costumamos ensinar aos pequenos a dividir suas coisas com os amigos. Então como explicar aquele dia que vocês foram ao parque com a sua bola colorida nova, todas as crianças pularam em cima, seu filho chorou e você arrancou o objeto das mãos delas? Você se sentiu ridícula depois, não?

Abaixo a culpa
Uma criança está apenas começando a entender o conceito de partilha, então é melhor não levar brinquedos para o parque  que são claramente ímãs de crianças. Mesmo o mais desencanado pode ficar assustado se outras crianças chegarem se apropriando de suas coisas preciosas.

Faça melhor
Não frustre o seu filho ainda mais. Tente isso da próxima vez: defina um tempo. Explique que cada criança terá a oportunidade de jogar com o brinquedo até soar o “bip” e, então, será a vez do outro. Mantenha os intervalos curtos – não mais do que um ou dois minutos. E assim o seu filho terá a oportunidade de brincar também.

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Eu mando meu filho doente para a escola

Ter filho pequeno é saber que ele vai, sim, pegar vários resfriados. No começo assusta, mas com o tempo a gente pega o jeito. Geralmente eles melhoram rápido e mandamos para a escola, até para evitar que a gente falte ao trabalho. Mas aquela aparente melhora dá lugar a um febrão de 39ºC e a escola liga pedindo que o busquem. Não tem como não se sentir culpada, né?

Abaixo a culpa
 A frequência com que a maioria das crianças pequenas fica doente é grande. E é difícil saber se é sério ou apenas uma tosse. Se você não mandar o seu filho para a escola cada vez que ele espirrar, ele nunca vai sair de casa.

Faça melhor
Se o seu filho teve febre, vômitos ou algo obviamente contagioso, como infecções na garganta ou conjuntivite, ele deve ficar em casa. Uma vez que ele esteja tomando antibióticos e sem febre há 24 horas, ele provavelmente está bem para voltar para a escola, contanto que pareça realmente melhor e não sinta desconfortos.

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Eu não deixo meu filho tirar uma soneca durante o dia

Um dia vocês saem para um parque, ou por algum outro motivo o pequeno não tira o cochilo rotineiro de tarde. Em casa, logo após o jantar, ele desaba na cama e pela primeira vez não dá problema para dormir.Aí, você e a maioria das mães percebem que se conseguirem fazê-los ficar acordados durante o dia, eles dão menos trabalho depois, e sobra um tempinho para ler um livro, trocar e-mails, ver um filme. Mas quando a gente vê aquele bocejo de tarde bate um arrependimento…

Abaixo a culpa
"Não tem problema as crianças pularem um cochilo depois dos 3 anos", diz Jennifer Waldburger, consultora de sono de Los Angeles. A maioria das crianças em idade pré-escolar precisa de cerca de 11 horas de sono por dia, para restabelecer a energia e a atividade de seu corpo. Mas mesmo para as crianças mais novas, quando você perceber que cochilar claramente interfere na capacidade de adormecer à noite em uma hora razoável (por volta das 20h30 para crianças de até 6 anos de idade), é um sacrifício que vale a pena.

Faça melhor
Enquanto seu filho está fazendo a transição de parar de dormir à tarde, reserve algum tempo durante o dia para atividades mais tranquilas, tipo colorir ou ler, para dar ao corpo dele um descanso. Se o seu filho dormir no carrinho ou no carro durante o dia, não tem problema acordá-lo suavemente. E se ele não está tendo as 11 horas de sono por dia que precisa? "Deixe-o dormir 40 minutos mais cedo, para compensar", diz a Dra. Waldburger.

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Eu grito com meu filho

A gente evita ao máximo, mas às vezes escapa. Sabe quando a casa está silenciosa e tudo bom demais para ser verdade? Aí, você chega na sala e vê que aqueles lápis de cor agora estão sendo usados para decorar a parede recém-pintada? O baque é tão grande, que o grito sai alto e o rosto do seu filho fica manchado de lágrimas. Na hora pensamos: será que precisava ter gritado?

Abaixo a culpa
 Nós todos perdemos a paciência com os nossos filhos. A boa notícia? Especialistas dizem que gritar de vez em quando pode ser uma coisa boa: as crianças precisam ver que os pais não são perfeitos. E também saber que tudo tem limite, e que algumas coisas são mais erradas que outras.

Faça melhor
 Se você perder a paciência, peça desculpas à criança e dê uma breve explicação. Em outras ocasiões, tente fechar os olhos e respire por um minuto – você não só vai se sentir mais calma, como também servir de exemplo de auto-controle para a criança.

Consultoria: Carlos Eduardo Czeresnia, pai de Debora, Liora, Diana, Jonathan e Ricardo, obstetra,
www.celulamater.com.br, tel.: (11) 3067-6700  Julio Peres, pai de Nicole e Natalia, é psicólogo clínico e especialista em neurociências e comportamento. TEL.: (11) 3288-6523, www.julioperes.com.br  Maria Irene Maluf, mãe de Maria Fernanda e Maria Paula é especialista em psicopedagogia e educação especial e editora da revista Psicopedagogia da ABPp. TEL.: (11) 3258-7515, www.irenemaluf.com.br  Sylvio Renan Monteiro de Barros, pai de Iuri, Bruna e Giovana, é pediatra da Clínica MBA Pediatria. Tel.:  (11) 5572-6728 , www.mbapediatria.com.br

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