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A tristeza que não tem explicação

Juliana, mãe de Arthur, conta como enfrentou a depressão pós-parto

Redação Pais&Filhos

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Bem, sou casada há 7 anos, tenho um marido maravilhoso, uma condição financeira razoável, família estruturada e quando descobri que estava grávida, fiquei um pouco decepcionada, pois esperava um pouco mais tarde. Mas,consegui me alegrar e isso passou a ser uma grande alegria para marido e familiares. Tive uma excelente gravidez, não tive enjôos, viajei bastante, curti bastante, fiz hidroginástica até o último mês, dirigi até um dia antes de ter neném. Bem, depois que o Arthur nasceu algo aconteceu que ninguém sabia como explicar. Uma tristeza profunda, sem vontade de cuidar dele,  sem vontade de nada. Pensava que minha vida tinha acabado, que nunca mais ia conseguir seu eu novamente, que não ia mais cuidar da casa, do meu marido, enfim achava que nunca mais iria me divertir. Antes de engravidar tínhamos uma rotina bem agitada, tanto no trabalho que nunca tinha hora para acabar com para o lazer, já que saíamos quase todos os dias.

Os 1ºs dias foram terríveis, pensamentos que não param na sua cabeça, você sabe que tem uma pessoa para cuidar e você não consegue nem se mexer. Um grande fator agravante nesse tempo, foi o fato de não amamentar. Não sabemos o que houve, simplesmente o Arthur não queria de forma alguma. Não pegava meu  peito de jeito nenhum. Fomos ao banco de leite, uma amiga enfermeira  foi em casa durante 3 dias direto e nada. Isso acabou influenciando muito a depressão, porque tinha um sonho de poder amamentar.  Com o tempo adquiri também síndrome de pânico e crises fortíssimas de ansiedade, que por muitos momentos me faziam tremer, suar frio e não concentrar em nada. Sofria muito, chorava copiosamente todos os dias, não me alimentava, não dormia, cuidava do meu filho mesmo no automático, já que não tinha ninguém para ficar com ele. Do contrário de algumas mães que tiveram a DPP, não tive rejeição ao meu filho, nem tentei fazer nenhum mal a ele, o que é bastante normal nesses casos. Sou evangélica e achei por diversas vezes que se tratava de algo que eu podia resolver com orações e leitura da bíblia, por isso hesitei muito em procurar ajuda.

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Foi que depois de uns 3 meses uma amiga marcou uma psicóloga e esta disse que meu caso era em um psiquiatra. Pensem, que hesitei ir em uma psicóloga imagina em um psiquiatra? Bem, depois de muita insistência da minha mãe e de todos, fui ao psiquiatra que me passou um antidepressivo e disse que era super normal, me tranqüilizou. Passei a tomar os remédios que só fizeram efeito depois de 22 dias, durante esse 22 dias , a depressão ficou insuportável, tudo veio aumentado, a depressão, o pânico, a ansiedade, os tremores e medos.

Hoje graças  a Deus posso comemorar, pois tenho uma linda família, que me ajudou muito a superar tudo isso. Meu marido foi um grande companheiro e segurou a barra toda. Mãe, irmã, amigos todos eles me ajudaram muito e graças a Deus não sofri sequer o preconceito da depressão.

Hoje meu filho tem 1 no e 10 dias e somos uma grande família, amo meu filho mais do que tudo. Ele é o grande presente que Deus nos deu.

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