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A culpa é cotidiana

Gabriela fala como lida com as pequenas e grandes culpas da maternidade

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

22/02/2013

Gabriela Miranda, mãe de Benjamin, autora do blog bossamae.wordpress.com e também da matéria Culpa,Sim!, conta como aprendeu que esquecer um evento na escola ou querer um tempinho para você não faz de ninguém uma mãe ruim.

A maior culpa materna que tive foi quando voltei a trabalhar. Voltei na semana seguinte após a adaptação do Benjamin no berçário. Ele ficou doente e foi difícil voltar. A volta da licença maternidade já é por si só um retorno difícil , cheio de dúvidas, anseios, uma angústia grande. Mas quando você vê seu bebê frágil, totalmente dependente de você, doente pela primeira vez, passa a se questionar se está fazendo a coisa certa. Depois de muita terapia, consegui resolver isso dentro de mim. É também um processo de amadurecimento, de reconhecimento pessoal, de descobertas dos nossos próprios limites. Tudo muito novo, ainda mais quando somos mães de primeira viagem. Com o tempo compreendi que não devemos nos sentir culpadas por aquilo que temos certo, esclarecido dentro de nós. E não era errado eu voltar ao trabalho.

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A maternidade em geral é acompanhada de várias culpas. Costumo dizer que são culpas cotidianas. Por esquecer um evento na escola. Ou de não colocar uma blusa na bolsa. Ou de dizer muitos “nãos” – e isso costumamos fazer em demasia. Ou de não passar mais tempo do que gostaríamos com os filhos. Ou de estar com eles, mas fazendo outras coisas ao mesmo tempo. Ou de desejar um tempo só para você. Etc.

Produzir a matéria “Culpa, sim”, para a revista Pais & Filhos me trouxe outra compreensão e sentido com relação ao sentimento de culpa. Não acho que devemos nos martirizar e sim buscar um entendimento. Se alguma coisa está te fazendo sentir culpa, parar e analisar os motivos. Se você acha que está agindo de maneira errada, é hora de fazer algo, agir contra. A culpa pode sim servir como um alerta. Mas temos que aprender administrar esse sentimento, pois nem toda forma de agir está errada. Desejar um tempo com as amigas ou esquecer um evento na escola, não te faz uma mãe ruim.

Uma das entrevistadas, a psicóloga Claudia Vidigal, comentou comigo que a principal questão da mãe hoje em dia é entender que ela não será perfeita, que o grande lance é mudar essa visão e entender que para ser uma mãe perfeita, a gente também precisa ser imperfeita. Nunca vou esquecer essa fala dela. Ou seja, a mãe perfeita é também a que erra e, acredito que é também, a que tem outros desejos além da maternidade. Não podemos crias nossos filhos numa bolha. Não podemos evitar algumas dores do mundo. Mas podemos lidar e ensiná-los a lidar com as frustrações. Erros são falhas necessárias para nosso crescimento. A mãe perfeita é aquela que sabe, dentro dela, que faz o seu melhor. É aquela que consegue ser honesta com os filhos e consigo.  

Se você ainda não leu, leia a matéria “Culpa, sim”, na edição de fevereiro da revista Pais & Filhos. Assim como me ajudou a compreender mais esse sentimento, me ensinou a lidar melhor com ele no dia a dia.

Pais&Filhos TV