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25 horas depois…

Kawana teve a filha nos EUA, onde a cesárea só é feita em último caso

Redação Pais&Filhos

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Lembro-me muito bem de todas as vezes em que, ainda grávida, aconselhava e confortava carinhosamente o meu bebê. "Filha, fique aí o tempo que quiser, não precisa se apressar, aqui você está protegida e nada de mal vai acontecer." Mas nem bem comecei a vida de mãe e já estava dando a pior orientação que poderia. Poxa vida, por que não falei que uma hora deveria sair, sem pressa, mas que isso teria de acontecer?

A data prevista chegou, dia 31 de julho de 2009, e nada de dona Sophie dar sinais de vir ao mundo. Tudo bem, o médico disse ser normal, por enquanto estávamos no prazo. Mas passou a semana seguinte e começou a ficar perigoso, então os agendaram a temida indução de parto. A indução foi marcada e, de acordo com estatísticas, um parto leva de 4 a 12 horas para ser realizado com sucesso. Meu medo era de durar 12 horas. Mal sabia que seriam as 25 horas mais longas da minha vida.
 
Passei uma hora no soro, a enfermeira dizia que já marcava as contrações de 5 em 5 minutos. Logo pensei "Vai ser fácil isso, nem estou sentindo nada". Mas às 21 horas, introduziram um medicamento que deveria fazer o trabalho de dilatação em até 12 horas, e às 9 horas da manhã eles o retiraram, já que não teve efeito algum, e me deram um outro remédio mais potente. Nada também. Até aí, as contrações já estavam aumentando e eu sentia uma dor bem chata. Mas as dores só aumentavam e não havia dilatação alguma. Então eu perguntei ao médico se haveria possibilidade de uma cesariana, não aguentava mais as contrações.
 
Meu parto foi feito nos Estados Unidos, porque eu morava lá. Foi tudo pago pelo governo, em um ótimo hospital. Entretanto,  a política deles é que a cesariana deve ser a última possibilidade, uma vez que o custo é muito maior. Por isso, o médico me respondeu que ainda não era o caso, tentariam um outro medicamento no soro e, se houvesse complicação, aí sim, fariam a cesárea. A enfermeira questionou se eu já queria a anestesia epidural. Eu respondi que ainda não, porque estava com um pouco  de medo.
 
A bolsa estourou em seguida. Só tinha um anestesista e ele precisou comparecer a uma cesariana. Nunca senti tanta dor na minha vida. Já na 6ª vez em que foram verificar a dilatação, mesmo depois da bolsa rompida, não era nem a metade do necessário para a passagem do bebê. A enfermeira ofereceu um medicamento também no soro, que ajudaria a diminuir a dor, e eu aceitei. Aquilo me deixou tão grogue, que eu não falava coisa com coisa. Então a enfermeira resolveu verificar mais uma vez a dilatação… Já não adiantava mais anestesia, o bebê estava saindo.
 
Senti-me uma burra ao perceber que cada vez que empurrava o bebê, a dor diminuía. Se eu soubesse, teria feito isso desde o começo. Na primeira empurrada, eu pensei que ia perder as forças e a enfermeira avisou que ainda viriam no mínimo mais duas horas de trabalho pela frente. Mas então ela nasceu, e já estava conosco tomando um banho de luz e posando para fotos. Ufa!
 
Aí entendi o que muitas mães dizem, que depois de ver aquele sorrisinho lindo, aquela carinha fofa, você esquece toda a dor que passou. Eu não digo que esqueci essa dor, mas realmente a recompensa ultrapassa expectativas. E por ela, eu faria tudo novamente.

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