Gravidez

Tudo pela primeira vez

Saiba como controlar o pânico da estréia de algumas fases do seu filho

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

29/12/2012

Por Dado Assumpção

O primeiro banho
 
Na maternidade
 
A estréia dele acontece antes da sua, na sala de parto mesmo, momentos depois de nascer. Retirado de seu ambiente líquido, dentro da barriga, o bebê encontra conforto na água morna. O pai pode viver essa emoção primeiro, chamado pela enfermeira ou até pelo obstetra a segurar a criança na banheirinha hospitalar. Um pouco depois, já no quarto, em algumas maternidades a enfermeira dá uma aula particular de como banhar o recém-nascido: com mãos hábeis, segura o bebê com firmeza. Parece difícil, pensam mãe e pai.
 
Em casa
 
Já em casa, é comum a apreensão dominar. Não se sinta um covarde se precisar de um ajudante. É normal achar que o bebê vai escorregar e se afogar na banheira. Felizmente, mesmo com toda a falta de jeito, isso não acontece. A tendência é que, banho após banho, a segurança aumente e as coisas se tornem mais fáceis.
Não há problema em banhar o bebê mesmo antes de o coto umbilical cair, diz a pediatra Jocileide Campos, mãe de Denise, Luiz e Ary, presidente do departamento de cuidados primários da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP): “O importante após o banho é limpar o umbigo com um pano limpo ou uma gaze com um pouquinho de álcool”. Só é preciso esperar que a área esteja bem seca antes de fechar a fralda.
Para ficar mais tranqüila, separe tudo o que vai precisar para o banho antecipadamente. Tire a fralda e limpe o bebê antes de colocá-lo na banheira. Restos de xixi e cocô podem contaminar a água da banheira se você não fizer uma faxina. 
A banheira deve facilitar a posição da mãe e do pai – estudos mostram que homens que dão banho em seus filhos com freqüência estabelecem um vínculo com seus bebês mais rapidamente. Escolha o modelo que mais se adapta a vocês e ao seu banheiro. Tudo pronto, basta segurar a cabecinha e as costas do bebê com uma mão e lavar o corpinho com a outra. É preciso respeitar a ordem dos fatores. Inicialmente, lave o rosto, pois a água está totalmente limpa, em seguida, o corpo (primeiro frente, depois costas) e depois um membro de cada vez. A cabeça fica por último, pois como fica para fora da água o tempo todo, quanto menos tempo molhada, melhor. E lembre-se: xampus e sabonetes só os neutros, específicos para crianças. Pronto. Banho dado, criança limpa e cheirosa, sem problema nenhum. Pode parar de tremer. 
 
Do que você precisa
 
 Xampu para bebê.
 Sabonete para bebê, de preferência líquido.
 Álcool a 70% (para limpar o coto umbilical).
 Cotonetes (para o coto e as orelhas).
 Algodão (para limpar os olhos, 
embeba-o em água morna e use um pedaço para cada olho, passando do canto interno para fora).
 Toalha.
 Fralda.
 Muda de roupa completa.
 
Temperatura
 
A recomendável é em torno de 37 ºC. Você pode usar termômetro de banheira ou seu próprio
cotovelo: morna, agradável ao toque, é como ela deve estar. Nos dias frios, uma única gotinha, mas só uma mesmo, de álcool na água ajuda a manter a temperatura.
 
A primeira viagem
 
Da maternidade para casa
 
Mesmo que você não pretenda sair da cidade nos primeiros meses de vida de seu bebê, seu carro já deve estar preparado para acolher o pequeno passageiro antes que ele nasça. A primeira viagem, a primeirinha mesmo, ele já vai fazer da maternidade até a sua casa. Por isso, compre e instale uma daquelas cadeirinhas especiais, seguindo direitinho as instruções do fabricante. No começo, você pode se atrapalhar um pouco na hora de fechar o cinto, com aquelas fivelas todas… Outra coisa que você pode notar é que a cabecinha fica caída quando ele dorme, o que dá um pouco de aflição. Será que ele vai quebrar o pescoço? Não, não e não. Mas você pode aumentar o conforto do bebê comprando uma almofada especial para apoiar a nuca. 
 
De casa para o mundo
 
Agora, viajar mesmo, para fora da cidade, logo nos primeiros dias, só se for inevitável. “Por que o recém-nascido precisa viajar? Se for aquela viagem de férias ou de lazer, é melhor esquecer”, diz a pediatra Isabel Rey Madeira, filha de Maria Isabel e Levi, do departamento de pediatria ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Para ela, é necessário um resguardo materno pós-cirúrgico, tanto no caso de cesárea quanto de parto normal. O ideal é esperar até que seu filho complete 3 meses, quando já terá tomado as primeiras vacinas. Passado esse primeiro período, a viagem está liberada.
 
De carro
 
Se for de carro, é preciso pensar na comodidade e segurança do recém-nascido. A solução é uma só: a tal cadeirinha ou um bebê-conforto especial que pode ser adaptado no banco do carro, com cinto de segurança próprio. Nem pensar em improvisações ou carregá-lo no colo. A posição do bebezinho e a da criança até 1 ano ou com menos de 9 quilos deve ser contrária ao movimento do carro, ou seja, de frente para o banco de trás. Assim, ficam protegidos os músculos cervicais da criança, que são frágeis e não suportam o efeito chicote do impacto. A cadeira deve ficar, de preferência, no centro do banco traseiro, afastada do risco de uma pancada lateral. Em percursos mais longos, faça paradas para amamentar e trocar as fraldas.
 
De avião
Em viagens aéreas, a mesma coisa: bebê-conforto nele. As poltronas da primeira fila possuem trocadores de fralda que ajudam muito. Portanto, se viajar de avião, reserve lugar na primeira fileira. Se não for muito longa, a viagem pode ser bem tranqüila, como conta a mãe de primeira viagem (literalmente) Isabel Romano, mãe de Lucas: “Fomos de avião e deu tudo certo, só nas descidas ele estranhou um pouco, mas passou rápido”. Para evitar aquela dor nos ouvidos provocada pela pressão na decolagem e aterrissagem, ofereça o peito ou leve uma chupeta. Mesmo que você seja filosoficamente contra o acessório, abra uma exceção. É por uma boa causa.
 
Na praia, nem pensar 
 
Mas, se o destino final da viagem for uma praia… pare agora. Praia e recém-nascido são incompatíveis: “O calor é intenso e o bebê absorve com facilidade, podendo ter graves insolações”, alerta a médica. Isso sem contar as possíveis doenças tão comuns em ambientes praianos.
Além das preocupações com segurança, prepare-se para enfrentar o grande desafio de fazer caber toda a tralha do bebê no porta-malas do carro. É preciso muita organização e paciência. Fazer uma lista e ir ticando cada item ajuda bem. Além de roupinhas para vários tipos de clima (pode esfriar mesmo no verão), você se verá às voltas com um sem-número de itens fundamentais: chapeuzinhos para proteger o rostinho do sol, mantinhas, lençóis, toalhas, brinquedinhos, produtos para banho, para troca de fraldas, kit de primeiros socorros, farmacinha, bolsa de água quente para acalmar as cólicas, trocador portátil, tesourinha de unha e lixa e por aí vai. Se você não estiver amamentando, terá de levar mamadeiras, bicos, leite em pó, funil, esterilizador de mamadeira… Até nessa hora ficam claros os benefícios do leite materno. Isso sem contar berço de viagem, banheirinha (uma piscininha inflável resolve bem e ocupa menos espaço) e carrinho se quiser passear com o rebento. Uma solução um pouco custosa, mas bem prática, é ter parte dos equipamentos no local de destino: tipo bercinho, esterilizador etc. na casa de praia ou na casa de cada um dos avós. Se ainda assim você conseguir entrar no automóvel, boa viagem!
 
Mala de mão
 
Quando você acomoda toda a tralha no porta-malas, fica praticamente impossível localizar um item fundamental durante a viagem. Mantenha sempre à mão:
 
-Fralda de pano, para limpar uma regurgitada.
-Fraldas descartáveis.
-Lenços umedecidos.
-Pomada para assadura.
-Uma muda de roupa.
-Chupeta (para aliviar a pressão nos ouvidos).
-Aquele brinquedo que ele adora.
-Um brinquedo diferente.
-Para quem amamenta: garrafa de água mineral, para se manter hidratada.
Para quem não pode amamentar: mamadeira que separa leite em pó e água (encha com água fervida resfriada e faça a mistura na hora que o bebê for mamar) ou garrafa térmica com água fervida, mamadeiras e porta-leite em pó para viagem.
 
O primeiro choro
 
Na sala de parto
 
É difícil ouvir um bebê chorando. Claro que é! No mínimo dá dor no coração e uma vontade de fazer qualquer coisa para que ele fique calminho e já. Antes de sofrer demais, pense assim: até os 2 ou 3 meses, chorar é a única maneira que seu recém-nascido tem de se comunicar com você. Ou seja, é normal chorar. O buá sem fim começa assim que o bebê nasce, faz parte do processo de adaptação do sistema cardiorrespiratório dele ao mundo externo, explica o pediatra Antonio Barros, pai de Paulo, Fernando e Tiago, do departamento de pediatria ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria. Esse choro inaugural, já na sala de parto, dura alguns minutos, até o bebê se acalmar, ser agasalhado e instalar a respiração. 
 
Em casa
 
Por alguns dias, ele vai chorar de fome, por causa da fralda suja, frio, sono, em busca de atenção… Demora um pouco e você aprende a identificar o motivo e saber o que fazer. Um bebê com fome pode fazer movimentos com a boca ou chupar as mãos ou o que aparecer. Recém-nascidos amamentados no peito podem mamar em intervalos curtos, de cerca de duas horas ou até menos. Então não se assuste se ele estiver com fome de novo. E de novo. 
 
Elas, as cólicas
 
No fim da segunda semana de vida, às vezes até antes, você pode ser apresentada às cólicas intestinais. Pode aparecer em alguns bebês e em outros não e duram até os 3 meses. A dorzinha bate e logo vem o choro forte: o bebê fica vermelhinho e encolhe as pernas. “É preciso que a mãe e o pai não se angustiem, porque se trata de uma adaptação do trato digestivo sem nenhuma implicação no futuro da criança.” Portanto, nem pensar em receitar analgésico por conta própria ao filhote. Na dúvida, ligue para o pediatra, sempre, sem medo e sem vergonha. Fazer massagem na barriguinha, colocar a criança de bruços sobre o seu colo, recorrer a uma bolsa de água quente pode ajudar, embora, infelizmente, muitas vezes não resolva. Tranqüilize-se: doenças graves não são manifestadas assim, mas por uma leve gemência. Se você trocou a fralda, deu de mamar e ele já dormiu bastante, recorra a sua pele, seu colo, sua voz. Ande com ele, cante uma música suave, embale. Um shhhhhhhhhhhhhhhh… contínuo no ouvido dele hipnotiza, relaxa… Se tudo der errado, ar livre faz milagre. Uma volta no quarteirão pode fazer bem a você e a ele. Não fique péssima se sentir uma vontade louca de sumir por uns minutos se até isso falhar. Peça ajuda a seu marido, mãe, irmã, babá, enquanto você toma um banho e se desliga um pouco. Mãe também é gente, nunca se esqueça disso. Ele vai ficar bem e, mais umas semanas, quando der o primeiro sorriso, você vai ter certeza de que tudo vale a pena. Muito. E sempre. 
 
Como agir quando seu bebê chora
 
Fome
 
Se seu bebê estava dormindo por duas ou três horas e acordou chorando, pode querer mamar.
Amamente-o, oferecendo os dois peitos alternadamente. Comece por aquele em que ele mamou por último (use um anel para marcar o último lado oferecido).
 
Desconforto
Verifique se a fralda está suja e a troque. Veja se a roupa de cama está limpa e se ele não está com frio ou calor.
 
Insegurança
 
Um movimento brusco, luz forte ou um barulho podem fazer o recém-nascido chorar. Muitos choram durante a troca e no banho.
Acaricie o bebê e segure-o com firmeza, mas com suavidade ao trocá-lo e banhá-lo.
 
Cansaço
 
Quanto mais exausto o bebê, mais difícil acalmá-lo e o choro pode alcançar proporções ensurdecedoras. Identifique o sono antes da exaustão: ele boceja e puxa as orelhas, por exemplo, antes de começar a chorar. Crie um ritual calmante que preceda a hora do sono, cantando e embalando-o ao colocá-lo no berço.
 
Consultoria
 
Dr. Antonio de Azevedo Barros Filho, pediatra
Dra. Isabel Rey Madeira, pediatra
Dra. Jocileide Campos

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