Gravidez

Nem mais nem menos

Pesquisa relaciona obesidade do bebê ao peso da grávida: engordar excessivamente ou abaixo da média tem o mesmo efeito

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 Mulheres que engordam menos do que o recomendado durante a gravidez podem ter filhos com sobrepeso ou obesidade. É o que mostra um estudo publicado recentemente no American Journal of Obstetrics and Gynecology.

Os pesquisadores cruzaram dados dos registros médicos eletrônicos de 4.145 mulheres que tiveram filho entre 2007 e 2009 e as informações médicas de seus filhos com idades entre 2 e 5 anos. Chegaram à conclusão de que mulheres com um peso normal antes da gravidez e que engordaram menos do que o recomendado tinham 63% mais propensas a ter um filho que se tornou obeso.

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 “Durante a gestação, uma série de programações genéticas são passadas para o feto, condicionando o que vai acontecer com ele ao longo da vida. Entre elas, informações sobre sua constituição metabólica”, explica membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Luiz Cláudio Castro.

De acordo com Castro, como o feto não encontra os nutrientes necessários, seu metabolismo entende estar diante de dificuldades na obtenção de nutrientes. Para não ficar desnutrido, passa a absorver tudo que recebe.

Excesso de peso

No pólo oposto, o ganho excessivo de peso durante a gestação também pode ocasionar obesidade na criança. Os resultados mostraram que mulheres com peso normal antes da gravidez mas que ganharam mais do que a quantidade recomendada foram 80% mais propensas a ter uma criança que desenvolveu sobrepeso.

Isso acontece porque, nessas situações, o feto pode receber uma dose excessiva de glicose e produz muita insulina. “Essa produção desenfreada, faz com que ele carregue a informação genética de que tem excesso de peso e poderá viver assim”. conta o ginecologista, obstetra e diretor médico da clínica Primordia Medicina Reprodutiva, Marcio Coslovsky.

Além disso, essas mulheres também correm o risco de desenvolverem diabetes gestacional, caracterizada pela intolerância à glicose que pode ocorrer a partir da 20ª semana de gestação. “Pessoas com histórico na família têm uma tendência a aumentar os níveis de açúcar pela sobrecarga provocada pela gravidez. Se for comprovado o diagnóstico, é necessário fazer uma dieta com restrição de açúcar e carboidrato”, conta Coslovsky.

É muito importante que a diabetes gestacional seja tratada, pois está associada a um crescimento excessivo do bebê, o que pode levar a uma indicação de cesariana. Segundo Coslovsky, em geral as taxas de glicose no sangue são normalizadas após o parto.

Na medida certa

Já que tanto o excesso quanto a falta de peso fazem mal para a gestante e o bebê, o melhor é engordar na medida certa. Mas qual é esse peso ideal?

Castro conta que a atenção com os quilos adquiridos na gestação, deve começar antes mesmo de a mulher engravidar. “É importante que a mulher tenha um IMS na pré gestação entre 18 e 25. Se começar a gravidez com IMS superior a 25, precisa ter um ganho de peso menor durante os meses seguintes”. Se for o caso, em caso de gravidez planejada, pode ser indicada uma dieta hipocalórica antes de engravidar.

Coslovsky diz que o ideal é que a mulher ganhe 1kg/mês no primeiro trimestre. No segundo trimestre 1,5kg/mês, no fim, o ideal é ganhar 2kg/mês, totalizando aproximadamente 11 ou 12 quilos.

“Mulheres que conseguem manter um peso adequado durante a gravidez possuem muitas vantagens na hora do parto, pois o metabolismo funciona melhor. Elas também conseguem voltar ao peso normal com mais facilidade”, diz Coslovsky.

A prática de atividades físicas são uma boa forma de regular o ponteiro da balança durante a gestação, mas os exercícios devem ser feitos sob a orientação de um profissional e com permissão do médico.

 

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