Gravidez

Em busca do esporte perfeito

Elegemos o melhor exercício físico e mais outras atividades para quem quer manter a boa forma – e a saúde! – durante os nove meses de gestação

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 Tem o lado das emoções, das providências práticas, de querer acompanhar o desenvolvimento do bebê. Mas um ponto que não deve ser descuidado na gravidez é o impacto que ela significa para o corpo da mulher, que precisa se preparar para aumentar de peso, alterar o centro de equilíbrio com a barrigona, mil mudanças. Por isso, desde o começo, não dá para descuidar do físico. Quem já faz exercício talvez tenha que mudar para uma modalidade mais leve. Quem não é dada a fazer deve  aproveitar e pensar a sério nos benefícios que  eles  trazem.  

Com exercícios físicos, as condições cardiovasculares e respiratórias ficam equilibradas, a autoestima melhora e o sono ganha qualidade. “Outro fator altamente positivo é que as atividades físicas diminuem os desconfortos, a retenção de líquidos, a prisão de ventre e as dores nas costas”, diz o obstetra do Hospital Vitória, Márcio Sakita, filho de Massamiti e Kazuko. Claro, desde que a gravidez esteja seguindo normalmente e com a devida aprovação do médico.

Os exercícios também reforçam o tônus muscular, especialmente importante para as mães que querem um parto natural.  Do ponto de vista do bebê, estudos indicam que as crianças vêm ao mundo mais saudáveis se a mãe é uma pessoa ativa. “O risco de a criança nascer com excesso de peso diminui, há melhora no estado nutricional do feto e auxílio na prevenção de obesidade futura”, diz Sakita. Especialistas ainda relatam que o cérebro de bebês de mulheres que se exercitam se desenvolve com mais rapidez.

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Sem sombra de dúvida de que o exercício físico faz bem pra mãe e filho, resta o dilema: entre as opções, qual será a melhor? Conversamos com dez especialistas que formaram um júri para avaliar as atividades mais indicadas para as gestantes.

 

1º lugar: Hidroginástica

O exercício foi o indicado com louvor por nove entre dez especialistas consultados. O motivo é simples: a hidroginástica, esporte de baixo impacto, promove o fortalecimento dos músculos com poucos riscos. “Na água nosso corpo fica mais leve, evitando lesões articulares”, afirma a professora da BioRitmo Gisele Wachs, filha de Helenice e Pedro. A hidroginástica também consegue combinar condicionamento aeróbio e trabalho muscular localizado. Outro benefício: “Com a diminuição do inchaço causado pela circulação prejudicada, o sangue que alimenta o bebê chega mais oxigenado”, diz o professor da academia Smart Fit Rodrigo da Silva, pai de Luisa e Giulia.

 A hidro tem também a vantagem de ser indicada para todas as grávidas: as que já têm condicionamento e aquelas que  estão começando. A jornalista Karina Torres, 36 anos, mãe de Lucca, fez os exercícios na piscina regularmente e comprova: os resultados foram disposição – que sentiu até o fim da gestação – e a recuperação rápida.

2º lugar: Natação

O segundo lugar da lista é ocupado pela natação, que, por ser um esporte aquático, ajuda no fortalecimento muscular ao mesmo tempo que ameniza a influência da gravidade na barriga. Claro que também ganha pontos durante o verão, quando só uma boa piscina é capaz de refrescar o calorão.

Além disso, há outras vantagens. “Traz benefícios para a circulação sanguínea, ajuda a diminuir os inchaços, melhora as dores lombares e preserva as articulações por ser praticada dentro da água”, explica o professor de Educação Física e proprietário da Academia Atitude Fitness, em São Paulo, Edison Moreno, pai de João Pedro e Manuela.

3º lugar: Caminhada

A caminhada também é um esporte de baixo impacto, consequentemente, boa pedida para as grávidas. “Assim como a hidroginástica, o alongamento e exercícios funcionais adaptados, a caminhada é uma atividade excelente para aumentar a força, a resistência e a flexibilidade da gestante”, afirma o personal trainer e treinador de atletas profissionais Danilo Dourado, filho de Augusto e Maura.

4º lugar: Yoga e alongamento

Ao longo da gestação, a mulher tem aumento de peso, de fluxo sanguíneo, de hormônios, modificações da postura (principalmente a coluna), além do comprometimento da respiração. “Internamente há muitas alterações também, os órgãos abdominais vão modificando de posição, como bexiga, fígado, trazendo mudanças intestinais e respiratórias, que podem ser melhoradas com o corpo em movimento”, afirma Adriana Vieira, instrutora na escola Namaskar Yoga e mãe de Aline, Thales e Dora. O assoalho pélvico também sofre a pressão por causa do peso do bebê e deve ser fortalecido, bem como o períneo, que deve ser preparado para a hora do parto. A yoga é uma atividade que consegue aliar o alívio dessas mudanças com maior estabilidade emocional para as futuras mães. “Ajuda a mulher a se interiorizar, se conhecer mais e melhor, aprender com as mudanças naturais de seu próprio corpo e ficar mais em contato com seu bebê, desde o início da gestação”, diz Adriana.

A yoga também produz relaxamento muscular. “Massageia a região abdominal e torna as articulações mais flexíveis”, explica a professora do espaço Vida e Ação Gilse Marcondes, filha de Irene e Walter.

O alongamento é outra prática importante e indicada, pois ajuda a amenizar desconfortos e dores. “É um ótimo exercício para aliviar o encurtamento da musculatura profunda da coluna e toda a cadeia muscular posterior do corpo, como as costas e membros inferiores”, afirma o professor de musculação e alongamento da Academia Atitude Fitness Marcelo Fagundes, filho de Edmir e Cleide.

5º lugar: Pilates e musculação

Tanto o Pilates quanto a musculação fortalecem a musculatura com mais intensidade. São excelentes para as mães que querem estar com músculos preparados para um parto normal saudável e também uma recuperação rápida após o nascimento do bebê. “Promovem tonificação muscular, força e resistência, que ajudarão seu corpo a carregar o peso extra da gravidez. Fortalecem toda a musculatura postural, como a região lombar”, explica Marcelo Fagundes.

O levantamento de pesos, com moderação, pode ser feito por qualquer mulher com gravidez saudável e que tenha aprovação médica para a atividade. Porém, deve ser acompanhado por um professor da área. “A mulher grávida pode treinar, desde que não queira virar atleta e sim realizar atividades de intensidade regular e moderada”, explica a professora de musculação e personal trainer na academia Italy, em São Caetano do Sul, Renata Dias, filha de João Carlos e Stelamaris. A professora também salienta que na musculação, assim como nas outras atividades, é preciso ficar de olho na frequência cardíaca. “Não deve ultrapassar 140 bpm (batimento por minuto) e a duração máxima deve ser de 60 minutos.”

O Pilates na gravidez ajuda na estabilidade da musculatura postural, do assoalho pélvico e no fortalecimento e alongamento dos músculos, além disso, ainda melhora a concentração, o equilíbrio e a coordenação. Deve ser praticado com boa orientação.

O método também ajuda na tonificação do corpo como um todo e melhora a circulação sanguínea e linfática. “Todos esses benefícios juntos proporcionam à gestante uma gravidez mais saudável e feliz”, afirma Babi Martin, que é instrutora do The Pilates Studio Brasil e filha de Maria e Luciano. Porém, a professora acredita que deve ser feito por mulheres que já praticavam a atividade anteriormente, pelo menos um ano antes de ficarem grávidas.