Gravidez

Doce gravidez

7% das grávidas desenvolvem diabetes no país. Especialista fala sobre a doença e dá dicas de prevenção

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

O diabetes é uma doença que requer vigilância e cuidados especiais, principalmente nas gestantes, que precisam ter atenção redobrada para que não haja aumento dos níveis de açúcar no sangue durante a gravidez. Segundo o obstetra Jorge Rezende Filho, da Casa de Saúde Santa Lúcia, pai de Maria Eduarda e Maria Luiza, a doença, que afeta cerca de 7% das mulheres, aparece depois do segundo trimestre e pode persistir até o fim da gestação.

No Dia Mundial do Diabetes, lembrado em 14 de novembro, tire suas dúvidas e saiba como ter uma gestação tranquila longe do diabetes.

Anúncio

FECHAR

Hormônios à flor da pele
O diabetes gestacional, normalmente, está relacionado com alterações hormonais. Durante a gravidez, o organismo da mulher sofre diversas mudanças. A principal delas é o aumento na produção de hormônios que podem dificultar ou bloquear a ação da insulina no corpo – substância responsável pelo controle de açúcar no sangue. Na maioria das grávidas, o próprio organismo compensa esse desequilíbrio ao fabricar mais insulina, mas nem todas as mulheres reagem da mesma forma, é quando ocorre a elevação glicêmica, característica do diabetes gestacional.

O excesso de peso é um risco
De acordo com Jorge Rezende Filho, o diabetes gestacional pode se desenvolver em grávidas que estão acima do peso ou que ganham quilos muito rápido. Ele afirma que alimentação balanceada e dieta nutritiva são as melhores formas de evitar a doença. Entretanto, não são só as obesas que têm risco de contrair o diabetes. “Mulheres com a síndrome do ovário policístico e aquelas com histórico de diabetes na família também fazem parte do grupo de risco”, revela o obstetra.

Doença silenciosa
O perigo do diabetes está no fato de a doença não apresentar sintomas, exceto em suas formas mais graves. Segundo o obstetra, alguns sinais são confundidos com outros fatores da gravidez, como inchaço, vômitos sequenciais, visão turva, fadiga, sede e urina em excesso, infecções na bexiga ou na vagina. Por isso, ele ressalta a importância do diagnóstico precoce. “A investigação do diabetes deve acontecer tão logo a gravidez complete a 24ª, semana para preservar a saúde da mãe e do bebê”, indica o especialista.

A curva glicêmica
O exame indicado para o diagnóstico de diabetes gestacional é a curva glicêmica. Nesse teste oral a grávida deve ingerir 100 gramas do mesmo líquido e, novamente, de hora em hora, ser feita a coleta de sangue. Assim, uma hora depois de a substância ser ingerida, o nível de glicose não deve ultrapassar 180 mg/dl. Duas horas depois, esse valor não deve ultrapassar 155 mg/dl. Por fim, após três horas, deve ser menor do que 140 mg/dl. Para fazer os exames é necessário jejum noturno de oito a doze horas.

Tratamento à base de dieta
Na maioria dos casos, o tratamento do diabetes gestacional envolve questões psicológicas, como o exercício da determinação e da disciplina. O controle das taxas de açúcar deve ser feito com uma dieta balanceada. Jorge Rezende Filho aconselha também a prática de atividades físicas. Segundo ele, apenas as mulheres que já possuíam a doença antes de engravidar seguem um tratamento diferencial à base de medicamentos ou doses de insulina, porém, o cuidado com a nutrição e a prática de exercícios físicos também servem para elas.

Perigo para mães e bebês
O excesso de açúcar representa um risco para os bebês, pois o pâncreas – órgão responsável pela produção de insulina – fica sobrecarregado. Além disso, essa substância é responsável pelo crescimento de alguns órgãos e tecidos, dessa forma, o diabetes gestacional pode interferir nesse processo, trazendo consequências como aumento de órgãos, icterícia, problemas respiratórios e até cardíacos. Para a mãe, o malefício do diabetes pode estar relacionado com a elevação da pressão arterial.

Prevenção para ficar longe do diabetes
A prevenção é a melhor forma de estar distante das preocupações com o diabetes. Realizar um bom pré-natal com um especialista de confiança, manter a alimentação saudável resistindo às tentações e a alguns desejos, procurar uma atividade física de baixo impacto que de adapte-se a suas condições e manter os exames clínicos em dia são algumas dicas do obstetra Jorge Rezende Filho para você ter uma gravidez tranquila e com saúde. Se mesmo assim você desenvolver diabetes gestacional, saiba que ela passa após o parto e seus níveis de glicose voltarão ao normal.

Consultoria: Dr. Jorge Rezende Filho, médico obstetra, pai de Maria Eduarda e Maria Luiza.