Gravidez

Agulhas do bem

A acupuntura combate vários problemas que incomodam as grávidas, de enjoos a alterações de humor

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Há mais de 5 mil anos, os chineses descobriram uma técnica simples para tratar diversas doenças. Ao introduzir agulhas em pontos estratégicos, substâncias são liberadas, trazendo equilíbrio – a palavra chave da medicina chinesa – para o sistema imunológico e para o organismo como um todo, que passa a ter um desempenho melhor. Uma das vantagens do método é, em alguns casos, conseguir evitar o uso de medicação. E é por isso que as agulhas combinam tanto com as necessidades das grávidas, já que vários medicamentos nesta fase são vetados por serem perigosos para o desenvolvimento do feto.

Diferentes pesquisas mostram que a acupuntura é eficaz no tratamento de doenças que colocam em risco o bem-estar das gestantes e que resistem aos métodos convencionais. Por exemplo: especialistas acreditam que até um quarto das mulheres sofra de depressão durante a gravidez, que, se não tratada, aumenta a chance de partos prematuros, abortos espontâneos e de o bebê nascer com baixo peso. As agulhas podem ajudar essas gestantes, e muito.

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Pesquisa feita pelo departamento de Psicologia da Universidade do Arizona, nos EUA, com 150 gestantes com diagnóstico de depressão, mostrou que 63% das que foram tratadas com acupuntura específica por 2 meses apresentaram uma redução de pelo menos 50% nos sintomas depressivos.

Enjoos, dores nas costas, ansiedade, alterações de humor, dificuldade para dormir e inchaço também são eliminados ou prevenidos com a acupuntura. Estudo realizado na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto com 42 grávidas mostrou que a acupuntura ameniza a azia. A acupuntura também  melhorou a alimentação de 75% das mulheres e o sono de 70% delas, sem efeitos colaterais.

Na hora do nascimento do bebê, as agulhadas são bem-vindas: ao estimular pontos específicos, potencializa-se o trabalho de parto e a dor das contrações diminui, dispensando o uso de analgésicos, que, em alguns casos, podem atrapalhar a progressão do processo. Agulhadas nos pontos certos podem até fazer o bebê se mexer na direção certa. “Se perto do nascimento o bebê estiver sentado (a chamada posição pélvica, que dificulta o parto normal), a acupuntura ajuda a fazer a mudança de posição do bebê em 60% dos casos”, explica Lilian Fumie Takeda, filha de Pedro e Junko, ginecologista e membro da AMBA (Associação Médica Brasileira de Acupuntura).

Alternativa de peso

Claro que a técnica deve ser realizada por profissionais especializados e de confiança. Assim como alguns pontos estratégicos trazem benefícios para a mãe, outros podem desencadear processos prejudiciais ao desenvolvimento do bebê. É preciso levar em conta também que, apesar dos benefícios comprovados cientificamente, a acupuntura deve ser vista como um tratamento auxiliar. Ou seja: não substitui o tratamento principal para algumas doenças, que requerem medicamentos específicos. “A acupuntura é um coadjuvante maravilhoso. Às vezes, ela basta. Em outras, é preciso seguir um tratamento convencional”, diz Marcos Thadeu da Silva, pai de Fillipe, Alexandra e Daniela, anestesiologista e acupunturista.

Acupuntura na gravidez

Antes – A mulher pode buscar a acupuntura para aumentar sua fertilidade. Estudo conduzido por pesquisadores americanos e holandeses que analisaram 1.366 mulheres mostrou que a acupuntura pode aumentar em até 65% as chances de sucesso dos tratamentos de fertilização in vitro.

Durante – 1° trimestre: trata sintomas como enjoos, desconforto, azia e diminui as chances de aborto espontâneo. 2° trimestre: ajuda a mulher a dormir melhor, lidar com a ansiedade e as dores musculares. 3° trimestre: alivia problemas como inchaço, dores lombares, dificuldade para andar e ajuda a grávida a lidar com a expectativa da chegada do bebê.

Depois – Ajuda no trabalho de parto e diminui a dor das contrações. Segundo estudo da Universidade Duke, dos EUA, a acupuntura também diminui a dor após uma operação e as doses de analgésicos necessárias para a recuperação.

Quem pode fazer: a acupuntura é reconhecida como especialidade pela farmácia, enfermagem, fisioterapia e medicina. Já a biomedicina, fonoaudiologia e psicologia possuem regulamentações que habilitam os profissionais dessas áreas a utilizar os princípios da acupuntura como recurso complementar.

Consultoria: Evaldo Martins Leite, pai de Eduardo, Henrique e Mônica, é médico e Presidente da Associação Brasileira de Acupuntura. Tel.: (11) 3885-0524  Lilian Fumie Takeda, filha de Pedro e Junko, é ginecologista obstétrica, especialista em acupuntura e membro da Associação Médica Brasileira de Acupuntura. Tel.: (11) 3459-2347  Marcos Thadeu da Silva, pai de Fillipe, Alexandra e Daniela, é anestesiologista, acupunturista e médico da Clínica Dale, no Rio de Janeiro. www.clinicadale.com.br