Família

Uma família das arábias

Bárbara Saleh, mãe de Kassem e Sueli, é brasileiríssima, mas casou com um libanês e se converteu ao islamismo

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

O nome Bárbara significa estrangeira, mas essa mãe, professora de matemática e blogueira, é bem brasileira. “Tenho pai baiano e mãe alagoana”, conta a dona do portal Uma Mãe das Arábias (umamaedasarabias.com.br), como é mais conhecida na blogosfera. O sobrenome Saleh vem do marido, Rada, engenheiro agrônomo libanês, com quem namorou 11 anos, 3 deles no Egito, onde se casou. No dia da festa, na mesquita, Bárbara se converteu ao islamismo.

No Egito, Bárbara engravidou do primeiro filho, Kassem (pronuncia-se Kássem), que nasceu no Brasil. “Lá o pré-natal também tem a parte religiosa, que foi muito importante, porque tive um aborto espontâneo antes de engravidar do Kassem. Minha médica era muçulmana e me confortou espiritualmente”, conta.

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Bárbara usa roupas mais recatadas, mas aqui no Brasil dispensa o uso do hijab, o véu islâmico. “Tem gente que acha errado, mas eu faço o que meu coração manda”, diz. E Bárbara segue seu coração. Mesmo. Para conseguir o tão sonhado parto normal, mudou quatro vezes de obstetra. “Na quarta médica, estava tendo contrações e, com 37 semanas, ela quis marcar a cesárea. Perguntei: ‘Estou bem? O bebê está bem?’ Então estou indo embora.” E foi. A amamentação não se estabeleceu imediatamente com Kassem, e, de novo, ela não teve descanso enquanto não conseguiu uma solução. “Depois de passar por vários pediatras, conversei com uma consultora de amamentação, que me recomendou a relactação. No dia seguinte eu já tinha bomba e relactador (aparelho que faz com que o bebê sugue o seio enquanto recebe a fórmula)”.

Em casa, o ambiente é bilíngue, o “baba” (pai) Rada fala com os filhos em árabe. Kassem, hoje com quase 4 anos, entende tudo, mas responde em português. Seguindo a tradição, Kassem foi circuncidado com 11 meses. “Se tivesse sido já na maternidade, teria sido mais simples, mas éramos pais de primeira viagem e preferimos esperar.”

De acordo com as normas da religião, a família não come carne suína nem toma bebida alcoólica. Durante nossa visita, Rada nos ofereceu vinho sem álcool. Chegamos lá na sexta, o dia sagrado para os muçulmanos. Um dos sonhos da família é fazer a peregrinação para Meca. “Lá você larga tudo que é mundano, é a mesma toalha branca para todos”. Sem salamaleques. Ou melhor, com, já que a palavra salamaleque vem de Salaam Aleikum, em árabe “que a paz esteja sobre vós.”

Jogo rápido

Escolha dos nomes

Pela tradição, o primogênito teria o nome do avô paterno. “Meu pai se chama Kamel. Mas, com esse nome, meu filho sofreria bullying aqui. Optamos por Kassem”, conta o pai. Sueli foi uma homenagem à avó paterna, que morreu quando Rada tinha 2 anos e 9 meses.

Dois filhos

“Na maternidade, tive um resuminho de como seria: os dois chorando ao mesmo tempo. Tive de parar para organizar a vida. Tento fazer com ele os pontos principais: trocar, fazer dormir, dar comida, montar um quebra-cabeça”. 

Participação do pai

Na religião islâmica, a presença do pai no parto é fundamental. As primeiras palavras ouvidas pelo bebê são pronunciadas por ele, ainda na sala de parto, contando para o novo membro da família que ele é muçulmano.

Sono

“O Kassem nunca dormiu bem. Acordava de hora em hora. Fui apresentada pela contadora de histórias Kiara Terra a um livro chamado Um Dia Especial, que fala das pequenas separações entre umamãe e uma filha.”