Família

Ovo demais faz mal

A proteína animal é fonte de nutrientes, mas é preciso comer com moderação para não sobrecarregar o metabolismo

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 

Foi desmistificado que o consumo de ovo piore o problema com colesterol. Portanto adultos e crianças podem consumir o alimento regularmente, mas sempre é bom cuidar do excesso.

Há alguns anos atendi no consultório uma criança que passava os finais de semana com os avós que eram de origem espanhola. Ela veio em consulta por apresentar amigdalites de repetição. Um caso grave, pois tomava antibióticos quase que mensalmente e “vivia doente”. Durante a consulta a mãe me falou que na sua estada na casa dos avós havia um prato típico que levava uma dúzia (!) de ovos. Comiam na sexta-feira à noite e o restante no sábado. Além da medicação, sugeri que suspendessem esse consumo excessivo de ovos para ver se a criança melhorava. E de fato a criança não teve mais amigdalite.

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Outra vez entrando numa escola, na qual eu era médico escolar, uma mãe me parou no corredor e comentou que seu filho pequeno vivia com amigdalite. Sem mais, sugeri a ela que parasse de dar ovos para a criança.  Algum tempo depois a mãe me contou que além de não ter mais as infecções a criança tinha ficado muito mais calma, o que era percebido até pelas professoras.Com isso aprendi a reconhecer no consumo excessivo de ovos um problema: provavelmente por ser rico em enxofre, predispõe crianças sensíveis, a infecções e também quando consumido em excesso pode tornar a criança mais agitada. Recomendo que se evitem ovos e mesmo proteínas durante o tratamento de qualquer doença infecciosa. Principalmente nas agudas, inclusive as “viroses”. Normalmente elas evoluem melhor se o paciente cuida da sua alimentação: evitando proteínas e aumentando a ingestão de líquidos.

Outra coisa importante é diferenciar a alimentação que fazemos ao acordar, o café da manhã do jantar. Para muitos, inclusive médicos, essa diferença não é reconhecida. E, muito mais do que antigamente, volta a valer na nossa época o antigo ditado: comer pela manhã como um rei, almoçar como um príncipe e jantar como um mendigo. Comer como um rei significa fazer uma refeição completa que contenha carboidratos, gordura e proteínas. Carboidratos, de preferência integrais, de baixo índice glicêmico; gorduras, que não sejam trans, e também proteínas.

Aí então o ovo é mais do que bem–vindo. Uma refeição completa pela manhã está relacionada a menor incidência de obesidade e há uma melhora geral do humor durante todo o dia. Crianças entre 5-6 anos que tomam um bom café da manhã têm um desempenho acadêmico melhor do que aquelas que não tomam café da manhã.

O jantar deve ser de “mendigo”. Não devemos comer gorduras à noite. Qualquer excesso pode prejudicar o sono. O obeso típico é caracterizado nos livros como “comedor noturno”. Portanto, podemos consumir ovos pela manhã, mas devemos evitá-los à noite.

Outra questão: em que idade devemos introduzir os ovos na alimentação? A minha orientação é evitar os ovos até os 3 anos de idade. Não apenas devido a seu potencial alergênico, mas também porque o ovo é muito “vital”. Não só do ponto de vista bioquímico o ovo é muito rico, mas do ponto de vista qualitativo, pois tem o potencial para gerar uma nova vida. Mas a grande regra da nutrição é que somos seres individuais e reagimos de modo específico a cada alimento, a cada nutriente.

O ovo é bom. Mas como tudo na vida, em excesso faz mal e em alguns casos deve ser evitado. Isso somente poderá ser percebido se tanto os pais quanto médicos ou nutricionistas atentarem que cada criança é um indivíduo, não só do ponto de vista social, mas também do biológico.

 

 

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