Família

Muita fé na vida

Autora fala sobre a importância de introduzir a fé no cotidiano dos pequenos

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Autora de livro sobre os principais santos venerados no Brasil fala sobre a importância de introduzir a fé no cotidiano dos nossos filhos

Carolina Chagas, 36, jornalista e mãe de João Francisco, de 3 anos, e João Henrique, de 1

Sou uma pessoa de fé. Rezo com freqüência e quando faço um pedido a Deus – com quem converso diariamente –, acredito piamente que serei atendida. Claro, meus pedidos costumam ser justos (na minha avaliação).

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Também penso, quando os formulo, se a concretização do que almejo vai atrapalhar alguém (se sim, desisto de pedir). Essa relação com Deus fez desde sempre minha vida fluir de um jeito especial. Não que eu não tenha passado por dificuldades. Já passei por várias. Mas acho que o fato de ter fé sempre me fez seguir adiante com a espinha ereta e o coração tranqüilo e cheio de esperança por dias melhores. E, quando eles chegaram, sempre parei para agradecer a Deus.

Não tive uma formação católica tradicional, mas meus pais tiveram. E os santos e Deus sempre conviveram conosco harmonicamente desde que me dou por gente. São José foi o primeiro santo que me ensinou que eu podia fazer pedidos – e bem definidos – e que eles seriam realizados. Todo dia 19 de março é uma alegria na minha casa. Escrevemos em pedaços de papel, como num amigo secreto – ou oculto –, o nome de todas as frutas que sabemos reconhecer. A gente se reúne, faz um pedido em silêncio e tira uma fruta daquele monte de papéis. A que sair terá de ser evitada até o dia 19 do ano seguinte. São José nunca me decepcionou – nem no ano que me deixou sem comer uva nem beber vinho. Quando não atendeu a um pedido que lhe fiz, mandou coisa melhor.

Quando virei mãe de meu primogênito, João Francisco, em 2003, fiquei pensando em como incluir espiritualidade e essa “fé na vida” no cotidiano dele. O nascimento do João Henrique, em 2005, teve um componente mágico que me fez acreditar ainda mais em Deus e reforçou essa vontade de dividir com os meus filhos essa crença.

Tive de fazer uma cesariana, porque minha médica desconfiou do padrão de batimento cardíaco do feto. Ao tirar o bebê de minha barriga, ela descobriu que ele tinha dado um nó verdadeiro no cordão umbilical. Fato pouco comum, o nó é a maior causa de morte aos 9 meses. Se a mãe entra em trabalho de parto, o nó tende a apertar e interromper o fornecimento de oxigênio ao bebê. João Henrique veio ao mundo cheio de saúde e, um dia, uma amiga me ligou e perguntou se porventura eu tinha feito cesárea com data marcada. Vendo minha surpresa, contou que 13 de julho, data de nascimento do garoto, era dia de São Henrique, santo pouco popular por aqui, mas com alguns devotos na Alemanha. Achei que era um sinal.

Meus filhos são pequenos, mas já conhecem as histórias dos santos católicos, de Jesus e de Nossa Senhora. Convivem com São José, meu santo de devoção. Do alto de seus 3 anos, João Francisco já dá três pulinhos para São Longuinho toda vez que acha um objeto perdido. Para pedir a ajuda de São Longuinho basta dizer “São Longuinho, São Longuinho, me ajude a achar (fale o objeto perdido) que te dou três pulinhos”. Assim que encontrar o objeto, não esqueça do santo e ele nunca lhe deixará na mão.

Como introduzi esses pequenos hábitos na rotina dos meninos? Naturalmente. Como faço com qualquer outra história da carochinha ou hábito de organização que quero que eles tenham. Faço votos que sejam íntimos de Deus e todos os santos e possam recorrer a eles nos momentos de aflição e alegria. A minha parte, que é apresentá-los, estou fazendo. E com muita alegria.
 

Para saber mais

O Livro das Graças, de Carolina Chagas
Com ilustrações de Inés Zaragoza e Monica Schoenacker, a obra, escrita quando Carolina estava grávida de João Francisco, traz pequena biografia de 55 santos populares no Brasil e ensina a fazer pedidos para eles. Publifolha, R$ 26,90, www.publifolha.com.br

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