Família

É possível educar filhos para que não se tornem machistas

Esse é um assunto delicado, que merece a atenção dos pais desde cedo

Carolina Piscina

Carolina Piscina ,filha de Ana Maria e Osvaldo

(Foto: Shutterstock)

(Foto: Shutterstock)

Nas redes sociais vemos muitas discussões surgindo a todo momento e um dos assuntos que mais está sendo abordado é o machismo, devido a divulgação de fatos recorrentes. Esse debate é muito importante no universo online, mas precisamos trazê-lo para a nossa casa. Não é fácil, mas com pequenas atitudes diárias podemos livrar nossos filhos desse preconceito que subestima as mulheres.

É certo que hoje em dia muitas famílias têm divisões de tarefas mais igualitárias e as mulheres, inclusive, assumem o posto de chefes da casa. Ainda é forte, porém, a cultura de que são elas que devem lavar a louça, fazer o mercado, levar os filhos à escola e ao pediatra.

“Um conhecido uma vez me disse que a mãe não o deixava entrar na cozinha, que seria um lugar para as mulheres. Estereótipos como esse são disseminados muito cedo, no ambiente familiar”, explica Christina Andrews, professora de ciências sociais na Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo), filha de Jorge e Edna.

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Sendo assim, o ambiente familiar é o primeiro lugar onde os filhos terão contato com esses tipos de ideias. Os pais agem e as crianças imitam. “Pensar duas vezes ao fazer comentários que muitas vezes são comuns entre amigos em uma mesa de bar. Nenhuma boa educação pode partir dos preconceitos já existentes na sociedade”, afirma Christina.

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São essas pequenas atitudes do dia a dia que fazem a diferença entre uma criação machista ou não. “As crianças não têm a dimensão que nós temos de que brincar de varrer é coisa de menina. É necessário proporcionar esse espaço para ambos. Se a criança se interessa, deixe que ela faça”, diz Tatiana Leite, terapeuta de casal e família, mãe de Helena.

Cada um tem a sua função dentro de casa. Um dia o marido lava a louça e a esposa faz a comida, no outro, os papeis podem se inverter. Os filhos vão observar essas pequenas atitudes e crescer em um ambiente onde todos são responsáveis pelo lugar em que vivem, independentemente do gênero.

Também é preciso confiar! Sabemos que o seu parceiro não vai desempenhar as tarefas da casa da mesma forma que você, mas fazer as coisas de um jeito diferente não significa que elas estejam ruins. Deixe que o seu companheiro também possa fazer a parte dele e não puxe toda a responsabilidade para si mesmo.

Para que tudo isso funcione, é necessário ter muito diálogo. Antes de mais nada, você e seu parceiro precisam sentar e conversar para definir como desejam criar o filho de vocês e quais serão as atitudes a serem tomadas para que isso aconteça. Dessa forma, vocês poderão alcançar os objetivos sem grande estresse dentro de casa!

Brinquedos e brincadeiras

Ainda que você crie o seu filho em uma casa onde as tarefas são divididas de maneira igualitária, isso de nada valerá se você impuser cores e brincadeiras com gênero. As meninas podem gostar de brincar com carrinhos, e os meninos podem se interessar pelas bonecas. Afinal, um dia elas se tornarão motoristas e eles terão que cuidar dos bebês.

Quebrar os estereótipos é essencial. “O menino gosta de moda? Incentive-o. A menina gosta de montar e desmontar aparelhos? Dê um kit de ferramentas para ela”, explica Christina. Desde que a criança goste e se interesse, você deve incentivá-la se desejar uma educação livre de machismo. Você pode até se surpreender com uma jogadora de futebol ou um bailarino dentro de casa.

A mesma coisa vale para cores. Os meninos podem gostar de rosa e as meninas de azul. Os tons não foram determinados de acordo com gênero.

Atenção: esse texto vale tanto para filhos como filhas, pois também existem mulheres machistas.