Família

Descubra o que leva as mães para o mundo da blogosfera

Blogs sobre maternidade ganham mais adeptas. Conheça três mães blogueiras

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Por Nivia de Souza, filha de Tânia e Renato

“Eu sempre brinco que, hoje em dia, quando você tem um filho, o obstetra chega para você e diz: ‘parabéns, mãe, aqui está seu blog materno!’ “, disse Isabela Kanupp, mãe de Beatriz e autora do blog Para Beatriz. O que será que traz um número considerável de mães ao mundo da blogosfera? Por que tantas mulheres têm utilizado a internet para compartilhar suas maternidades?

A resposta vem das próprias blogueiras. Elas dizem que a maternidade deixa a mulher isolada, afinal os bebês necessitam de muitos cuidados. “Quando resolvemos escrever, damos vazão a sentimentos e compartilhamos pequenas conquistas. Nos sentimos menos sozinhas”, afirma Daniele Brito, mãe de Ana Beatriz e Otto, e autora do blog Balzaca Materna. A jornalista Glauciana Nunes, mãe de Eduardo e Luca, e autora do blog Coisa de Mãe complementa. “Encontramos todo um universo de pessoas como a gente. Trocamos ideias, medos, vitórias”.  

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Excesso de exposição?
Tudo vira assunto nos blogs sobre maternidade. “As fases, as reações, as situações, as pérolas, as superações”, elencou Daniele. A maternidade parece ser uma fonte inesgotável de postagens. “Sempre tem uma novidade pra contar, um drama pra relatar e, assim, qualquer coisa acaba virando post” diz a autora de Para Beatriz.

Na prática, o blog funciona como uma válvula de escape. “Se eu debato algum assunto mais polêmico, antes de ele parar na rede, já foi muito discutido em casa”, conta Isabela. “Meu blog tem todas as minhas opiniões. Comigo não tem essa de imparcialidade”, enfatiza Glauciana,

Mas esta “terapia online” tem seu preço. As mães blogueiras são frequentemente criticadas pelo excesso de exposição a que submetem a si e aos filhos – tema da maioria das postagens. “Quem está na chuva é pra se molhar”, argumenta Daniele. Isabela e Glauciana afirmam que tudo é uma questão de bom-senso, tanto no tom e conteúdo dos textos, como na escolha das fotos.

Tempo para postar
Vida de mãe, por si só, é agitada. Vida de mãe blogueira, então, está um patamar acima. É preciso, além de cuidar das crianças e trabalhar, ter inspiração, caçar tempo para as postagens. O Para Beatriz tornou-se, neste ano, oficialmente o trabalho de Isabela. “Tudo o que eu faço em relação ao trabalho é direcionado ao blog, ele é uma extensão da minha vida”, explica.

Glauciana conta que costuma escrever à noite, na madrugada e nos fins de semana. “Eu acredito muito na articulação das mulheres como um todo, especialmente depois que se tornam mães. Nós tiramos uma capacidade incrível de conciliar várias coisas ao mesmo tempo. Tenho o maior orgulho!”, conta. Já Daniele, que, além de tudo, está fazendo um curso universitário, se diz uma equilibrista com os afazeres domésticos, a rotina de estudos e as postagens. “Normalmente, meus textos são ‘escritos’ mentalmente, enquanto estendo roupa ou dirijo. Depois é só passar a limpo”, revela.  

O lado bom e ruim de ter um blog
Para as blogueiras, o lado chato de ter uma página na internet é que todos pensam que elas têm uma opinião formada sobre tudo. “Cobrar uma posição sobre todos os assuntos dos donos de blogs é opressor”, reclama Daniele. Expor pontos de vista traz reações variadas dos internautas, o que pode gerar algumas inimizades. “Mas também agrega muitas pessoas. Às vezes, os relacionamentos saem das páginas da internet”, conta.  

A conclusão de todas as blogueiras é o esforço para manter as páginas vale a pena. Para elas, os blogs são a prova de que amor de mãe não tem limites e que um filho traz muitas transformações para a nossa vida. “Escrevo para que, no futuro, a Beatriz leia. Não vejo a hora de ela ter entendimento suficiente para isso”, revela Isabela. 

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