Família

Dê um pause: a importância dos momentos de ócio

Férias é tempo de fazer nada. Momentos assim dão um respiro nas agendas lotadas estimulam a criatividade – nossas e dos nossos filhos também

Carolina Porne

Carolina Porne ,Filha de Sandra e Rubens

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Foto: Shutterstock

Pare e pense na última vez em que ficou sem fazer nada. Nadinha mesmo. Difícil lembrar, né? Vivemos uma vida em velocidade máxima, em que até o tempo para pensar ou respirar precisa estar na agenda, ou não o fazemos. E mais: o fazer nada também foi deletado da vida das nossas crianças.

A agenda dos filhos está tão lotada de compromissos quanto à dos pais. “Como hoje em dia a maioria dos pais trabalha fora, a criança acaba ficando na escola o dia todo, com atividades extras para preencher os horários. Claramente, as crianças hoje têm muito menos tempo que as de outras gerações, que podiam chegar da escola e tinham tempo livre para brincar, dormir ou fazer o que quisessem”, diz Karina Weinmann, neuropediatra, filha de Jacira e Hugo. E para aprendermos algo novo, precisamos de uma mente livre, desocupada. Sabe aquele dia que você acorda e precisa ficar olhando para a janela, ou deita no sofá e olha para o teto, sem pensar em nada e de repente tem alguma ideia incrível? É disso que estamos falando!

A psicóloga Olga Tessari, filha de Liuba e Pedro, concorda: “os pais se preocupam demais em preparar seus filhos para o mercado de trabalho e para o futuro e, desde cedo, lotam a agenda deles com muitas atividades que, em excesso, podem provocar cansaço, irritação, estresse e até levar à depressão. Dessa forma, as crianças não tem tempo disponível para poderem escolher a atividade que elas realmente gostariam de fazer”.

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FECHAR

Quando pensamos na saúde dos nossos filhos, nem sempre nos atentamos que isso também significa saúde mental. Uma criança atarefada demais fica cansada em excesso, sendo incapaz de ter energia para brincar ou aprender coisas novas. E existem ainda outros males. “A criança com excesso de atividades pode se tornar estressada e hiperativa, tendo dificuldade para dormir, desenvolvendo ansiedade e até mesmo depressão, doenças de adultos que estão atingindo as crianças cada vez mais cedo”, comenta Alda Elizabeth Azevedo, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, mãe de Mônica, Thiago e Gustavo.

Fazer nada leva a pensamentos reflexivos, ativa a imaginação, expandindo a nossa realidade. Portanto, é essencial para o desenvolvimento das crianças. É preciso criar espaços para incentivar a imaginação na infância, e isso se opõe totalmente a uma agenda cheia de compromissos. Precisamos diminuir o ritmo, tanto o nosso quanto o das crianças. Aproveite o mês de julho para desacelerar.

 

Tesouro do tempo

O tempo hoje é um bem precioso, e ficar sem fazer nada pode parecer desperdício. É necessário mudar essa mentalidade e entender a importância do ócio.

Você já ouviu falar em ócio criativo? O conceito foi elaborado por Domenico de Masi, sociólogo italiano; em seu livro, ele diferencia preguiça de ócio, dizendo que esse nos dá a sensação de liberdade, enquanto o outro nos acomoda. O ócio criativo aumenta o potencial da nossa imaginação, nossa criatividade. E isso é ótimo, para nós e para as crianças!

“O tempo das crianças é diferente do tempo dos adultos. Nós somos regidos pelo relógio; eles são regidos pelas sensações, estímulos e descobertas. Ninguém colocou um cronômetro no laboratório de Albert Einstein com tempo contado para ele descobrir a teoria da relatividade. Assim é com as crianças. Elas precisam de tempo para descobrir, inventar, compreender do seu jeito, experimentar. E quando ela não tem nada para fazer é que todas estas características começam a fluir” explica Patrícia Camargo, do site Tempojunto e nossa palestrante no último Seminário Internacional Mãe Também É Gente, mãe de Henrique, Sofia e Larissa. E completa: “dar tempo às crianças é um presente. Aliás, tempo é um presente para todo mundo hoje em dia, não é mesmo? A diferença é que nós adultos temos como organizar melhor nosso tempo. As crianças dependem da gente”.

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