Família

Vídeo: Série De Criança para Criança

Na família de Vitor Azambuja, o desenho é um prazer passado de pai para filho, uma forma lúdica de estabelecer laços entre a família e os amigos

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 

Cresci vendo meu pai desenhar. Lembro que ele chegava da agência onde trabalhava como diretor de arte e, depois do jantar, ia para a prancheta desenhar enquanto eu ficava observando. Na maioria das vezes era algum trabalho de freelancer, e outras vezes, era só para curtir as cores e os traços sem nenhum motivo aparente. Ele adorava me ver ali quietinho, me dava dicas, brincava com os insetos que rodeavam a luminária bem acima dos desenhos. Eu, bem pequeno, queria ser como ele.

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Os anos se passaram. Me formei em música (piano) e propaganda. Fui morar em São Paulo, e comecei a pintar quase todas as noites. Os meus quadros passaram a ajudar bastante no orçamento. Foi aí que percebi que havia trilhado um caminho bem parecido com o do meu pai. Quando meus filhos Antonio e Marina nasceram, me veio a pergunta: será que vou ser um pai tão criativo quanto o meu? Sem medo de errar, fiz o que se passava em meu coração, dei todo o carinho do mundo e procurei ser um pai presente em cada fase da vida deles.

Mas precisava de tempo. Precisava parar de trabalhar tanto e tantos finais de semana sem fim. Foi aí que eu e minha mulher resolvemos nos mudar para o Rio de Janeiro.  E aí, numa manhã, meu filho Antonio, com 6 anos, me trouxe um desenho de um menino chutando uma bola. Nessa hora tive um insight: e se eu animar esse mesmo desenho, contando uma historinha com a voz das crianças?

Resolvi levantar esse projeto. Investi grana e corri muito atrás. Na época, eu havia saído da agência em que trabalhava, e resolvi focar nesse novo projeto. Foi assim que nasceu o canal do YouTube ‘De Criança para Criança’.

Aprendi muito, conheci gente nova, e quando o projeto ganhou vida e pernas, voltei para a agência de propaganda. Enquanto eu investia, minha mulher continuou trabalhando como fotógrafa. O que mais transformou a minha vida, nesse processo, foi a relação de cumplicidade entre mim e meus filhos através dos desenhos. Passamos a ficar mais tempo juntos. Entendi que esse novo desafio veio de alguma maneira para construirmos algo diferente, tanto para eles quanto para nós.

Hoje, eles me ajudam a escolher as crianças que irão participar tanto da locução dos episódios quanto as que irão desenhar também. Dei a eles importância total nessa nossa história, até porque foi com a ajuda e a inspiração deles que esse projeto começou a decolar. Eles se sentem necessários. Estamos juntos nessa.

Eles aprenderam que não podemos julgar se o desenho de uma criança é melhor ou pior. Entenderam também que temos que aceitar as diferentes personalidades de cada uma delas. Isso acontece quando estamos criando novas histórias. Respeitamos cada traço desenhado e cada voz para as locuções. Os amigos do Antonio e da Marina estão empolgados, promovemos até uma tarde de desenhos aqui em casa, com várias crianças para os novos episódios. Foi incrível ver como cada uma delas ama desenhar do seu jeito. Nesse momento, eles esquecem até do computador.

A ideia é levar esse projeto para a maior quantidade de crianças possível. Quero promover tanto a volta do desenho quanto criar um laço mais forte entre pais e filhos. Até porque não tem nada mais divertido do que ver adultos e crianças desenhando e criando juntos. Tudo muda quando você se interessa e dá atenção pelo que seu filho está fazendo. Isso é pra vida.

Fizemos onze animações, seis delas em parceria com o Canal Pais&Filhos TV. Investimos em mais episódios e num projeto que pode levar essa ideia para outros lugares e lares. Hoje, me divido entre meu trabalho numa agência de propaganda e meus quadros, mas não troco por nada estar com meus filhos dividindo com eles canetas e lápis.”

Confira o último episódio da série em: