Família

Contra o preconceito

As pessoas são diferentes umas das outras porque são e ponto. E é assim que a Flavia educa a Isabella. Dentro de casa ou na vida, e ela é muito feliz

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

“Quando me tornei mãe da Isabella, minha filha, hoje com 12 anos e portadora da Síndrome de Down, foi amor incondicional. O meu amor por ela foi o combustível que me permitiu fazer o impossível. Sempre acreditei que toda a minha luta fez a diferença para que ela se tornasse quem é hoje: uma menina feliz, amada, alfabetizada e interada no mundo, dentro dos seus limites. E o mais importante: respeitada pela grande maioria das pessoas.  Aos 24 anos, casei e logo em seguida fiquei grávida. Soube que Isabella era portadora da Síndrome no 6º mês de gestação. Desde aquele dia minha vida mudou completamente e eu, mãe de primeira viagem, decidi lutar contra o preconceito. As pessoas diziam “Deus escolhe as pessoas especiais”, só que eu nunca enxerguei dessa forma, e nem tinha tempo para isso. Ela era minha filha e ponto. Foi sempre uma luta muito instintiva, não queria saber se tinha sido abençoada ou seja lá o que for. Quando existe amor não há questionamentos.

Meu único medo sempre foi a saúde de Isabella. Isso me deixava sem chão. Ela operou o coração assim que nasceu, e teve algumas complicações. Ali percebi que eu não tinha poder para mudar, mesmo lutando muito, e que precisava contar com a sorte e com profissionais que nos acompanham, até hoje. 

Tenho outra filha chamada Manoela, hoje com 10 anos, e a educação da minha casa é que as pessoas são diferentes e que isso não faz de ninguém melhor ou pior, somente diferente. Tenho certeza de que essa forma de enxergar a vida fez com que eu aceitasse minha filha com comprometimento intelectual como um ser humano qualquer, só que com as sua limitações. Isso faz toda a diferença para que eu não sofra esperando algo que ela não consiga alcançar. Dou e dei todas as possibilidades que estão ao meu alcance, dentro do que eu imagino que ela não vai sofrer ou que eu não esteja a expondo de forma desnecessária.

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Não tenho a menor dúvida  que minha filha teve uma contribuição muito grande para me tornar uma pessoa melhor. Sempre digo que ela é um Anjo que veio  do céu. Sua doçura e amor espontâneo, sem pedir nada em troca, fizeram com que eu me tornasse um ser humano melhor e apaixonada por ela. Várias vezes, já me questionei se merecia tanto. Algumas pessoas devem me achar maluca, mas, se pudesse passar por tudo novamente, queria exatamente igual.

Tenho uma princesa dentro de casa, um diamante valioso que fui lapidando ao longo dos anos e que se transformou num tesouro que eu desejo cuidar para o resto da minha vida. Meu maior objetivo, hoje para a Isabella, é a inclusão social de uma menina que está ficando adolescente, dentro de uma sociedade justa, baseada no princípio de que somos responsáveis por todos, caminhando numa convivência mais humana, harmoniosa e acolhedora.” &

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