Família

Com os nossos pais: Mônica, filha de Marilene e Maurício de Souza

Baixinha e cheia de opinião, Mônica é a estrela dos quadrinhos

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 

03/01/2013
 
Por Mônica de Souza
 
Você já pensou em morar com um contador de histórias? Foi assim a minha infância. Quando fazíamos alguma coisa errada, ele parava, pegava um pedaço de papel e nos ensinava, desenhando, por que não deveríamos ter feito aquilo.
Meu pai é especial, me ensinou que as pessoas são lindas, que todos têm qualidades e que devemos confiar nos seres humanos. Fui crescendo e, de repente, me assustei. Vi um mundo não tão cor-de-rosa como ele falava. Foi uma frustração. Eu conversava com ele sobre isso, mas nenhum de meus argumentos o desanimava. Ele continuava a confiar no ser humano. Daí para a frente, principalmente na minha adolescência, houve grandes discordâncias, mas eu brigava sozinha. Ele não descia para o meu mundo, da desconfiança, da insegurança e outros fantasmas.
Fui crescendo (não muito, porque sou baixinha como ele), casei e tive meus filhos. Foi aí que comecei a entender meu pai. Como é amar intensamente, sem precisar pedir nada em troca. Somente o sorriso dos meus filhos ou um abraço bem apertado é tudo de bom!
Meu pai e minha mãe me ensinaram que cada pessoa é única, que temos limitações e que devemos aceitar nossas diferenças. Essa foi a maior lição que recebi: aceitar as pessoas como elas são, sem querer mudar ninguém. E hoje entendo que o mundo pode ser cor-de-rosa, só depende de você. Aprenda com os momentos ruins e viva intensamente os bons, porque são vários, desde que você consiga prestar atenção. O que meu pai via e continua vendo é o lado bonito que todos temos. Ele mima e admira cada um de seus dez filhos, cada um do seu jeito e cada qual em seu tempo.
Eu convivo com ele muitas horas por dia e viajamos juntos, principalmente a trabalho. E não deixo de me surpreender com a sua felicidade em autografar para as crianças e escutá-las. É como se eu estivesse em um mundo mágico. Não sou eu o personagem, é ele. Uma pessoa que você conhece tão bem, tão perto de você e que vive intensamente. Celebra as coisas simples da vida, fica horas vendo um passarinho cantar, uma criança se mostrar, sem se importar com o tempo. Ele perde o horário de reunião, perde a hora do embarque do avião, mas não perde o momento que lhe dá prazer. Tem gente que não o entende, fica irritada achando que ele é distraído ou que está desrespeitando as regras básicas do mundo profissional. Não entendem que, para ele, o mundo profissional está totalmente ligado ao mundo humano, e ouvir e dar atenção a uma pessoa é o melhor que podemos fazer. 
A empresa em que eu trabalho é a cara do dono, uma empresa familiar. E não só da família de sangue, mas de todos que ajudaram a construí-la. Não sei se conseguiria trabalhar em uma empresa fria, que só visa o lucro. Não foi assim que eu aprendi. Às vezes, fico dividida, penso se estou fazendo o certo, mas, quando deito minha cabeça no travesseiro e repenso o meu dia, sinto que, além de ter fechado um belíssimo contrato, também pude ajudar meu colega de trabalho que teve problemas com seus filhos. Aí vejo que tudo valeu a pena!
 

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