Família

Cada um no seu habitat

Animais silvestres e exóticos são tudo de bom e têm um importante papel na natureza, mas não dentro da sua casa nem no colo do seu filho!

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Não importa se é um gracioso filhote de panda ou uma exótica iguana. Os animais silvestres, aqueles que não são domesticados, são capazes de nos deixar de olhos arregalados e com a curiosidade aguçada. Não é raro a gente assistir a um vídeo no Youtube de um filhote de leão e pensar: “own, que fofinho!” O problema é achar que um bichinho que apresenta comportamento dócil no seu habitat terá o mesmo comportamento em um ambiente doméstico e pode ser tratado da mesma forma que um cachorrinho. Nós da Pais&Filhos adoramos animais de todas as espécies, mas também achamos que cada um tem seu lugar e isso precisa ser respeitado.

Para o veterinário da Clínica Wildvet, especializada em atendimento de animais silvestres e exóticos, André Grespan, um problema sério é que muitos desses animais são negligenciados por falta de conhecimento dos donos. “Muitos animais são colocados em locais que não são apropriados para sua espécie, não têm seus costumes e hábitos alimentares respeitados. Como consequência, ficam doentes, deprimidos e podem reagir de forma agressiva ao contato com humanos, principalmente crianças”, afirma. Pois é, por mais dócil que um animal seja, ele não está em condições normais!

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 Eles são essenciais para o equilíbrio na natureza e, quando são tirados de seu habitat, esse elo é rompido, explica Livia Botar, idealizadora e coordenadora do Projeto Mucky – iniciativa que tem o objetivo de reabilitar os primatas brasileiros que sofrem de maus tratos em função do abandono e tráfico de animais.

Bem equilibrados

Livia explica também que algumas espécies como os primatas são animais sociais e possuem uma organização própria. “Existem membros que são responsáveis pela locomoção do grupo, outros carregam os filhotes, há também os responsáveis pelos alimentos. Interferir nessa organização traz danos para a espécie”. Fácil de explicar para uma criança quando ela disser que quer um macaquinho em casa, né?

Essas espécies também possuem algumas bactérias e vírus que podem ser prejudiciais aos seres humanos dentro de um ambiente doméstico. Da mesma forma, uma pessoa pode contaminar um animal com alguma doença. “Se um bicho se contamina com algum vírus humano e depois vai para o meio ambiente, ele pode levar esse vírus para a vida silvestre e contaminar as espécies que estão livres”, alerta.

 Grespan ressalta que, infelizmente, muitas pessoas adquirem animais silvestres e exóticos sem ter o mínimo de conhecimento sobre seus hábitos, necessidades e o tamanho que podem ficar. “Uma iguana, por exemplo, pode chegar a 1m70cm de comprimento. Não pode ficar em qualquer aquário ou qualquer ambiente”, explica.

De acordo com o Ibama, o abandono de animais pelo homem tem causado muitos prejuízos à agricultura e à saúde pública.

“No imaginário das crianças é perfeitamente possível ser amigo de um leão e ter um em casa. Infelizmente, muitos pais acatam a esses desejos e adquirem animais que não podem estar em ambientes domésticos ou expõem os filhos a situações perigosas em zoológicos”, ressalta Lívia.

Exploração do bem

Quer dizer que animais silvestres não devem ter nenhum contato com seres humanos? Claro que não é isso. Pode, desde que de forma responsável. Quem ama respeita. E quem respeita sabe que existem limites que não podem ser ultrapassados.

Os pais podem valorizar essa curiosidade pela vida silvestre realizando caminhadas em áreas naturais ou em parques municipais e parques nacionais. “Nesses locais é possível ter contato com a fauna e a flora de forma segura e construtiva, pois interagir com os animais em seu habitat natural é melhor do que vê-los através de grades.” conta Livia.

Por fim, se o seu filho está pedindo para você comprar um urso panda, um filhote de leão ou uma iguana, você pode usar essa vontade de forma construtiva. Vocês podem fazer um passeio em um parque e tirar muitas fotos dos animais e depois fazerem juntos um álbum quando chegarem em casa. Ou observar os animais com um binóculo e procurar mais informações na internet. O melhor é tentar transformar um possível sentimento de posse em contemplação.

Consultoria: Livia Botar, idealizadora e coordenadora do Projeto Mucky http://www.projetomucky.org.br/,  André Grespan, veterinário da Clínica Wildvet, https://pt-br.facebook.com/wildvet; Ibama http://www.ibama.gov.br/

 

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