Família

Bia do Bem

Aos 6 anos, Bia criou uma ONG para doação de alimentos e brinquedos a pessoas carentes

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Pai, por que aquelas crianças estão daquele jeito, sujas e descalças?’, perguntou a Bia, aos 6 anos, depois de ver crianças carentes pedindo balas na rua. A gente já está acostumado com a cena, infelizmente. Meu marido, Ricardo, já tinha até dado alguns doces e foi pego de surpresa com a pergunta, sem saber responder de uma forma simples o que era um problema social.

Nos meses seguintes, reparamos que a Bia nunca comia as balas que ganhava nos restaurantes, mas guardava todas. Não lembrávamos mais da história e meu marido resolveu perguntar o que estava fazendo com as balas. Foi aí que descobriu uma caixa cheia no seu quarto. Ela relembrou o episódio das crianças na rua e explicou: ‘Não tínhamos para todas, aí comecei a juntar para darmos de presente no Natal’.

Anúncio

FECHAR

Imagine como eu e meu marido ficamos! Não sabíamos se chorávamos de vergonha (por nunca termos pensado assim) ou de felicidade por ter um anjo em casa. Foi aí que começou o Olhar de Bia, uma ONG que, nesses oito anos de existência, já ajudou mais de 100 mil pessoas, com doações de alimentos, roupas, eletroeletrônicos, materiais escolares, brinquedos e livros a comunidades, creches, igrejas e asilos. Quem diria que uma criança tão pequena conseguiria fazer a diferença na vida de tanta gente!

O nascimento da Bia não foi planejado. Na época, eu já tinha uma filha adolescente, a Paula, e não estava nem pensando em engravidar de novo. Tive gastrite e vivia sentindo dores. Ao fazer uns exames, o médico falou: ‘Parabéns, sua gastrite tem perninhas e um coração bem forte. Você vai ser mamãe’. Estava grávida da Bia. Depois, ainda tivemos a caçula, a Vitória, que hoje está com 8 anos.

Meu marido e eu sempre tivemos uma relação de amizade com todas as meninas, com respeito, cumplicidade e companheirismo.

A Bia é uma menina muito especial, comunicativa, falante e carinhosa. Tem sorriso largo, voz rouca e sempre foi a menorzinha da turma.

Quando começava a falar, todos se abaixavam para ouvi-la.

Hoje tem 14 anos e nunca deixou de ser minha menininha. Por mais incríveis que sejam suas iniciativas, ela não se envaidece das ações que são realizadas. É comum ver a Bia na favela abraçada com as crianças ou dando abraços e beijos no meio das reuniões, desconcertando até o presidente da empresa com quem estamos conversando.

Agora, está entrando na adolescência, com todas as vaidades de uma menina da idade dela e nossa relação está mudando. Meu armário é extensão do guarda-roupa dela e das irmãs, e às vezes temos nossos ‘atritos’, como toda mulher… Mas é uma delícia ver que a Bia está crescendo e não perdendo a sua essência. Continua nosso “anjo”, inventando meios de ajudar quem mais precisa.

Os desafios serão grandes neste ano e o caminho da minha Bia não tem mais volta. Ela realizará, à frente do Olhar de Bia, muitas coisas. E sei que a sua força e exemplo têm movimentado muitas pessoas. Como ela mesma sempre diz: ‘Meu exército do bem!’ Tem ainda o sonho de ter um quadro ou programa, com enfoque social, num canal de televisão. E sinto que vai conseguir. Como mãe, o coração fica apertado, mas sei que ela trilhará um caminho maravilhoso e nunca se esquecerá do seu DNA e da sua origem.”