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Avós diferentes

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Redação Pais&Filhos

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Mesmo não ficando tanto tempo com os netos como antigamente, os avós agora têm papel legal na vida das crianças. E agora, qual o papel deles na criação dos pequenos?

Por Marianna Perri, filha de Rita e José

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No começo deste ano, os avós ganharam destaque e um papel legal na vida de muitas famílias. Uma lei, sancionada pela presidente Dilma Roussef, deu direito aos avós de visitarem os netos em caso de separação dos pais. E uma decisão do Superior Tribunal de Justiça envolveu os avós no pagamento de pensão alimentícia, caso os pais não consigam pagar o valor estipulado.

Todas essas questões legais sobre o papel dos avós e a proximidade que eles podem ter com os netos levantam uma questão: qual o papel deles na criação dos pequenos? Será que eles são iguais aos avós de antigamente?

A resposta é não, segundo a co-autora de O Livro dos Avós, Lídia Aratangy. Com as outras opções para ajudar os pais, como babás, creches, enfermeiras de recém-nascido, livros que ensinam a cuidar dos bebês e pais cada vez mais atuantes em casa, os avós encurtaram o tempo com a família e não ajudam mais os pais de primeira (ou de segunda, terceira…) viagem na criação dos filhos.

Os avós do século 21 têm mais saúde e disposição do que os de antigamente, o que faz com que eles assumam mais compromissos. Muitos deles trabalham e fazem outras atividades, que acabam tomando o tempo que teriam para ficar com os netos.

Mas a presença dos pais logo após o nascimento dos pequenos ainda faz falta. É o que explica a jornalista Ana Cunha, mãe dos gêmeos Caio e Cauê, de um ano. “Gostaria muito que meus filhos tivessem com os meus pais a mesma relação que tive com os meus avós. Guardo somente boas lembranças desse tempo”, comenta.

Caroline Passuello, consultora na área de gestão de riscos e mãe de Leonardo e Rafael, conta que fica chateada com a distância dos pais, que trabalham e moram em outra cidade. “Amo minha família e gostaria que os meninos convivessem mais com eles, tivessem todos por perto”, afirma.

A relação entre netos e avós mudou. Confira o relato de uma avó moderna

Muitas vezes, os netos veem os avós apenas em datas comemorativas e não criam uma relação próxima, o que pode ser prejudicial para os pequenos. Segundo Lídia Arantangy, a “criança perde a oportunidade de aprender a conviver com pessoas mais velhas”.  Neste caso, os pais devem incentivar o convívio das crianças com parentes mais velhos que sejam, como os avós costumam ser, depositários da história da família.

Novos pais, novos avós

O novo comportamento dos avós não surgiu com a chegada de crianças na família. Eles refletem um novo tipo de pais, que sempre trabalharam fora de casa e buscaram ter sua independência, apesar da família.

É o caso da sogra de Paula Belmino, mãe de Alice, que manteve as atividades que fazia quando era apenas mãe. “Ela sempre trabalhou e fez academia, mesmo quando os filhos eram pequenos. Ela quer cuidar da vida dela, não nasceu para ser aquela avó de antigamente”, comenta.

Apenas uma coisa não mudou na relação dos avós e dos netos: os mimos. Lídia conta que muitos avós aproveitam para viver com netos o que não puderam viver com os filhos, teoria confirmada na prática por Paula. “Se minha filha convivesse com minha sogra todos os dias, ela seria muito mais mimada. Com a avó, pode tudo”.

Consultoria: Lídia Aratandy, mãe de Claudia, Silvia, Ucha e Sergio, é psicoterapeuta e escritora, autora dos livros “O anel que tu me deste – o casamento no divã” e “O livro dos avós” (ambos da Primavera Editorial)

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