Família

’13 Reasons Why’: o que você tem a ver com isso?

Uma semana depois da estreia no Netflix, série promove discussão importante sobre bullying

Carolina Porne

Carolina Porne ,Filha de Sandra e Rubens

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A série 13 Reasons Why estreou em 31 de março, há exatamente uma semana, no Netflix. Desde então, as redes sociais estão bombando, com discussões sobre os principais temas da série: bullying e suicídio. É a oportunidade que precisávamos para falar sobre esse tema com nossos filhos.

A trama apresenta a história de Hannah (Katheriine Langford), que comete suicídio, mas, antes disso, deixa 13 fitas cassete registrando os motivos que a levaram a interromper sua vida. A caixa com as fitas é entregue ao melhor amigo, Clay (Dylan Minnette). Na série estamos lidando com adolescentes, mas o bullying começa desde a infância.

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“O bullying pode começar em qualquer idade. Entre as crianças, é comum que ele surja pelo não entendimento das diferenças: o colega mais gordinho, ou de uma cor diferente da dele, ou o que sempre sabe todas as respostas. É necessário que a criança faça brotar nela a empatia, o momento em que ela percebe ela mesma, para depois perceber o outro e compreendê-lo da maneira que é”, explica Tania Paris, mãe da Tabata e da Natasha e fundadora da Associação pela Saúde Emocional de Crianças (ASEC).

A ASEC conduz um programa chamado Amigos do Zippy, que busca encorajar a criança a compartilhar seus sentimentos de maneira lúdica e divertida, tornando o aprendizado de como lidar com o que sente – e com o que os outros sentem – mais fácil. “O Amigos do Zippy foi desenvolvido na Europa por um grupo de especialistas focados em promover a saúde emocional das crianças. Ela entende que cada um é único. Assim como a alfabetização acadêmica, é uma alfabetização emocional”, diz Tania.

Como os pais devem lidar com o bullying? De acordo com Tania, o mais cruel da situação é que a criança acaba sentindo culpa, quase como se fosse merecedora das coisas pelas quais está passando. “Assim como na série, os pais não notam de cara que a criança está sofrendo bullying. Mudanças de comportamento podem sugerir que há algo errado. Cuidado para não deixar a criança com ainda mais culpa; os pais precisam estar presentes para amparar, acolher e fazer com que seus filhos se sintam confiantes”, conta.

 

Suicídio

O CVV – Centro de Valorização da Vida – também já sentiu os efeitos do sucesso de 13 Reasons Why. Em uma semana, os contatos com o instituto dobraram. “Recebemos a maioria dos contatos por e-mail ou telefone, com uma média de 50 mensagens por dia. Nos últimos sete dias, foram mais de 100 contatos por dia, sendo que 50% deles mencionavam a série”, relata Adriana Rizzo, filha de Deodato e Neide e voluntária do CVV.

De acordo com Adriana, as pessoas entram em contato apenas para conversar, e ela acredita que essa é a melhor solução para lidar com alguém que esteja sofrendo bullying. “Não aconselhe, não diga nada a princípio. Deixe que a pessoa desabafe, pois colocando para fora ela consegue entender melhor o que se passa dentro dela, o que exatamente faz com que ela se sinta tão mal”, orienta. A voluntária também aconselha que os pais assistam a série, pois o comportamento da personagem principal é, de fato, bem semelhante ao que de fato acontece.

“Não falar sobre suicídio não ajuda a evitar que continue acontecendo. A série abre a conversa, traz proximidade, incomoda. E isso é muito importante para entender melhor um assunto tão delicado”, conclui Adriana.

O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat e Skype 24 horas todos os dias.

 

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