Criança

Volta às aulas sem trauma

Dicas de como o fim das férias pode ser encarado de forma mais positiva

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Ir à escola não é sacrifício. E não deve ser encarado dessa forma, nunca. Mas, é natural que a volta às aulas seja vista pelas crianças como o recomeço da rotina chata, com horários para dormir e acordar, dever de casa para fazer e brincadeiras “deixadas para depois”. Para os pais, a volta às aulas significa tanto o alívio de reorganizar a vida, como o retorno do leva e busca, a vida de “taxista”, de reuniões e – também – do acompanhamento dos deveres de casa. Tudo isso acontece, é verdade. Mas, encarar de forma negativa, acredite, não irá ajudar a nenhum dos envolvidos: nem os pais, nem os professores e, muito menos, os alunos. E, sim, há como tornar o fim das férias menos doloroso para todos.

O conhecimento não pode parar

Em uma situação ideal, escola e pais trabalham em parceria na educação da criança. Sempre. E não é diferente nesse momento. As férias são essenciais, uma pausa para os alunos descansarem e criarem fôlego para o próximo semestre. E esse “fôlego” deve vir, primeiramente, dos pais e, depois, da escola.

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É essencial que os pais comecem a preparar psicologicamente a criança (especialmente os mais novinhos, que podem estranhar voltar a ficar longe dos pais por tanto tempo no dia) uma semana antes do começo das aulas. Isso pode ser feito com pequenas atitudes, como colocar as crianças mais cedo na cama e preparar atividades pela manhã (caso estudem cedo). Os pais devem lembrar aos pequenos que em poucos dias novas aulas vão começar e que eles poderão encontrar os amiguinhos da escola.

Caso tenha novos livros ou materiais escolares, os pais podem começar a organizar isso nesta semana anterior, como uma forma de incentivo, como algo legal que irá acontecer. “Neste momento, a criança tem de se sentir estimulada, curiosa e valorizada. Os pais podem pegar o material do semestre anterior, dar uma retomada no que foi visto e falar que agora irão aprender muitas outras coisas importantes e interessantes”, explica a diretora executiva da Fundação Victor Civita, Angela Dannemann, mãe de Alexandre e Antônio.

A especialista também dá dicas para os pais que leiam, contem histórias, estimulem o conhecimento das crianças durante as férias, mesmo que em atividades informais. Vale contar histórias da família ou, mesmo, ensinar nomes de diferentes tipos de pássaros, árvores (em uma viagem, por exemplo). O importante é que a criança tenha continuidade nas férias do conhecimento cognitivo e socioemocional. “É um desafio para pais e professores que o retorno não seja estranho à criança. Nem o retorno às aulas, nem o retorno à casa, durante o período de férias. Para começar, férias não podem ser um vazio”, defende Angela.

“Para educar uma criança, é preciso uma aldeia, não uma pessoa.” (ditado africano)

O ditado foi citado pela diretora executiva da Fundação Victor Civita durante a entrevista. “Hoje, em nosso mundo, esta aldeia é a escola. A escola e os pais, na parceria e no diálogo para a tarefa nobre de desenvolver o ser humano”, frisa.

Para o melhor diálogo, a especialista defende que a escola promova uma reunião antes do retorno às aulas e compartilhe o que será estudado durante o semestre, as atividades que irão realizar, enfim, dê mais detalhes. O envolvimento e interesse dos pais estão diretamente relacionados à criação de filhos inventivos.

Primeira semana de aula

Na escola, a primeira semana de aula será de acomodação, para os alunos voltarem a se acostumar com os horários e as atividades. Podem ser promovidas aulas em rodas, conversas sobre as férias e estímulos cognitivos. “Uma redação sobre as férias, desenvolvimento de atividades com o uso de tecnologia… Muita coisa pode ser feita para unir currículo e retorno ao ritmo”, diz Angela.

É preciso paciência. Para ficar mais fácil entender o que este momento significa para elas, a diretora propõe: “É muito bom que as mães e os pais se lembrem, ou façam esforço para se lembrar, da época em que estudavam. Colocar-se na pele da criança pode ser o diferencial neste momento.”

Consultoria: Angela Dannemann, diretora executiva da Fundação Victor Civita, mãe de Alexandre e Antônio