Criança

Vestidos para aprender

Além de deixar a criança mais bonita e confortável, as roupas têm uma função que talvez você não conheça: podem estimular o aprendizagem

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Quando você vai escolher a roupa do seu filho, pensa logo na praticidade. Mas já imaginou se pudesse, também, estimular seu desenvolvimento? A marca infantil Zig Zig Zaa, da Malwee, promete incluir esse benefício nas peças. Nós fomos conhecer a fábrica da marca, que fica em Jaraguá do Sul (SC), e lá conversamos com a estilista Carine Borba Martins, que nos contou que as coleções são desenvolvidas numa parceria entre pedagogia e moda. As inspirações surgem nas tarefas de casa, literalmente. Carine se inspira nas lições do filho Pedro.

Além de incluir números e letras nas roupas, há elementos lúdicos e frases em braille – sistema de escrita e leitura especial para pessoas cegas. Pra cumprir com o prometido, são usados materiais que chamam a atenção das crianças, com texturas, cores e formas.

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Como o processo de aprendizagem é diferente para cada idade, tudo segue o tempo da criança. Por exemplo, os bebês têm a necessidade de interagir com os pais, por isso, as roupas são de desenhos e cores que estimulam o contato. A partir do primeiro ano até os 3 anos, o desenvolvimento motor é a prioridade: as texturas começam a estimular os sentidos. Dos 3 anos em diante, a exploração da linguagem, dos números e questões simbólicas começam a ser incentivadas. “Mesmo sem estar alfabetizada, a criança se familiariza com as letras. É um preparo para que comece a interagir com as coisas que a rodeiam”, explica a pedagoga da Zig Zig Zaa, Bernadete Wolff Cisz, mãe de Glauco André e Juliana Andrea.

Cada um desses detalhes traz pequenas informações para as crianças e abre espaço para a construção de todo o seu repertório. Uma palavra que se transforma em outra – como gato e jato – ou apliques que indicam o lado esquerdo e o direito do corpo são pequenas interações nas peças que ajudam no desenvolvimento da criança.

Por suas próprias escolhas

Se você não sabe nem por onde começar na hora de comprar uma roupa pro seu filho, pense em algumas coisas básicas. Pra começar, roupa de criança não é roupa de adulto. Tem que ser confortável! Oferecer a opção entre uma combinação e outra ajuda a criança a tomar suas próprias decisões. Se é você quem compra a roupa dos seus filhos, tente, das próximas vezes, pedir a opinião deles. Dar uma loja inteira de opções vai confundir a cabeça da criança, ou fará com que pegue justamente a que não precisa. Então, peça para escolher uma entre duas separadas por você.

No mais, opte por cores e mais cores, peças com apliques ou estampas de bichos. Tecidos diferentes também despertam a curiosidade. Para as crianças mais novas, o que costuma agradar são essências de frutas ou flores, além de tecidos de altorelevo. “É difícil aprender a cultura através da roupa, mas pode ser mais uma porta aberta”, diz Xico Gonçalves, filho de Maria e Oscar, colunista de moda da Pais & Filhos.

Aquele macacão com a figura de um leão abrindo a boca ou uma blusa em que as orelhas do macaco são tridimensionais, despertam interesse e curiosidade e, como afirma a pedagoga Bernadete, a criança é como uma esponja: quanto mais o ambiente em que estiver for favorável ao conhecimento, melhor.

“A roupa deve ser mais que uma criação estática, ela ganha vida no corpo da criança que a veste e de quem está em volta”, diz.

Nos tempos da vovó

Diferentemente de como acontece hoje, antigamente os pais escolhiam sozinhos o que as crianças vestiriam. Na Era Medieval, por exemplo, as crianças eram vistas como pequenos adultos, o que refletia nas roupas. Isso só mudou quando ocorreu a separação entre a fase da infância e vida adulta, e os trajes começaram a refletir a idade.

Já por volta do século 18, os filósofos começaram a pensar na autonomia que as crianças precisavam para brincar. E, mais uma vez, as roupas tiveram uma mudança por completo e as peças passaram a priorizar a liberdade dos movimentos: vieram as cores, tecidos e adereços mais leves, timidamente mais parecido com o conceito que temos hoje.

Xico Gonçalves considera o avanço da tecnologia como fator crucial na forma como vemos a moda infantil hoje. “As crianças têm um posicionamento cultural e noção exata do que querem vestir”, explica. Antes, meninas se vestiam de rosinha e meninos de azul: ponto. Hoje, não é mais assim. “É importante deixar a criança se expressar. Obrigá-la a vestir o que não gosta pode repercutir em um comportamento negativo lá na frente. Quando estão bem- vestidas e com o que gostam, as crianças se sentem mais confiantes”, diz. A roupa é o reflexo da cultura, dos interesses, do humor, da história de quem a usa. E ela reflete não apenas em beleza, mas também em conhecimento e cultura.

Cada um no seu quadrado

Como cada etapa do desenvolvimento da criança é diferente, as roupas pedagógicas são divididas por faixa etária: