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Vacinação contra HPV

Entenda por que meninas pré-adolescentes são público-alvo da campanha

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 Começou nesta semana uma campanha de vacinação nacional para imunizar meninas de 11 a 13 anos contra o HPV. “Por que nesta idade?”, se perguntam muitos pais  – já que o HPV é comumente conhecido como um vírus sexualmente transmitido. O ponto é que as pesquisas indicam que essa vacina é potencialmente benéfica justamente em quem não iniciou ainda a vida sexual. 

A vacina deixa o corpo mais preparado para resistir futuramente ao HPV (Papiloma Vírus Humano), vírus que infecta a pele ou as mucosas e é um dos principais causadores do câncer do colo do útero – terceiro tipo mais comum entre as brasileiras. É um quadro sério: em 2011, 5.160 mulheres morreram em decorrência da doença no Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 290 milhões de mulheres no mundo têm HPV. Dados mostram que 80% das mulheres terão contato com o vírus durante sua vida sexual.

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É ainda importante lembrar que, apesar de a maior parte das transmissões acontecer através da relação sexual, em cerca de 5% dos casos, o HPV é transmitido por meio do contato da pele com a secreção que tenha o vírus vivo, ou seja, em objetos, roupas, toalhas ou até com mãos contaminadas.

Os escolhidos

A vacina quadrivalente contra HPV está disponível nos postos de saúde da rede pública e nas escolas públicas e privadas até 10 de abril para meninas de 11 a 13 anos. Será realizado um esquema estendido de três doses: uma segunda dose deve ser tomada seis meses após a primeira e a terceira dose cinco anos depois. Meninas que já realizaram a primeira dose em clínicas privadas deverão completar o calendário nos mesmos lugares em que começaram a série – isso  porque o esquema de aplicação é diferente. Meninas que tomaram a vacina bivalente também não serão revacinadas.

Meninos serão imunizados?

Não há intenção de incluir meninos em novas etapas de vacinação. A diretora clínica da Clínica Invita e membro da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), Graciela Morgado, filha de José  e Celina, explica que quando se vacina apenas as meninas, elas não têm acesso ao vírus e, como consequência, quebram a cadeia de transmissão.  É o chamado efeito de imunidade coletiva. Nos Estados Unidos, por exemplo, foi registrada uma queda da infecção por HPV entre meninos após a imunização das meninas.

Próximas etapas

Em 2015, o SUS deverá alterar o público-alvo, vacinando meninas de 9 a 11 anos e, a partir de 2016 a ação será restrita às meninas de 9 anos. A ginecologista lembra que a vacinação não elimina as lesões que provocam o câncer, ela apenas diminui a incidência delas. “Se a população for vacinada e deixar de fazer os exames preventivos, poderá ser pior do que se não tivesse se submetido à vacina”, ressalta. Além disso, sempre vale lembrar a importância de usar camisinha nas relações sexuais e da realização do exame Papanicolau como medida preventiva depois que a adolescente começa a ter relações sexuais.

Consultoria: Graciela Morgado, filha de José e Celina, é diretora da Clínica Invita e membro da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia- FEBRASGO.