Criança

Vacina para meninas… e meninos!

Saiba mais sobre a HPV e por que os meninos e meninas devem a tomar

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

O vírus HPV, ou papilomavírus, está relacionado a dois problemas graves de saúde: as verrugas genitais e o câncer de colo de útero. Calcula-se que 50% da população mundial tem ou terá contato com a HPV. A maioria das pessoas vai expulsar naturalmente o vírus do corpo, mas não há como saber se a pessoa desenvolverá algum problema ou não. Por isso, prevenção é fundamental.

Existem mais de 100 diferentes tipos de HPV. Os vírus 16 e 18 são os mais graves, aqueles que desenvolvem câncer de colo de útero – e outros cânceres que estão relacionados ao vírus, como o de boca e o de reto – em 70% das pessoas que os contraem.

O Ministério da Saúde incluiu entre as vacinas disponíveis no sistema público de saúde a partir de 2014 a contra o HPV e tem como foco a proteção de meninas de 10 e 11 anos, idade considerada ideal para a prevenção. “Quanto mais cedo, melhor. O ideal é que a mulher seja vacinada antes de iniciar sua vida sexual”, explica o médico infectologista Jessé Reis Alves, filho de Martha e Hirão, responsável pelo Serviço de Vacinação do Fleury Medicina e Saúde. O alvo principal da vacina é a prevenção do câncer de colo de útero. O vírus HPV é responsável por 95% dos casos desse tipo de câncer, sendo o segundo que mais atinge mulheres, atrás apenas do câncer de mama.

Anúncio

FECHAR

Ministério da Saúde incorpora vacina contra HPV ao SUS 

Mais de R$ 1.000

É a primeira vez que a população terá acesso gratuito a uma vacina que protege contra câncer. Cada dose da vacina custa cerca de R$ 550 (a dose) em clínicas particulares. A meta é vacinar 80% do público-alvo, uma soma de 3,3 milhões de pessoas. A vacina é tomada em 3 doses. A segunda dois meses após a primeira e a última depois de seis meses. Caso a mulher engravide entre uma dose e outra, ela deve parar o tratamento e tomar as outras doses depois da gestação. 

Apesar de as meninas de 10 a 11 anos serem o público-alvo da campanha do governo, mulheres de até 26 anos e meninos e homens entre 9 e 26 anos também podem tomar, mas apenas na rede privada.

 Relação sexual é a principal forma de transmissão

A principal forma de transmissão do HPV é a relação sexual, mas o vírus pode ser transmitido no parto da mãe para bebê e, eventualmente, por objetos contaminados (sabonetes e vasos sanitários) ou mão contaminada.

O tratamento das verrugas é feito, na maioria das vezes, com cauterização. Mas, infelizmente, o quadro pode voltar ao longo da vida, geralmente relacionado com a queda do sistema imunológico – ou, simplesmente, porque o vírus ficou estacionado nas células e acontece alguma alteração que ocasiona as verrugas (ou mesmo o câncer). A vacina é uma forma de prevenir eficaz, próxima a 100% de sucesso. “Nós ainda temos que acompanhar essa vacina por mais alguns anos, para ver se ela protege durante a vida inteira. O que sabemos hoje é que a eficácia é muito grande oito anos depois da imunização. Quanto às verrugas, a vacina consegue reduzi-las em 90%”, explicou Jessé.

Meninos também podem se vacinar

Não se fala muito sobre os meninos. Mas eles também deveriam tomar a vacina, já que podem desenvolver verrugas e, quando iniciarem a vida sexual, contaminarem suas parceiras. “Os homens, por não desenvolverem o câncer, por obviamente não terem útero, ficaram fora de foco”. Há outros cânceres associados, como o de reto. Há constrangimento, não é um quadro fácil”, lembrou o dr. Jessé.

A vacina de HPV pode ser bivalente (combate os vírus 16 e 18 que provocam o câncer) ou quadrivalente (que combate não só os 16 e 18, mas os vírus 9 e 11, principais responsáveis por causar as verrugas genitais – em 90% dos casos).

Consultoria: médico infectologista Jessé Reis Alves, filho de Martha e Hirão, responsável pelo Serviço de Vacinação do Fleury Medicina e Saúde