Criança

Tenho uma má alimentação e o meu filho não quer comer: e agora?

Mesmo se você não é um exemplo em hábitos de alimentação saudável, há como educar seu filho

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Ver o filho comendo mal, azeda o humor de qualquer mãe. É comum que aí comecem grandes guerras à mesa. E o estresse se instala na casa. Pior ainda quando você não consegue dar exemplo e fazer aquela cara de “hum, que delícia” quando come uma vagem. Tatiana, mãe do Felipe, nunca gostou de frutas, verduras e legumes. Lembra bem do trabalho que deu aos pais e se viu na mesma situação: o Felipe também não queria comer. “Agora coloco palmito, cogumelos ou pepino no meu prato. Meu filho não aceita ainda, então ele come os legumes que eu ofereço no prato dele. Explico que aqueles são os meus favoritos e que no prato dele só tem coisas que ele gosta”, conta.

Tatiana desenvolveu suas técnicas. “Na fase da recusa, continue colocando o prato com pelo menos dois legumes para que a criança tenha nova oportunidade de experimentar, e não desanime se o prato sair intacto da mesa. No outro dia, volte a oferecer! Se não funcionar, altere os legumes oferecidos ou mude a forma: misture brócolis e couve no arroz ou monte pratos coloridos”.

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Leia a reportagem “Não quer ser exemplo”, publicada na edição de agosto da Pais & Filhos

Leia o depoimento da Tatiana, mãe do Felipe, que tem uma má alimentação, mas conseguiu fazer com que o filho fosse diferente

Mas entenda que a criança não é obrigada a comer tudo. Segundo o nutricionista Gabriel Nunes, filho de Eliana e Filipe, o ideal seria que os adultos comessem verduras, legumes e frutas junto com os filhos, já que eles copiam os pais. É importante estimular uma alimentação variada, principalmente com grande quantidade desses alimentos. “Mas não force. Faça um tipo de legume e verdura diferente por refeição, até a criança formar o hábito alimentar”, ensina.

Estabeleça uma rotina

É importante que bons hábitos alimentares sejam estimulados desde a primeira consulta com o pediatra, nas orientações sobre o aleitamento materno. É aconselhável o aleitamento exclusivo até o sexto mês do bebê, mas ele pode continuar mamando até os dois anos. Quando começa a introdução de outros alimentos é importante que os momentos de refeição sejam estimulados: comer em a família e ter uma rotina – hora para comer, dormir e brincar – é o ideal. “Os momentos de alimentação precisam ser feitos em um ambiente saudável. Além disso, a rotina de horários é importante para que o momento de comer não seja corrido: não adianta querer dar comida se o filho está com sono, por exemplo”, orienta o pediatra Moisés Chencinski, pai de Renato e Danilo.

Em cada fase da criança, ela terá necessidades alimentares específicas. Por isso, não se desespere se ele não quiser aceitar o tomate agora! Vá apresentando outros legumes. E se ele te perguntar o porquê de você não comer uma fruta ou outra, explique como você substitui esse alimento. E que, além disso, ele precisa crescer. “Você precisa ser firme, mas não brigar. Iniciar uma guerra não resolve; criando vínculo e conversando, ele começa a entender”, explica  o pediatra.

Incentivos

Há atitudes que podem aumentar o interesse das crianças pelos alimentos. Algumas escolas usam as hortas: é bonito, o cheiro é agradável e a criança começa a enxergar os alimentos de forma diferente na hora de plantar e colher. “Apresentar a batata para a criança fica lúdico. Muitas só conhecem a batata frita”, conta o pediatra. Aulas de culinária ou, simplesmente, cozinhar junto com os pais despertam curiosidade. Com essas atitudes, as crianças começam a apresentar de 30% a 40% de melhoria na aceitação de novos alimentos.

Ir ao mercado também pode ser interessante. Mas cuidado: você tem de estabelecer limites e fazer um trato antes disso, para que o seu filho não escolha apenas os industrializados. “Eles são sempre mais saborosos porque contém açúcares, gorduras e sódio. Prefira levá-los em feiras”, aconselha o nutricionista Gabriel Nunes.

Evite chantagens

As frutas devem sempre fazer parte da sobremesa, deixando as guloseimas para ocasiões especiais. “O ideal é que a criança coma de três a quatro porções de frutas diariamente. Se não quiser comer a banana, troque por uma maçã. Não pule refeições e não substitua por coisas que não são saudáveis”, sugere o pediatra.

O especialista comenta que é importante evitar distrair a criança na hora das refeições. O horário para a comida não pode ser entendido como o horário para assistir televisão e tampouco deve ser estabelecida como um prêmio: não use o termo “só se você comer tudo vai poder assistir à TV”.

Fique atento!

A recusa excessiva pode causar a dieta desequilibrada. Preste atenção em quais comidas tem menos interesse. Se a criança não come feijão e apresenta irritabilidade, sonolência fora de hora e déficit cognitivo, pode ser um quadro de anemia. Da mesma maneira, o excesso de alimentos fora do horário das refeições pode causar sobrepeso e, muitas vezes, doenças que antes só eram manifestadas em adultos, como hipertensão e colesterol alto. Mantenha sempre uma dieta equilibrada e converse com o pediatra para saber qual é a alimentação adequada para a fase de crescimento do seu filho.

Consultoria

Dr. Moisés Chencinski, pai de Renato e Danilo, é pediatra e autor dos livros Homeopatia – mais simples que parece e Gerar e Nascerum canto de amor e aconchego, www.drmoises.com.br; Gabriel Cairo Nunes, filho de Eliana e Filipe, é nutricionista especialista em nutrição esportiva e clínica pela Unesp de Botucatu, especialista em obesidade e emagrecimento pela UGF e especialista em terapia nutricionista e em transtornos alimentares pela USP, www.gabrielcaironunes.com.br.