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Sol: amigo ou vilão?

Em Congresso de Pediatria, médicos discutem a importância do sol, dos alimentos e da suplementação para síntese de vitamina D

Redação Pais&Filhos

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“O consenso é que não existe consenso, mas bom senso quando falamos de vitamina D”, brincou a médica dermatopediatra Kerstin Taniguchi Abagge, em palestra no 36º Congresso Brasileiro de Pediatria, realizado em Curitiba entre 8 e 12 de outubro, após apresentar alguns estudos médicos relacionados ao tema.

A vitamina D tem sido bastante discutida e abordada por médicos de todo o mundo, sendo tratada hoje mais como “hormônio” do que vitamina. Seus benefícios são inúmeros e essenciais para a vida humana, tais como o equilíbrio do cálcio e do fósforo no corpo para o bom funcionamento neuromuscular, da vasodilatação e da secreção hormonal. Além disso, alguns especialistas apontam a vitamina D como preciosa no combate a doenças como câncer de mama, próstata, diabetes tipo 1, doenças infecciosas e cardiovasculares.

Como recebemos a vitamina

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Segundo a dermatologista, uma das três formas de obter vitamina D no corpo é a exposição à luz do Sol, através dos raios UVB (responsáveis pelas queimaduras da pele). Como o assunto é polêmico, por poder causa do câncer de pele, os especialistas recomendam o uso do filtro solar mesmo que este diminua em até 90% a síntese de vitamina D. “As crianças têm maior capacidade de síntese e produção que os adultos, o que já é uma boa notícia. Outra coisa é que a gente não usa o filtro solar corretamente – usamos em menor quantidade, deixando ‘brechas’ onde recebemos os raios solares”, explicou.

Ainda segundo a médica, o melhor horário para a síntese de vitamina D é o pior para o câncer – ao meio-dia quando os raios incidem perpendicularmente. “Não recomendamos que mães levem seus filhos para tomar sol neste horário, claro. Em casos mais graves, como de insuficiência de vitamina D, a reposição será feita via oral com suplementação nutricional”, disse.

Outras formas de obtenção da vitamina D3 e D2 são via suplementação oral ou na alimentação. Recomenda-se para bebês entre 0 e 12 meses 400 unidades de vitamina D por dia. Para crianças maiores de 12 meses e grávidas, a recomendação são 600 unidades (as gestantes mais necessitadas podem precisar de até 2000 unidades).

– 100g de peixe possuem 88 unidades

– 100g de shitake desidratado chega a ter 1600 unidades.

– O leite materno pode variar nesses números, mas é estimado que 750mL diários de leite humano possam transmitir entre 15 e 50 unidades de vitamina D.

Como a alimentação não é o bastante para a obtenção da vitamina (ou hormônio), as outras formas complementam e são suficientes para nosso organismo.

Como a médica expositora disse, os números são variáveis de pessoa para pessoa e tudo pode influir, como a roupa que usamos, hábitos alimentares e até mesmo a cor da nossa pele. Pessoas de pele mais morena tem menor capacidade de síntese da vitamina D, necessitando assim de maior exposição ou ingestão.

Quando é preciso uma “forcinha”

A médica nutróloga Vanessa Liberalesso também falou sobre a vitamina D, importante para órgãos no nosso corpo tais como rins, estômago, medula  – e a placenta das gestantes. Por isso, as grávidas precisam de maior quantidade diária de vitamina D.

A especialista lembrou que somente em casos específicos como pessoas com baixa exposição solar, doenças hepáticas, renais, com deficiências a absorção intestinal etc vão precisar repor a vitamina através da suplementação nutricional via oral. “Devemos lembrar que há níveis tóxicos que também tem suas consequências negativas e graves”, destacou.