Criança

Será que é pneumonia?

Saiba como ficar esperto e saber reconhecer os sintomas

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Ed. 440 – Novembro 2006

Febre, falta de apetite e aquela cara abatida de quem está ficando doente. Resfriado de novo, você pensa. Mas, passam os dias, a febre continua e não há remédio que dê um jeito. Na maioria dos casos é assim que a pneumonia aparece: devagar e camuflada com os sintomas de uma gripe. Essa infecção nos pulmões pode ser causada por vírus ou bactéria e não apresenta sintomas específicos. Muitas vezes, nem tosse. E, no caso de bebês com menos de 6 meses, nem mesmo febre. Por isso, a gente pode demorar a procurar o médico. Então, em caso de dúvida, ligue ara o pediatra na hora.

O primeiro sintoma apresentado por Gabriel, de 5 anos, foi uma febre que não baixava. Depois de dois dias, Andréa Freitas levou o filho ao pediatra, que não viu nada sério. Sete dias depois, a febre estava lá, firme e forte. Gabriel teve falta de ar e foi parar no pronto-socorro. Só com raio X do tórax e exame de sangue chegou-se ao diagnóstico. Uma semana após a primeira ida ao pediatra, o menino foi internado. “Só aí a tosse começou. Nem imaginava que fosse pneumonia”, diz Andréa. Gabriel só teve alta 15 dias depois e ainda continuou com os antibióticos.

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FECHAR

“É mais difícil identificar a doença em recém-nascidos”, diz o pediatra Evandro Baldacci, pai de Evandro, Roberto, Letícia e Enzo. A recusa em comer, a falta de reação, pequenas paradas respiratórias (parecem engasgos) e febre (mesmo baixa) podem ser sinais. “O quadro é grave e evolui rápido”.

Valeria Leite sabe bem o que é isso. Ela precisou correr para o hospital com o filho Vitor, na época com 4 meses, bem na noite de Natal. “Ele apresentava um quadro gripal havia duas semanas, já tinha sido medicado e fez inalações em casa. Só que os sintomas se agravaram, a respiração ficou curta e apavorante. Liguei para o pediatra, descrevi a situação e ele me mandou ir correndo para o hospital”. Resumo da ópera: Vitor ficou internado, tomou antibióticos e só recebeu alta no dia 31.

 

Como tratar

“Bacterianas ou virais, devem ser tratadas com antibióticos. Mas as virais podem precisar do suporte de oxigênio, bronco dilatadores e antiinflamatórios”, diz o pneumologista pediátrico João Paulo Lotufo, pai de João Paulo, Marcelo, Guilherme e Ana Carolina.

Mas não é só a medicina tradicional que pode ajudar a combater a pneumonia. Um pediatra homeopata pede os mesmos exames que um alopata, mas, em vez de apenas combater o agente da infecção, vai procurar reforçar a imunidade da criança, afirma a pediatra homeopata Ana Maria Vasen, mãe de Arthur e Raphael. A medicina antroposófica, assim como a homeopatia, foca na predisposição do organismo da criança a esses agentes patogênicos. É como se a bactéria ou o vírus procurasse o canto mais desprotegido. No caso da pneumonia, o pulmão. O pediatra Antonio Carlos de Souza Aranha, pai de Tarsila, Lara e Thiago, explica que o pulmão precisa ser fortalecido com tratamentos específicos para cada criança e que a inalação, fisioterapias respiratórias e alimentação saudável são algumas das armas usadas, com exceção dos recém-nascidos, que precisam de antibióticos.

O melhor remédio é tentar prevenir, claro. “A queda de resistência está relacionada a fatores como poluição, água e friagem”, garante o doutor Aranha. Cigarro em casa, nem pensar. Filhos de fumantes têm 25% a mais de chance de ter doenças respiratórias. Verifique se a ventilação é suficiente e evite usar substâncias irritantes, como aerossóis e desinfetantes fortes.

Além de todos esses cuidados, fique atendo ao aspecto emocional. Para a antroposofia, a pneumonia vai além dos sintomas físicos. Com o funcionamento dos pulmões, o bebê passa a respirar, ganha vida. O órgão está diretamente ligado ao amadurecimento. “Quando a criança consegue superar dificuldades, fortalece a parte de si que estava vulnerável”, diz Aranha. A gente sofre junto quando o filho fica doente, mas acontece, não tem jeito. A solução é manter um ambiente saudável e prevenir no que for possível. Mas, na hora que o bicho pegar, nada de paranoia. Com um diagnóstico rápido da doença, o seu filho vai sair dessa sem sustos e ainda muito mais fortalecido.

 

Vacine-se contra ela

Outra ajuda são as vacinas contra o pneumococo, agente bacteriano mais comum, e contra o influenza, o vírus da gripe. A primeira é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde para crianças menores de 2 anos de idade.

 

Os principais sintomas

– Febre por mais de quatro dias;

– Tosse;

– Catarro;

– Falta de ar;

– Falta de apetite;

– As crianças costumam gemer por causa da febre;

– Respiração mais rápida;

– Dor no peito ao respirar;

– Os recém-nascidos podem não apresentar febre.

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