Criança

Mitos e verdades sobre a visão do seu filho

Sabe aquilo que sua avó dizia sobre vento te deixar estrábico? Revelamos a verdade deste e de outros mitos e verdades sobre a visão

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

A gente convive com muitas “lendas urbanas”, mitos sobre tudo que envolve alimentação, saúde e comportamento… São histórias que acompanham gerações e gerações e, muitas vezes, não condizem com a realidade. Sabe aquela história de tomar leite com manga fazer mal? Pois é, no campo oftalmológico encontramos muitos desses mitos. Conversamos com o médico oftalmologista e diretor do Tranjan Hospital de Olhos, Dr. Alfredo Trajan, pai de Alvaro e Carolina, que esclareceu grandes dúvidas relacionadas à saúde dos olhos.

O negócio é ficar de olho e não acreditar em lendas urbanas que, literalmente, podem nos deixar cegos.

1. Conjuntivite no recém-nascido se curada com leite materno

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Mito. O leite materno não cura conjuntivite.

A conjuntivite que aparece nos primeiros dias de vida pode ser de origem irritativa, e causada pela instilação do colírio nitrato de prata a 1%, não ocasionando problemas oculares.

Porém, a conjuntivite iniciada entre segundo e terceiro dias de vida normalmente tem outras causas, devendo o paciente ser consultado por um oftalmologista.

2. Só se opera catarata congênita quando a criança crescer

Mito. A catarata congênita deve sempre ser avaliada pelo oftalmologista, e deve ser operada nos dois primeiros meses de vida, para que a visão se desenvolva sem deficiência (ambliopia).

3. Nascer com olhos grandes e azulados é muita sorte!

Nem sempre. A presença, ao nascimento ou nos primeiros meses de vida, de olhos grandes, com córnea de aspecto azulado, lacrimejamento intenso e fotofobia, pode indicar provável existência de glaucoma congênito. O problema pode levar a cegueira, e o recém-nascido deve ser submetido à cirurgia o mais breve possível.

4. O lacrimejamento cura sozinho

Quase sempre. A obstrução congênita das vias lacrimais acomete 33% dos bebês. A maioria dos lacrimejamentos tem solução espontânea, através de massagens e uso de colírio antibiótico.

Se houver persistência da obstrução após alguns meses e antes do primeiro ano de vida, ou processo infeccioso repetitivo, deve ser feita sondagem das vias lacrimais antes do primeiro ano de vida.

5. Toda pupila branca é causada por catarata

Nem sempre. A principal causa de pupila branca (leucocoria) é a catarata congênita, mas outros doenças graves, como a retinopatia da prematuridade, o retinoblastoma e inflações intraoculares, também podem parecer com a pupila branca. Uma das formas fáceis de diagnóstico é quando a pupila reflete nas fotos na cor branca ao invés de vermelha. De qualquer forma, em todos os casos, é obrigatório uma consulta o mais breve possível com seu oftalmologista.

6. Ler demais prejudica a visão

Mito. Esforço visual não é prejudicial ao olho. Costuma ocorrer o contrário, ou seja, quanto mais se lê, mais facilmente o cérebro interpreta o conteúdo da leitura.

7. Ler com pouca luz enfraquece a visão da criança

Mito. O excesso o a insuficiência de iluminação podem dificultar a leitura e cansar a criança, porém não prejudica os olhos.

8. Meu filho levou um susto e ficou estrábico

O estrabismo concomitante ocorre por uma falta de sincronia entre os músculos externos do olho. O susto, o vento, a chuva e a poeira não provocam estrabismo.

9. Estrabismo cura-se sozinho!

Mito. Se a criança apresentar qualquer alteração no paralelismo dos olhos deve passar por uma consulta oftalmológica para evitar que o estrabismo se torne permanente e a criança desenvolva ambliopia, que é a baixa e/ou perda permanente da visão. O exame também pode descartar a presença de tumores e outras doenças oculares com risco para a visão e para a vida.

10. Coçar os olhos é um ato sem consequências danosas!

Mito. As crianças alérgicas (que coçam muito os olhos) podem apresentar conjuntivite alérgica (coceira, secreção, sensação de areia, olho vermelho e fotofobia) que permanece até a fase de entrada na puberdade. Essa conjuntivite deve ser tratada assim que detectada, para que não traga alterações nas córneas no futuro.

Coçar os olhos é muito prejudicial: leva ao aumento da pressão ocular, e a várias doenças, inclusive ceratocone (distorção corneana).

11. Exame ocular deve ser feito só quando a criança consegue se expressar

Mito. O fato da criança não informar sobre sua visão não impede que se realizem todos os outros exames oftalmológicos. O ideal é que se faça um exame a partir dos 3 anos de idade e antes dos 6 anos, caso não tenha nenhum sintoma (se tiver, a consulta deve acontecer antes disso).

12. Existem formas de se quantificar a visão de bebês

Verdade. Existem exames para avaliar a visão do recém-nascido até a idade de alfabetização. Algumas crianças precisam de óculos desde o primeiro ano de vida (em casos de catarata congênita, estrabismo, etc).

13. Ler no interior de um veículo em movimento prejudica a visão

Mito. Ler em ônibus, trens, aviões ou carros não é prejudicial aos olhos. Algumas pessoas podem se sentir indispostas durante leitura no interior de veículos em movimento, sentir náuseas e dor de cabeça – mas esta é uma reação individual.

15. Crianças não podem usar lentes de contato

Mito. As lentes de contato têm indicação médica em pacientes que necessitam de lentes corretivas com elevados graus, sendo adaptadas mesmo em crianças pequenas. Já a indicação estética ou para a prática de esportes ocorre quando o jovem manifesta desejo de usá-las e tem condições de cuidar delas. Não existe uma “idade mágica”, mas aos doze ou treze anos, os oftalmologistas têm obtido bons resultados quanto à colaboração do usuário.

16. A cirurgia corretiva de miopia não é feita em crianças

Verdade. As cirurgias para a miopia, astigmatismo e, em caráter experimental, a cirurgia hipermetropia, são realizadas quando o grau está estabilizado, e isto só ocorre ao redor dos vinte anos de idade.

17. A visão deve ser poupada

Mito. O olho foi feito para ser usado. Faça bom uso deste sentido maravilhoso.

Lembre-se, alguns acidentes são evitáveis em casa:

Evita-se queimadura térmica ocular virando-se o cabo da panela para dentro.

Evita-se a queimadura química ocular mantendo-se os produtos de limpeza longe do alcance das crianças.

Evita-se a perfuração ocular proibindo brinquedos que tenham pontas, estilingues, facas e tesouras.

Evita-se a queimadura por fogos de artifício não permitindo seu fornecimento à criança.

Evita-se ainda lesão ocular através do cuidado com arbustos contendo folhas pontudas e/ ou espinhos.

Consultoria: Médico oftalmologista e diretor do Tranjan Hospital de Olhos, Dr. Alfredo Trajan, pai de Alvaro e Carolina