Criança

Menina de 8 anos é exemplo de luta contra preconceito

Carolina Monteiro vem ganhando visibilidade com vídeos que falam de autoestima e orgulho do cabelo afro

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 

“Em terra de chapinha, quem tem black é rainha.” O ditado pode cair perfeitamente bem para Carolina, que anda arrasando na internet. Ela gosta de nadar, correr pelo jardim e brincar de pega-pega com os amigos, faz tudo que uma menina comum de 8 anos faria. Mas a filha única de Patrícia Santos, que mora em Divinópolis, Minas Gerais, também é um exemplo de autoestima e maturidade e ganhou visibilidade depois de um vídeo na internet em que ela aparece respondendo às críticas que outras crianças fizeram ao seu cabelo black power. Seu canal no Youtube já tem quase 200 mil visualizações. Nos vídeos, ela manda mensagens positivas às crianças para que se amem do jeito que são.

Em entrevista à Pais&Filhos, a mãe de Carolina, Patrícia, disse que sempre incentivou a autoestima da filha. “Quando eu era pequena sofria muito com críticas preconceituosas e cresci com a autoestima muito baixa, não queria que o mesmo acontecesse com a minha filha. Como não tenho domínio sobre o que as pessoas podem dizer a ela, preferi desenvolver sua autoconfiança”.

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Amor, diálogo e educação são os valores que Patrícia transmite à filha para que ela saiba lidar com os problemas do mundo. A mãe tenta estar sempre presente no dia a dia de Carolina conversando, fazendo parte da rotina escolar, perguntando como foi o seu dia e aconselhando quando for preciso. “É importante que os pais se mostrem interessados pelas questões dos filhos. Isso transmite segurança e confiança a eles”, acredita.

Os livros infantis também têm ajudado Carolina a se identificar com assuntos relacionados às questões étnico-raciais. Entre eles, os títulos “Menina Bonita do Laço de Fita”, de Ana Maria Machado, da editora Atica, “Omo Oba”, de Kiusam de Oliveira e publicado pela editora Mazza, e o “Cabelo de Cora”, da Pallas editora, são alguns dos preferidos da menina. Segundo Patrícia, essas histórias fazem com que a filha se sinta representada, já que ela sente que não consegue ter a mesma identificação na televisão, nos desenhos ou na maioria dos brinquedos.

Como nasceu o canal

Patrícia é dona de um salão de beleza direcionado a cabelos afros. Durante as conversas com as clientes, ela costumava ouvir muitos desabafos das mulheres falando que seus filhos eram discriminados na escola por causa do cabelo. “Um dia decidi gravar o vídeo do meu celular com a Carolina e levei para o salão. As mães adoraram. Foi quando percebi que uma mensagem positiva e que valorizasse a forma como cada um é poderia ajudar outras pessoas”.

No total, o canal de Carolina tem 5 vídeos e o mais recente já alcançou mais de 110 mil visualizações. A mãe conta que elas acompanham juntas os comentários e Carolina está muito feliz com o resultado dos vídeos. “Ela ainda não entende muito bem a repercussão disso. As pessoas perguntam quando vai gravar mais vídeos, mas eu procuro não forçar nada. Só gravamos quando ela tem vontade, pois o que ela gosta mesmo é de brincar”, diz. É isso aí, mais um bom exemplo para seguir!


 

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