Criança

Há um problema de fala na infância pouco conhecido e que merece atenção!

Apraxia: o diagnóstico é complexo, mas tem tratamento

Isabela Kalil de Lima

Isabela Kalil de Lima ,Filha de Kátia e Fabio

Se as crianças demorarem para balbuciar as primeiras palavras pode ser um sinal de apraxia (Foto: Shutterstock)

Se as crianças demorarem para balbuciar as primeiras palavras pode ser um sinal de apraxia (Foto: Shutterstock)

Um dos momentos mais esperados pelos pais é quando os bebês aprendem a falar as primeiras palavras. Quando esses sons demoram a surgirem, alguns pais podem acreditar que o motivo é a timidez. Essa demora, no entanto, pode ser algo bem maior do que apenas vergonha.

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Quando a criança apresenta atraso no desenvolvimento da linguagem ela pode ter apraxia de fala. O nome é complicado, mas a doença é mais comum do que  pensamos. Se comunicar parece algo tão natural para a maioria das pessoas, que chega a ser difícil compreender que podem existir dificuldades.

“Falar, na verdade, é uma habilidade altamente complexa e que depende de vários fatores”, confirma Elizabeth Giusti, fonoaudióloga infantil especialista em apraxia de fala.

De acordo com a especialista, apraxia na fala é um distúrbio neurocomportamental, que afeta a produção motora dos sons da fala. Nem sempre pode ser detectada por exames convencionais do cérebro, como ressonância e tomografia. Alguns sinais, entretanto, devem ser notados pelos pais, como a demora para balbuciar as primeiras palavras (depois dos 14 meses), dificuldade para imitar sílabas, ou mesmo o histórico familiar de apraxia. Mesmo assim, o diagnóstico é complexo.

A arquiteta Juliana Bezerra passou por toda essa dificuldade com os dois filhos, Sophia Marie e Leonardo Benício. A mãe nos contou que mesmo com um ano e meio de idade, Sophia não falava o básico, como Papai e Mamãe, nem Mama ou Papa. “A única palavra que ela falava era ‘não’ e bem anasalado”, lembra.

Juliana e o marido, João Carlos, com os filhos Leonardo e Sophia (Foto: Arquivo pessoal)

Juliana e o marido, João Carlos, com os filhos Leonardo e Sophia (Foto: Arquivo pessoal)

Depois de perceber a dificuldade, Juliana e o marido, João Carlos, passaram mais de três anos em busca de um diagnóstico. Foram diversas consultas e exames até encontrarem a fonoaudióloga infantil Elizabeth Giusti, especialista em apraxia de fala. Ela diagnosticou o problema de Sophia, mas não começou o tratamento imediatamente porque não tinha horário disponível. Enquanto estava na lista de espera, os pais procuraram outros profissionais.

Sophia passou por cinco fonoaudiólogas e não teve evolução porque estes profissionais não tinham conhecimento sobre o tratamento do distúrbio, de acordo com a mãe. “O desespero de não se encontrar uma fonoaudióloga preparada para tratar nossa filha chegou ao ápice quando o pai, formado em direito, prestou vestibular para fonoaudiologia para ter um norte”, conta Juliana.

Tratamento

Nesta época, os pais perceberam que Leonardo, o irmão de Sophia, também estava com apraxia e, finalmente, conseguiram vaga com a fonoaudióloga especialista para o tratamento da primeira filha.

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“A sensação de descobrir que o nossos filhos tinham apraxia foi uma mistura de incerteza e desespero. Falta muito informação sobre essa doença”, desabafa Juliana.

Hoje, depois de 5 meses de tratamento, que inclui mostrar para criança como a boca articula o que ela está pensando, os pais notam a evolução de Sophia. O tratamento, feito por meio de atendimento terapêutico individual em um ambiente tranquilo, também inclui a repetição de sons diversas vezes, retardar o discurso e diversas outras técnicas que ajudam na comunicação.

Conscientização

O dia 14 de maio é celebrado como o “Dia Nacional de Conscientização da Apraxia na Fala na Infância”. Por conta disso, atividades educativas e informativas serão realizadas em vários pontos do país. Ocorrem ações simultâneas em Goiânia, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte. Veja a programação no site.

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