Criança

Eu só quero chocolate!

Você não tem ideia do que fazer com tanto chocolate? Nós te ajudamos.

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Com a chegada da Páscoa, vem a dúvida: quanto chocolate posso dar ao meu filho? Claro, não muito, afinal tem açúcar demais e não dá pra exagerar. Só que o chocolate também pode trazer benefícios para a saúde, se consumido da forma certa. Recentemente, o Instituto Karolinska, da Suécia, divulgou um estudo relacionando a redução do risco de infarto em homens com o consumo de pelo menos uma barra de chocolate por semana. Isso graças à presença de um antioxidante chamado flavonóide. Em geral, o chocolate é rico nessa substância, que inibe a ação dos radicais livres, adiando o envelhecimento das células e evitando o surgimento de algumas doenças, como as cardiovasculares.

Agora você e seu filho têm uma boa desculpa para comer chocolate! Mas não se esqueça: ele é feito basicamente por uma mistura de gordura e açúcar, ou seja, uma bomba calórica. “Você pode ver a proporção de cacau na composição de cada chocolate ou até mesmo a quantidade de açúcar e gordura, mas quando come o doce, está fazendo isso porque é gostoso e você quer aproveitar esse sabor”, diz a pediatra Teresinha Stumpf Souto, mãe de Guilherme, Thiago e Ricardo.

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A verdade é que você não precisa abrir mão daquele ovo de Páscoa delicioso, nem se obrigar a comer uma barra de chocolate por semana para evitar problemas cardíacos. O que vale mesmo é encontrar um meio-termo.

Juliana Zanetti, nutricionista do Hospital São Camilo, filha de Luiz, aconselha que os pais só passem a dar chocolate para as crianças a partir dos 2 anos. Isso porque, antes dessa idade, seu trato intestinal ainda não está completamente formado. “O ideal é que a criança consuma, no máximo, 30g de chocolate por dia, três vezes por semana”, explica. Apesar das recomendações, nem todos os pais esperam a idade aconselhada ou dão a quantidade recomendada de chocolate, e como o alimento leva muita gordura na fórmula, isso pode causar dor de barriga.

A pediatra Teresinha Stumpf ressalta que no Brasil, até um ano de idade, a recomendação é que os pais não insiram qualquer tipo de açúcar na dieta da criança, como forma de prevenir a obesidade e cáries. “É essencial que os pais esperem até os 2 anos, já que, além de o alimento tirar o apetite para a comida, há risco de uma alergia relacionada à proteína do leite ou até mesmo ao cacau”, afirma. Além disso, o alimento tem cafeína e teobromina, substâncias estimulantes e com poder viciante.

Eu quero mais!

Depois de a criança ter experimentado o chocolate, vai ser difícil controlar sua vontade por “só mais um pedacinho”, ainda mais se ela tiver sido presenteada com vários ovos! A psicóloga Rita Calegari, mãe de Amanda, dá a dica: “Peça que ela escolha qual ovo vai abrir primeiro e guarde os demais em um local não visível. Na maioria das vezes, a criança quer abrir os ovos porque sabe que lá tem um presente ou brinquedo. Nesse caso, a opção é guardar o chocolate em um recipiente e dar aos poucos. A criança é regida pelo princípio do prazer imediato, portanto esperar é um comportamento não natural e deve ser ensinado repetidamente até que seja incorporado”.

Não são apenas as crianças que têm de controlar os impulsos. É importante que amigos e parentes não façam uma oferta enorme de chocolate, ainda mais nessa época do ano. Rita Caligari sugere que, caso todos da casa queiram presentear as crianças, que pelo menos optem pelos ovos menores. E, mesmo assim, expliquem que eles podem e devem dividir os excessos com amigos, primos e pessoas que talvez não tenham ganhado um ovo na Páscoa. Aí, a lição se multiplica.

Deixe a imaginação rolar solta…

Muitos pais passam por um dilema na Páscoa: deixar ou não a criança acreditar no coelhinho que traz os ovos? A resposta é: sim, deixe! A psicóloga Rita Calegari explica que a fantasia é uma das formas de estimular a inteligência e a criatividade. Mãe de Amanda, ela diz que não deixava de fazer pegadas de coelho com farinha ao redor da casa para que a filha procurasse os ovos.

“Essa fantasia também possibilita deixar lembranças da vida familiar que servem de sustento afetivo pela vida adulta. Quem não se lembra com carinho e gratidão do esforço dos pais em nos fazer acreditar no coelhinho da Páscoa ou no Papai Noel? A infância é um período curtíssimo da vida de alguém – pense, se vivermos 80 anos, a infância é só 10% da nossa vida – e haverá tempo de sobra para lidar com a realidade da vida”.

Consultoria:
Juliana Zanetti, filha de Luiz, é nutricionista do Hospital São Camilo, saocamilo.com. Rita Calegari, mãe de Amanda, é psicóloga. Teresinha Stumpf Souto, mãe de Guilherme, Thiago e Ricardo,
é pediatra, Tel.: (11) 3081-3133.

Assista aqui ao vídeo da Pais&Filhos TV que mostra curiosidades desse doce delicioso!