Criança

Ela está de volta

Os casos de coqueluche cresceram e os pais são os responsáveis. Saiba mais

Redação Pais&Filhos

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A coqueluche voltou e promete tirar o sono dos pais. É que são eles os responsáveis pela transmissão da doença em mais da metade dos casos

Por Paula Montefusco, filha de Regina e Antonio

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Depois de anos em baixa, a coqueluche voltou com força total. De acordo com dados divulgados durante o seminário América Latina Sem Pertussis, realizado na República Dominicana, no momento, os mais prejudicados são os países da América Latina, apesar de uma epidemia na Califórnia, nos EUA, em junho de 2010. Só para se ter uma ideia, os índices da doença no Brasil cresceram 34% quando comparados os períodos de 2007 a 2009 e de 2001 a 2003. Na Argentina, o aumento no mesmo período foi de 453% e na Costa Rica, de 4184%, segundo números divulgados pela Organização Mundial da Saúde. A América Latina registrou 21 mil casos da doença entre 2007 e 2009.

Atualmente a coqueluche é a quinta causa de morte em menores de 5 anos. A grande preocupação está ligada à contaminação dos bebês menores de 6 meses. Isso porque crianças nesta idade podem não ter recebido as três doses da vacina contra a doença que, geralmente, são dadas aos 2, 4 e 6 meses de idade. No Brasil é feito ainda o reforço da vacina aos 15 meses e 4 anos. O problema é que os bebês só ficam protegidos mesmo após as três doses. Nesse meio tempo, podem ser contaminados pela doença e isso pode trazer consequências preocupantes.

A coqueluche, também conhecida como tosse comprida ou ainda, pertussis, é causada pela bactéria Bordetella pertussis. O que acontece hoje em dia é que grande parte dos casos se dá pela exposição da criança à doença pelos próprios pais ou cuidadores. Os números apontam os pais como sendo os responsáveis em 55% das vezes. Por isso, a estratégia adotada pela Costa Rica foi de fazer um “casulo” de proteção em torno da criança: vacinar pais, irmãos, cuidadores como babás e profesoras e até a própria equipe médica que tem contato com os bebês. Aplicando este método o país conseguiu reduzir o número de casos em 67% nos anos de 2008 e 2009.

Durante o ponto mais crítico a Costa Rica registrou uma proporção de 45 casos por 100 mil habitantes, quando o aceitável pela OMS é de 1 caso por 100 mil habitantes. Enquanto isso, o Brasil registrou 0,5 caso por 100 mil habitantes em 2009, o que em números absolutos representaria algo em torno de 10 mil casos.

Os sintomas da coqueluche são: crises de tosse que podem durar até 30 minutos e acontecem várias vezes ao dia, principalmente à noite. A tosse provoca a falta de ar, já que fica difícil recuperar o fôlego durante a crise.

Nos bebês, a doença vem com mais força que nos adultos. Quando o bebê é bem pequeno ele nem chega a tossir, mas fica um tempo sem respirar e, isso sim, é bem preocupante porque afeta a oxigenação no cérebro, compromete a realização de tarefas vitais do corpo e pode até levar à morte.

Por isso é importante não só garantir que a caderneta de vacinas do seu filho esteja em dia, como que você, os irmão e os cuidadores da criança estejam protegidos. “Dez dias após tomar a vacina, de 88% a 90% dos adultos e adolescentes já desenvolveram os anticorpos necesarios ao combate à doença”, afirma a diretora da Clínica Internacional da Criança Adotada do Children”s Memorial Hospital de Chicago, nos EUA, Tina Tan. Muitas vezes a doença não é dignosticada corretamente porque em grande parte dos casos em adultos a doença vem na forma de uma tosse chata que dura algunas semanas e pode não ser detectada em um exame clínico.

*A repórter viajou a convite da Sanofi Pasteur

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