Criança

Dislexia não é burrice

Problemas para ler e escrever não significam menor capacidade intelectual

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

A dificuldade com a leitura é o principal sintoma da dislexia. Sinais da doença podem aparecer cedo, como problemas psicomotores e de fala, mas o diagnóstico precoce é bastante difícil. Só há certeza durante o processo de alfabetização e após a análise clínica de especialistas de diferentes áreas.  

Ela é provocada por vários fatores como alteração neuro-genética, disfunções neuropsicológicas, entre outras que prejudicam o funcionamento de regiões do cérebro responsáveis pelo processamento da leitura e da escrita. É como se existisse um “ruído” na comunicação entre os neurônios, mas isso não significa que a criança disléxica tenha menor capacidade intelectual.
 
É a partir dos cinco anos, quando começa o processo de alfabetização, que os principais sinais aparecem. Sem tratamento, assim como outros problemas de aprendizagem, a dislexia acaba agravada por fatores externos, como estratégias erradas de ensino na escola, dificuldades com o método, estes fatores podem levar a criança  disléxica a desenvolver baixa autoestima e até depressão.  

Sintomas e diagnóstico

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A criança disléxica lê por sílabas, não consegue rimar, não consegue compreender o que está escrito (já que lê tão devagar que chega a esquecer do início da frase, por exemplo) e não consegue acompanhar adequadamente em sala de aula. Esta disfunção na leitura pode gerar problemas também na escrita. A dislexia pode ter diferentes graus, que vão do mais leve ao mais grave.

Não existe um exame único que detecte a doença. O diagnóstico é inteiramente clínico e envolve vários especialistas: psicólogos, fonoaudiólogos, psiquiatras e até fisioterapeutas. Eles irão avaliar o desenvolvimento da criança e observar a evolução e gravidade dos sintomas. “Não é porque a criança tem dificuldade de ler que ela tem o problema. A dislexia em sua forma pura é muita rara”, comenta a neuropsicóloga Sylvia Maria Ciasca.

O disléxico, em geral, não apresenta dificuldades em outras áreas que não envolvam a leitura e a escrita, inclusive, podem ter  excelente desempenho em cálculos matemático e outras matérias. “A dislexia é uma disfunção única, que não atrapalha a capacidade intelectual da criança. Inclusive, várias pessoas superdotadas foram diagnosticadas com o problema, como o cientista Albert Einstein”, completa Sylvia Ciasca.

Tratamento

O primeiro passo a ser tomado quando os pais e professores desconfiam que a criança apresenta alguns sinais de dislexia é procurar um especialista (neurologista infantil, neuropsicólogo, fonoaudiólogo, entre outros). No caso da confirmação da suspeita, o tratamento será feito por esse profissional em parceria com os outros que citamos, que irão acompanhar o processo de aquisição da criança e fazer o necessário para que esta criança aprenda. Para dislexia não há medicamentos, existe melhora mas, “infelizmente uma vez disléxico sempre disléxico”.

O disléxico terá que  reaprender a aprender. Com o tempo e auxílio especializado, ele traçará outros caminhos  para processar as informações necessárias para  ler e escrever da sua forma e sem sofrimento.

A escola tem papel fundamental nesta fase, e junto com os pais devem procurar apoio dos professores para fazer a ponte entre os especialistas que estão tratando a criança e quem estará presente diariamente no processo do aprendizado da criança.

Consultoria: Sylvia Ciasca, filha de Oswaldo e Nelyde, é neuropsicóloga e professora associada do Departamento de Neurologia da Faculdade de Ciência Médicas da UNICAMP e coordenadora do Laboratório de Distúrbios da Aprendizagem e Atenção da Faculdade de Ciências Médicas (DISAPRE) da UNICAMP.

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