Criança

Desequilíbrio.

Vanessa Zago cria contos sob medida e criou esse para a gente, sobre a confusão entre mentira e fantasia

Redação Pais&Filhos

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Téo era o cara.

Ele criava histórias mirabolantes e se perdia dentro delas. Seus pais entravam no jogo e riam com as desculpas de pratos pulantes em roupas e brinquedos com vontade de morar mais na sala que no quarto.

Certa manhã o vento norte entrou naquela casa e fez o tempo girar rápido; deixando o menino mais alto, com novos dentes e um tanto preguiçoso.

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Com Téo mais crescido em tamanho e opinião, sua mãe confiou que ele já podia tocar algumas coisas sozinho.

–         Téo, você fez sua lição?

–         Fiz mãaaaae! Gritava ele de longe

–         Téo você já escovou os dentes?

–         Já mãe, quer ver? Retrucava nervosinho.

–         Téo, você jogou? Lembra que hoje o combinado é sem jogo, né?

–         Não mãe. Respondia irritado

Com o passar dos dias as verdadeiras respostas chegavam:  ligação da escola questionando as lições atrasadas; o menino reclamando de um dente dolorido e a conta de alguns joguinhos baixadas no Ipad.

A mãe ficou louca, brava, triste e foi conversar com Téo para entender a razão daquilo. Então resolveu dar mais uma chance….e tudo se repetiu: as lições, o dente, a conta…

Até que ela deixou de perguntar e só verificava. Cada olhada de lição, supervisão de dente, conferida de jogadas e espiada de banho seus olhos iam aumentando e proporcionalmente a boca do Téo diminuía.

A coisa foi ficando tão desproporcional que o rosto da mãe era só olhos e o do Téo parecia uma bexiga com a boca de nozinho.

Sexta a noite, a família conversava sobre o final de semana, a mãe dizia uma coisa, o pai sugeria outra e as vontades rolavam animadas. Téo queria muito ir ao cinema, tentou falar, mas daquele buraquinho não saia nenhuma palavra.

No feriado seguinte, tinha uma festa muito legal. Téo foi mostrar o convite para a mãe que consultou a sua agenda com aqueles mega olhos, viu que era aniversário da Tia, e lhe deu as costas. Foi aí que ele percebeu que sua boca havia sumido!

Arrependido das suas mentiras, Téo pegou a caneta e desenhou uma nova boca, projetada para falar a real, sem medo! Foi cabisbaixo mostrar pra mãe. Quando ela viu, seus olhos brilharam tanto que explodiram, voltando a ser duas bolinhas.

Os dois se abraçaram e começaram a conversar sem parar, tamanha a saudade da mãe pelo seu menino, o cara! E do garoto pela sua mãe, quem sempre lhe dava ouvidos!

Vanessa Zago cria contos sob medida e criou esse para a gente, sobre a confusão entre mentira e fantasia. O bacana é que, por meio das histórias, as crianças podem elaborar os problemas. Você gostaria de ver um conto sobre o quê? Escreva aqui nos comentários.

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