Criança

De bem com a matemática

Antes mesmo de somar, seu filho pode aprender que matemática não é tão difícil

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Ed. Revista Pais & Filhos 440 – novembro de 2006.

Por Mel Mansur, filha de Leila e Segio

"Eu odeio matemática", dizia a primeira Barbie falantes. A frase gerou a maior polêmica, porque reforçava o preconceito de que as mulheres e números não foram feitos um para o outro. Agora, quantas vezes você não se pegou dizendo isso? Um milhão novecentas e noventa e nove mil, com certeza. E não parece ter problema nenhum, porque a maioria das pessoas logo responde “eu também”, a gene dá risada e pronto. Só que, sem perceber, você pode acabar influenciando negativamente a relação de seus filhos com a disciplina lá na frente. Antes mesmo da primeira conta de mais, ele – ou ela – pode aprender que números são muito complicados e não adianta nem tentar entende-los.

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A matemática é a disciplina que mais reprova no Brasil. No entanto, como já deu para sacar com o exemplo da Barbie, a coisa pega mais com as meninas. Hoje, são muitas as matérias em que elas se saem melhor que os garotos. Matemática, definitivamente, ainda não é uma dela. Recentemente, o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) analisou o desempenho de meninos e meninas de 42 países na disciplina. Em 33 deles, os garotos tiveram notas melhores. No Brasil, para piorar, a distância entre os sexos é a maior de todas.

 

Meninas e meninos

Em parte, isso pode ser atribuído à velha conclusão biológica de que os meninos usam mais o lado esquerdo do cérebro, ligado ao raciocínio lógico, e as meninas o lado direito, relacionado à intuição e à linguagem. Mas essa teoria gera bastante controvérsia.

Acontece que a diferença entre a performance de meninos e meninas se acentua nas classes sociais mais baixas, em que o estereótipo da mulher mais inclinada às tarefas domésticas tende a ser maior. O professor de neurofisiologia da USO, Gilberto Xavier, pai de Henrique e Gabriela, vê aí a resposta. Se um dado se altera de acordo com o nível socioeconômico, é provável que a causa seja mais cultural o que biológica e, portanto, possa ser resolvida com a mudança no comportamento. Que ode começar na sua casa, por que não?

Se você demonstra insegurança antes de levar a criança á escola, provavelmente ela ficará com medo de entrar. O mesmo acontece com matemática. Se os pais transmitem para o filho a ideia de que a matemática é complicada, é bem provável que ele vá vê-la com preconceito. “Os pais passam para os filhos que é difícil”, diz o professor Carlos Eduardo Campos Granja, filho de Marina e Carlos, da Escola da Vila, em São Paulo.

Tudo bem que na nossa época o ensino da matemática podia ser chato de verdade. A maior parte das tarefas era decoreba pesada. Só que, hoje em dia, já se sabe que a melhor forma de ensinar matemática é relacioná-la ao universo da criança. Então, deixe que ela estabeleça seu próprio relacionamento com a dita-cuja.

 

Baby Einstein

O senso numérico é desenvolvido por meio da observação e da comparação. Os bebês já têm habilidades matemáticas, ainda que rudimentares. Sua sensibilidade está ligada a quantidades e coisa concretas. Por isso, ele entende quando v~e a mãe colocando duas latas de ervilha no carrinho do supermercado ou uma lata do ingrediente e outra de milho. E, já aos 7 meses, é capaz de relacionar o número de vozes que escuta ao número de rostos que vê.

A educadora Júlia Manglano, mãe de Lucas, Montserrac, Carmem, pablo e Daniel, diretora da Escola de Aprendizagem e Desenvolvimento, explica que os bebês têm uma memória visual aguçada.

Um dos exercícios que Júlia faz para ensinar matemática a crianças bem pequenas é exibir cartolinas com bolinhas adesivas para mostrar a dimensão dos números. “Elas são capazes de diferenciar uma cartolina com 49 bolinhas de outra com 50 bolinhas. É uma memória visual que muitas vezes supera a de um adulto”, conta.

Enquanto brinca com peças de encaixe ou monta um quebra-cabeças, a criança vai incorporando, naturalmente, como proporção e lógica. Mas esse processo natural representa apenas uma parte do desenvolvimento. Principalmente nos três primeiros anos, a formação do intelecto da criança depende muitos de estímulos externos. Você pode ajudar o processo, sem neura. Contar as pombinhas que vocês veem num passeio pelo parque ou até o número de carros que aparecem na estrada naquela viagem à praia já ajuda a despertar o interesse pelos números. A matemática está em tudo. Como já dizia Galileu Galilei, ela é o alfabeto com que Deus escreveu o universo.

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