Criança

Criança com espinhas

Procura por dermatologistas para a cura da acne em crianças de até 7 anos cresceu nos últimos anos e causa debate

Redação Pais&Filhos

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Acne é sinônimo de adolescência, certo? Nem sempre. Um estudo publicado pelo jornal Pediatrics revela um novo cenário deste problema dermatológico: crianças menores de 12 anos estão freqüentando mais clínicas pediátricas e de dermatologias à procura de tratamento para a acne. Portanto, não se preocupe se notar que seu filho está com espinhas ou cravos, mesmo se ele tiver apenas 7 anos.

Puberdade precoce: saiba como identificar e tratar 

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Uma das explicações dadas pelos especialistas é que a puberdade está acontecendo cada vez mais cedo. Antes, uma criança de 12 anos era considerada nova demais para começar a apresentar cravos e espinhas. Mas, hoje, não. A adrenarca (quando a glândula adrenal desperta nos meninos) e menarca (primeiro período menstrual nas meninas) ocorrem cada vez mais cedo e os problemas de pele podem ser consequência disso.

Mas a chamada puberdade tem sido um assunto bastante discutido entre os cientistas.

Em 2011, a média da idade das crianças entre 6 e 18 anos que buscaram tratamento dermatológico para a acne teve uma queda leve de quase um ponto percentual entre os anos de 1979 e 2007. Na década de 70, a média era de 15,8 anos – e em 2007, 15 anos.

Para alguns especialistas, a causa do aumento de casos de acne infantil se deve, simplesmente, à pequena tolerância dos pais de hoje. Estamos tão preocupados com a aparência, que não queremos que nossos filhos sofram por causa de algumas espinhas, então procuramos com mais intensidade tratamentos médicos para o problema.

A dermatologista Sílvia de Mello, da Clínica Ivo Pitanguy, concorda. Para ela, as pessoas estão mais informadas e, por isso, prestam mais atenção em qualquer  detalhe que fuja do normal, procurando o auxílio médico. E acrescenta que a preocupação é mais dos adultos que das crianças mais novas, que realmente não têm noção da presença das lesões da acne. “O importante é que os pais fiquem tranquilos, pois este é um quadro temporário e que, normalmente, se cura sozinho”. A médica também recomenda aos pais que não usem produtos sem que tenham sido prescritos por um médico cuidadoso e experiente.

As causas da acne infantil

Segundo a dermatologista Karla Assed, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, mãe de Raphael e Anna Luiza, as causas da acne são, normalmente, as mesmas em crianças ou adolescentes. Ela explica que a acne (lesão da pele) tem causas diferentes, entre elas a predisposição genética, alterações hormonais, períodos de estresse emocional, exposição exagerada ao sol, uso de medicamentos (como corticóides), consumo excessivo de vitamina B12 e até aplicação de protetores solares oleosos. “Mas boa parte dos casos de acne infantil se deve à puberdade precoce”, enfatiza a dermatologista.

Os medicamentos e o tratamento da acne

Uma das maiores discussões no mundo da dermatologia é que, embora amplamente prescritos, pouco se sabe sobre o efeito de muitos dos remédios em crianças tão jovens, já que são off-label, ou seja, foram testados somente em pessoas maiores de 12 anos. Pode haver novidades em breve, pois a Food and Drug Administration, a Anvisa norte-americana, já aprovou um gel com um retinóide e peróxido de benzoíla, que pode ser usado a partir dos 9 anos.

Sílvia de Mello acredita que o cuidado de profissionais e pais deve ser redobrado no tratamento de acne de crianças (e mesmo bebês!). “Deve-se evitar medicações muito irritativas, para não danificarem a pele da criança”.  Auto-medicação, em pensar, pois medicações orais podem alterar a função hepática, já que o fígado da criança ainda não tem capacidade de metabolizar uma medicação tão forte, explica a médica.

O melhor, como sempre, é prevenir. Assim como na adolescência, o tratamento da acne infantil envolve, especialmente, o cuidado diário na pele. O uso de sabonetes, loções e filtro solar não-oleoso é recomendado para reduzir o aparecimento de novas lesões, melhorar as já presentes e evitar o surgimento de manchas e cicatrizes permanentes.  Karla Assed afirma que não há contra-indicações específicas e que tudo depende do caso.

O importante é que se procure o pediatra ou o dermatologista. “O médico vai saber qual deve ser a medicação introduzida que será correta e efetiva e não deixar que a pele tenha cicatrizes”, recomenda Sílvia.

Pais mais preocupados

Apesar dos números demonstrarem a queda, alguns médicos não estão convencidos da ocorrência de acne infantil em maior quantidade. Muitos defendem que o que aconteceu foi apenas uma mudança de mentalidade.  Um dos especialistas consultados para o estudo afirmou: “Há 20 anos, um pediatra diria ‘ah! Ela pode crescer com isso”. Hoje, nós pensamos “Por que ela deve crescer com isso se podemos resolver agora?”.

Outros médicos lembraram que hoje os pais são mais perfeccionistas, se preocupam com as chacotas na escola e/ou com possíveis traumas gerados pelos problemas de pele. Para eles, os pacientes muito pequenos não ligam muito para o problema da acne. Um dos profissionais disse que “quando chegam crianças de 7 ou 8 anos, no consultório, e estamos fazendo uma análise, eles somente me perguntam se podem jogar vídeo game!”. Karla Assed, no entanto, conta que as crianças a que atende comentam que não querem ficar com o rosto marcado, “elas não gostam”.

Aos 11 anos, uma das crianças pesquisadas revelou um grande trauma por causa do problema na pele. A mãe revelou que a filha tinha muitos problemas emocionais, especialmente quando tinha uma festa. “Ela ficava brava por ter que esconder a espinha”, contou. A paciente deste caso foi tratada com medicamentos prescritos por sua pediatra.

Da infância à adolescência?

Os cuidados diários com a pele são recomendados pelos dermatologistas. É algo importante que pode ajudar a evitar o problema e ajudar na cicatrização das espinhas que surgem. Além disso, o chefe do Centro de Dermatologia Pediátrica do Hospital de San Diego (EUA) lembrou que o problema com a acne pode ser ainda mais severo durante a adolescência, caso a pessoa tenha tido desde a infância. Segundo ele, “tratar do problema da acne desde criança pode minimizar os impactos físicos e psicológicos”. Porém, a dermatologista Sílvia discorda. Ela afirma que a acne infantil/neonatal não tem relação com a acne da adolescência.

Quando devo levar meu filho ao médico?

Sempre. Qualquer que seja a ocorrência, o mais recomendado é que se busque um profissional que vai encaminhar o melhor tratamento e medicação imediatos e adequados. A acne é o nome de uma doença dermatológica que pode – ou não – causar espinhas. Isso mesmo, acne e espinha não são sinônimos. A acne é algo mais abrangente que pode aparecer como lesões (pequenas ou grandes), espinhas, cravos e, mesmo, irritações que “começam do nada”. Portanto, somente um profissional poderá avaliar e medicar – caso seja o caso de seu filho.