Criança

Apenas dance

Dançar faz com que a criança desenvolva a individualidade e sociabilidade

Redação Pais&Filhos

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A dança é uma experiência rica em que seu filho irá desenvolver não só sua individualidade, mas a sociabilidade também

Por Nivia de Souza, filha de Tânia e Renato

Muito provavelmente, foi pelo gosto do movimento que o francês Edgar Degás – pintor, gravurista e escultor – escolheu bailarinas para retratar muitas de suas obras. Impossível olhar para elas e não reconhecer os traços do artista. Foi beirando a perfeição que Degás conseguiu retratar a leveza e a destreza com que as bailarinas se movem e se posicionam nos palcos e salas de ensaio.

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Quantos pais e mães já sonharam em ver seus filhos como nas pinturas de Degás? Certamente, muitos. Assim como outras atividades, a dança permite que as crianças expressem seus sentimentos, afetos e emoções. Mas, como a dança envolve arte, isso é feito de maneira diferente. “O artista tem como objetivo criar todo um mundo novo como um meio de restauração simbólica de seu mundo interno e, essa obra, é realizada por meio de sua obra”, explica a psicóloga Bruna Puga, filha de Marilene e Wagner.

Segundo a psicóloga, é justamente pelos movimentos – a paixão de Degás – que a criança conhece seu corpo e desenvolve sua capacidade cognitiva, afetiva motora e social, explorando suas possibilidades e potencialidades ao máximo. “A dança traz a consciência de que se deve lutar com as próprias mãos, ou melhor, corpo para superar os limites do próprio corpo e da mente”, diz a professora de ballet Fábia Vasconcellos, filha de Marinês e Max. Além disso, Fábia ressalta que hábitos como disciplina, responsabilidade e respeito com colegas e professores também são fortalecidos.

Os primeiros ensaios

Bruna afirma que o conhecimento aprendido só poderá ser utilizado quando for integrado ao prazer. Isso só indica, ainda com mais veemência, o quão importante é que seu filho se identifique com a atividade e tenha vontade de estar fazendo o que está sendo proposto.

É por volta dos cinco ou seis anos de idade que modalidades específicas, como a dança, são recomendadas para as crianças. “Nesta idade, elas já reconhecem os seguimentos corporais e seus movimentos básicos. Assim, elas apresentam melhor desenvolvimento físico, motor e cognitivo para submeter-se à prática”, fala a professora de educação física Cinthya Cardoso, filha de Maria de Lourdes e Joacir.

Muitas crianças menores de cinco anos são matriculadas em aulas de dança. Isso pode ocasionar, em geral, desinteresse pela atividade. “Normalmente, a criança acaba enjoando do ballet antes de descobrir a arte que nele existe”, explica Fábia. A dança, a cada faixa etária, exige mais física e mentalmente dos bailarinos, de acordo com a evolução do nível técnico. Para isso, são indicadas aulas de duas a três vezes por semana, com duração de 30 a 60 minutos.

Outra recomendação das especialistas é a consulta sobre qual a formação dos professores e, também, assistir algumas aulas ministradas por eles. “Assim, os pais poderão conferir a metodologia adotada pelos professores e prestigiar seu filho, que certamente irá adorar este momento”, recomenda Cinthya. Fábia atenta para uma questão importante. Como, em geral, os passos de ballet são em francês e, em alguns casos, em inglês, é recomendado que eles sejam mantidos. Mesmo para os pequenos, pois as crianças têm que entender o que realmente elas significam. “Se você for a qualquer lugar do mundo fazer ou dar uma aula de ballet existe, academicamente, uma nomenclatura para cada exercício. E instruir corretamente os alunos é responsabilidade do professor”, afirma a professora de dança.

Talvez, seu pequeno bailarino ou bailarina aparecerá com algumas dores. Dores nos pés, cansaço muscular ou desconfortos após exercícios de flexibilidade são bem comuns. “Caso eles sejam muito intensos e ou frequentes, os pais devem procurar auxílio médico”, alerta Cinthya.  

De dentro para fora

As aulas de dança trazem muitos benefícios para os pequenos. Elas desenvolvem a expressão corporal, o ritmo de movimento e a assimilação da musicalidade. “A dança está diretamente associada ao trabalho de capacidades (força, resistência, potência, coordenação, velocidade, agilidade e equilíbrio) e habilidades físicas (locomoção, manipulação e não-locomoção)”, fala a professora de educação física.

Por ao mesmo tempo trabalhar com o lado físico e artístico (por meio da música) das crianças atrela-se o ritmo ao movimento. Desta forma, pode-se trabalhar intensidades e expressões diferentes. “E conceitos de outras áreas também”, completa Cinthya.

Se logo de cara, você perceber que a criança não está gostando de dançar, é preciso conversar com a criança para entender o que é que está se passando com ela. “Temos que respeitar seus sentimentos, opiniões e limitações”, diz Bruna. Mas, o contrário também pode acontecer. “Se ela estiver gostando, procure conversar para entender quais são suas expectativas, pensamentos e sentimentos a respeito daquela atividade”, indica Bruna.

Dançar é indicado para todas as idades e sexos. Crianças com deficiências físicas ou intelectuais podem praticar este tipo de atividade, sem problemas, mas sempre respeitando suas limitações físicas e cognitivas. “Ela contribui para o aprimoramento e desenvolvimento de suas potencialidades individuais como: expressão cultural, criatividade e autoconhecimento”, afirma a psicóloga.

A dança é uma experiência extremamente rica em que as crianças poderão se conhecer, explorar, memorizar e expressar conhecimentos e movimentos. E, por alguns instantes, você irá sentir que seu filho faz parte de um quadro de Degás.

Consultoria: Bruna Puga, filha de Marilene e Wagner, é psicóloga. www.psicohelp.psc.br . Fábia Vasconcellos, filha de Marinês e Max, é bailarina e professora de ballet clássico. Cinthya Cardoso, filha Maria de Lourdes e Joacir, é bailarina, personal trainer e professora de educação física.

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