Criança

Ai, minha cabeça!

Casos de enxaqueca atingem entre 3 e 10% das crianças

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

A enxaqueca é um problema neurológico que atinge adultos na maioria das vezes. Mas a doença ocorre de 3 a 10% das crianças, afetando tanto meninos quanto meninas. Nas crianças, a enxaqueca costuma aparecer depois dos 5 anos de idade e pode ser confundida com outros problemas orgânicos mais comuns, como sinusite, problemas oftalmológicos, gripe ou virose. Por isso, o diagnóstico da enxaqueca deve feito pelo médico pediatra, podendo também ser realizado por neurologistas pediátricos.

O médico pediatra homeopata Sérgio Furuta, Presidente da Associação Médica Homeopática Brasileira, pai de Gustavo e Fernanda, explica que o diagnóstico da enxaqueca é de exclusão, ou seja, se a criança tem dores de cabeça frequentes, os pais devem levá-lo ao médico. “É legal os pais observarem se as crianças sentem dor no final do dia, depois que voltam da escola, por exemplo, isso poderá ser indício de que seja algo oftalmológico”, diz.  

Outros casos comuns que são confundidos – e eliminados, primeiramente, pelo pediatra – são doenças otorrinolaringológicas, como a sinusite. Há crianças que têm dor de cabeça e nariz entupido (e constantemente deglutem catarro por isso), e pioram quando deitam; tais sintomas são típicos de sinusite. Segundo o médico, estes sintomas podem ser observados pelos pais, facilitando o diagnóstico eliminatório. “Mas as crianças menores, de 5 e 6 anos, podem não ter dor de cabeça na sinusite. Isso acontece porque o seio frontal só se desenvolve depois dos 6 anos, então aquela dor de cabeça frontal, comum da sinusite, pode não existir”. Outra ‘pista’ sobre a enxaqueca: ela nunca é esporádica. Vem em crises, que podem durar até 72h, dependendo da pessoa e de sua intensidade. Crianças não conseguem perceber muitas vezes, mas alguns adultos relatam sentir alguns sintomas anteriores à dor de cabeça, um mal-estar denominado pelos médicos como “aura”.

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E, por último, é possível desconfiar da doença se alguém da família já teve. Sabe aquele papo de histórico da família? Pois é, para a enxaqueca costuma funcionar!  

É proibido automedicar!

Mães e pais nunca, mas nunca mesmo, devem dar analgésicos e antitérmicos para as crianças sem antes consultar seu médico. Este hábito pode atrapalhar o diagnóstico e esconder problemas mais graves.

De acordo com Sérgio, ao fazer a automedicação, a criança poderá precisar de uma dosagem maior, além de um aumento na freqüência, para afastar a dor. Mas, o maior problema da automedicação neste caso é que pode haver causas mais graves. “É preciso fazer um diagnóstico, para afastar coisas mais sérias, como tumor cerebral, anomalia no sistema nervoso e epilepsia. É o médico quem vai saber olhar e afastar todos os outros problemas”, explica.

Dependendo da intensidade, o neurologista ou pediatra irá receitar um medicamento. Se for algo mais grave, poderá receitar medicamentos mais específicos (diferentes de um analgésico comum), ou mesmo um tratamento, que pode ser alopata ou homeopata.

Dr. Sérgio Furuta conta que a procura pelo tratamento homeopático para casos de enxaqueca no país aumentou bastante, já que muitos pais têm medo que seu filho sofra com efeitos colaterais, ou fique viciado. Outro benefício do tratamento homeopático, segundo ele, é que proporciona um equilíbrio do emocional para o orgânico.  “Fizeram uma pesquisa na França para estudar os efeitos positivos do tratamento contra enxaqueca em 160 crianças de 12 países, entre 5 e 15 anos. E percebemos que, durante os 6 meses, elas tiveram uma melhora no estado clínico, provando ser eficiente”, afirma.

Cuidados caseiros

Crianças com crise de enxaqueca devem evitar o barulho e a claridade. Durante uma crise, ela poderá tomar o remédio indicado – seja analgésico ou homeopático. Certos tipos de alimentos, algumas substâncias inalatórias, situações estressantes e a variação climática podem predispor à enxaqueca. 

No caso da alimentação, algumas coisas deverão ser evitadas, dependendo de pessoa para pessoa. Mas, aqueles estimulantes à base de cafeína podem ser evitados, tais como café, chocolates e bebidas tipo cola. Por isso, a alimentação saudável deve ser priorizada para evitar as crises. Outra coisa que a criança com enxaqueca poderá fazer para controlar crises é a prática de atividades físicas (qualquer uma que ela gostar).

O importante é que o diagnóstico seja feito pelo médico, para não prejudicar a criança em diversos sentidos, especialmente na escola. “O que eu vejo muito é que a dor prejudica as crianças na escola: ela vai mal nos estudos, falta muito às aulas… Necessariamente, a família vai procurar o médico”, constata o médico.

Consultoria: Dr. Sérgio Furuta, pai de Gustavo e Fernanda, médico pediatra homeopata, diretor da Associação Médica Homeopática Brasileira.