Criança

Água neles

Criança desidrata muito rápido, fique atento

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Por Denise Bobadilha, mãe de Arthur e de Marina

Revista Pais & Filhos 417

A cena é de assustar: a criança fica molinha, desanimada, os olhos fundos. O bebê pode até achar força para chorar, mas não tem lágrimas. Esse filme de terror tem nome: desidratação. É coisa séria e exige ação rápida. Mas, se você souber o que fazer, em pouco tempo, a coisa toda chega a um final feliz.

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A desidratação acontece quando o corpo perde mais líquido (na forma de xixi, vômitos, diarreia…) do que recebe. Os pequenos são as vítimas preferenciais porque têm mais água no organismo. Até os 5 anos, essa proporção é de 70% a 80%. No dos adultos, a porcentagem é bem menor: cerca de 60%. Por isso as crianças sofrem mais e mais rapidamente do que nós. 

Diarréias e vômitos contínuos são as causas mais comuns. Por trás deles, o famoso rotavírus, que ataca o ano todo e é facilmente transmitido de criança para criança. Mais raro em adultos, ele é a principal causa de diarreia até 5 anos e provoca mais estragos nos menores de 2. A jornalista Lucinda Gomes passou recentemente por um apuro com a filha Sofia, de 4 anos. “Ela vomitava muito e não conseguia engolir nada. Quando vi que havia parado de ir ao banheiro e estava até perdendo peso, corri para o hospital. Não deu outra: ela estava desidratada por causa de uma rotavirose e precisou receber soro na veia.” Lucinda conta que, no dia seguinte, Sofia ainda estava debilitada, mas passou a aceitar sucos, gelatinas, frutas e sopinhas. Três dias depois, já estava serelepe pela casa, como se nada tivesse acontecido.

               

Sinais de alerta

De acordo com a médica Marilene Crispino Santos, mãe de Fabiana e Thiago, presidente da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro, os sintomas da desidratação são os mesmos em todas as fases da infância. A boca fica seca, a pele perde a elasticidade, a criança faz pouco xixi e há irritabilidade e, depois, moleza.

Notou os sintomas no pequeno? Dê-lhe soro caseiro, água e sucos naturais imediatamente. A mãe que está amamentando deve oferecer o peito quantas vezes a criança pedir. E só: não é preciso complementar a ingestão com água, pois o leite materno tem tudo o que ela precisa. Ao mesmo tempo em que reidrata seu filho, ligue para o pediatra para que ele avalie o caso. Ou vá para o hospital, caso a criança se recuse a beber ou perca tudo o que ingere vomitando em seguida.

Com Gabriel Zelner, hoje com 2 anos e 10 meses, foi assim. Quando tinha 3 meses, o menino começou a sofrer com diarreias e vômitos. A mãe, a nutricionista Simone Zelner, de Curitiba, passou dois dias seguindo as orientações do médico e hidratando o filho com água e sucos (Gabriel não pôde ser amamentado). “Mas, no terceiro dia, ele já não conseguia beber nada. Vomitava tudo.” O diagnóstico foi desidratação severa provocada outra vez por ele, o rotavírus. “Há casos de diarreia e vômitos em que é impossível repor o líquido na mesma quantidade que a criança está perdendo”, explica a doutora Marilene. “Então, é preciso de apoio profissional.” Em outras palavras, é preciso entrar no soro.

Prevenir a desidratação é simples. Em caso de diarreia e vômitos, dê muito líquido para a criança, de preferência água, sucos ou apenas leite materno. Produtos industrializados, como refrigerante e Gatorade, só devem ser oferecidos em último caso, se a criança recusar todo o resto.

Atravessando o deserto do Saara

Mesmo sem diarreia, não descuide da hidratação dos pequenos em dias muito quentes. “A possibilidade de a criança desidratar por causa da temperatura ambiente é muito rara, mas é bom ficar atento”, diz a médica pediatra Isabel Madeira, filha de Levi e Maria Isabel, membro do Comitê de Endocrinologia e Pediatria Ambulatorial da Sociedade de Pediatria do Rio de Janeiro.

Vista seu filho com roupas leves e evite ir à praia ou passear na pracinha em horários de sol quente. Recém-nascidos devem esperar um pouco antes de ser apresentados à areia. Nunca é demais repetir a velha regra: sol até 9h30, 10h no máximo e depois das 16h. Em tempo de horário de verão, acrescente uma hora extra (antes das 11h e após as 17h).

Em casa, verifique se a criança está num ambiente com ventilação, pois alguns tipos de telhado retêm mais o calor. Se a criança estiver com calor mesmo assim, não entre em pânico: suor não deve ser motivo de preocupação. Se seu filho parece quente, acione o termômetro, já que, em caso de febre, a criança perde mais água. A receita é mantê-lo em ambiente fresco, com ar-condicionado ou ventilador ligado, oferecer líquidos e conversar com seu médico sobre a necessidade de administrar um antitérmico (geralmente apenas após 38º C de temperatura medida na axila). Banhos mornos e uma compressa de água fresca na testa podem ajudar.

               

Viagem segura

Na hora da viagem de verão, todo cuidado é pouco. Dentro do carro, não deixe seu filho do lado que pega mais sol. Faça várias paradas para que ele se movimente, tenha as fraldas trocadas ou vá ao banheiro. Tanto no trajeto como no destino, sirva bebidas frescas e alimentos leves, com pouca gordura e condimentos, tendo muito cuidado com comidas que estragam facilmente e podem levar à diarreia: nada de levar iogurte sem refrigeração, por exemplo. Prefira uma fruta ou produtos industrializados que dispensem geladeira.

Fique Atento se seu filho…

… está com diarreia ou vômitos frequentes há pelo menos 24 horas;

… está molinho, sonolento;

… tem a boca seca, sem saliva;

… chora sem lágrimas;

… seus olhos estão fundos, com olheiras;

… sua pele perdeu a elasticidade, ou seja, demora um pouco mais a voltar ao normal quando você dá uma leve pinçada com o indicador e o polegar;

… sua fralda está seca pelo dobro ou mais do período normal ou, se maiorzinho, ele não vai ao banheiro;

… a moleira ficou funda.

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