Colunistas

Transição: de gerente de projetos a consultores

Em sua coluna, Cecília Troiano fala sobre o sentimento que os pais vivenciam diante do crescimento dos filhos

Estou vivendo um momento muito especial em minha vida. Uma filha está prestes a se formar na faculdade e comecará em breve sua jornada profissional. Meu outro filho, fecha o ciclo no ensino médio e parte para a vida universitária. Ambos decidiram estudar fora do país e com isso a ruptura entre tê-los todos os dias ao nosso lado e não ter mais a convivência diária, pelo menos física, ficou ainda maior. Minhas crianças cresceram e bateram asas, voando para longe, por conta própria.     Como isso é bom! E como isso é dolorido! Ver os filhos “voando” nos dá uma sensação maravilhosa de dever cumprido, de que o que construímos está gerando frutos e que eles estão tomando o rumo da vida deles. Ao mesmo tempo, ai que aperto no coração, que saudades, que falta daquele cheirinho e agito de crianças pela casa.

Na cabeça sempre preocupada dos pais, bate aquela insegurança, será que estão bem? Será que darão conta de enfrentar as novas decisões? Como vão se virar sem ter os pais presentes no dia a dia? Por um lado, nos sentimos orgulhosos de ver nossos filhos criarem asas. Por outro, ficamos com medo de que possam se machucar de alguma forma e não estaremos mais tão perto para socorrer

Com tudo isso na cabeça, com orgulho e medo tudo misturado, nesta semana tive a oportunidade de acompanhar meu filho durante dois dias na universidade onde ele irá estudar. São dois dias dedicados aos alunos e familiares, algo que talvez funcione como uma adaptação das famílias à nova vida que passarão a ter dali para frente. Nestes dois dias, professores, diretores e atuais alunos contam sobre a dinâmica da faculdade, como é estudar e morar lá – importante dizer que todos alunos moram na universidade. Depois desses dois dias de imersão, a mensagem que fica é: fiquem tranquilos, vocês já fizeram sua parte, deixem seus filhos crescerem. Claro, essa mensagem é fácil de ouvir e de entender, mas difícil de assimilar e por em prática. Creio que como pais, nessa etapa da vida de nossos filhos, vivemos um sentimento ambíguo. De um lado pela felicidade com a jornada que vem pela frente e, por outro, aquela angústia do peito apertado pela dúvida: “será que vai ficar tudo bem com ele/ela?”

Anúncio

FECHAR

Desse encontro saí com dois recados principais registrados: o primeiro é de que eles vão conseguir se virar sem ter os pais ao lado deles 100% do tempo. O segundo é, sim, eles vão “bater cabeça” também e como pais temos que deixá-los tomar esses trancos, afinal, é só assim que eles crescem. Tudo parece bem óbvio, certo? Mas quando se trata de educar filhos, mesmo as coisas óbvias à primeira vista, nos fazem ficar de coração apertado. O instinto é o de em qualquer necessidade é ir lá e correr para resolver por eles. Confesso que preciso me segurar bastante e dominar essa minha vontade.

Mas de tudo o que ouvi, talvez a ideia que mais me marcou, até por eu ser uma pessoa que preciso gerenciar projetos na vida profissional, foi um frase falada por um dos diretores da universidade. Ele disse algo assim: “pensem que vocês estão no ambiente profissional de uma empresa. Neste momento da vida de seus filhos, vocês deixam de ser gerentes ou gestores de um projeto e passam a ser consultores de seus filhos. O projeto agora é deles e vocês assumem um novo papel.” Sabemos o quanto é difícil depois de tantos anos como gestores de um projeto, deixar ele sair debaixo de nossas asas. Mas talvez o mais bonito da vida dos pais seja ter essa possibilidade de saber viver o momento de consultor, sabendo que a gestão do projeto foi bem feita.

Aos meus filhos e aos filhos crescidos de vocês, desejo uma vida maravilhosa pela frente. E que nossos filhos saibam que estaremos sempre aqui como consultores, de braços abertos e com amor infinito. 

Pais&Filhos TV