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O que as mulheres querem para ficar?

Vejo mais mulheres preferindo ganhar menos, estar em postos aquém de sua capacidade se isso significar menos carga horária

Muitas empresas hoje vivem um drama comum: não conseguem reter o talento feminino dentro das empresas, especialmente após as mulheres tornarem-se mães. Já fui chamada em muitas empresas para discutir formas de mudar essa situação. Para estas empresas, não há dúvidas: o talento feminino é indispensável. Aliás, estudos mostram que empresas que têm mulheres nos postos de liderança apresentam desempenho superior às que não tem. Mas, do lado das mulheres, o fica/não fica não é simples. Após a maternidade, o coração dividido, as demandas dos filhos, a falta de apoio e tantos outros fatores, levam a mulher a sair do mercado de trabalho, mesmo que temporariamente. 

Será que não há nada a fazer para mudar essa trilha “natural” das mulheres precisarem abrir mão de suas carreiras porque não se sentem confortáveis para tocar ambos os papéis? Afinal, o que as mulheres querem e o que as empresas podem oferecer para mantê-las conectadas a ambos os mundos, sem precisarem optar por uma coisa ou outra? 

Certamente o desejo das mães não passa por ganhar mais. Aliás, pelo contrário. Vejo mais mulheres preferindo ganhar menos, estar em postos aquém de sua capacidade, se isso significar menos carga horária, menos horas adicionais. Ou seja, trocam dinheiro por equilíbrio. Se não é dinheiro, o que as atrai? Certamente flexibilidade é a palavra de ordem para mães que trabalham.  Assim, o home office, mesmo que em dias selecionados da semana, é um dos desejos daquelas mães que tem profissões que permitem trabalhar de casa. Sentem que estarão, pelo menos em alguns dias, mais conectadas com os filhos, sem abrir mão da profissão. Além do home office, observo também que o esquema de banco de horas é bem visto pelas mães. Dessa forma, gerenciam as horas: quando estão mais tranquilas do lado domestico, dão um gás no trabalho e acumulam horas que poderão ser preciosas em dias futuros. A dinâmica é a seguinte: “estocada” de horas, podem ser dar o direito de assistir a uma apresentação de balé da filha, às 4 da tarde, usando as horas disponíveis. 

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Mas além de horas, outros benefícios também parecem fazer os olhos das mães brilharem. Oferecer serviços que beneficiam os filhos também são formas de agradar as mães. Nessa linha, oferecer creche ou ajuda de custo para a educação dos filhos são atrativos que sensibilizam.  Mas também , na linha de serviços, agradar a mãe fazendo-a poupar tempo é uma boa alternativa. Empresas que tem, em suas próprias instalações , uma gama de serviços disponíveis, certamente representam uma economia de tempo muito desejada pelas mães. Serviços de manicure, academia, banco, lavanderia e costura, sapataria. Todos serviços básicos mas que representam uma forma de ganhar tempo. Ou seja, é um jeito da empresa ajudar as mães na vida de equilibrista, evitando que ela vá em vários locais para conseguir realizá-los. Isso significa mais tempo livre, mais tempo com os filhos, menos desgaste do vai e vem. 

Há empresas que também investem em apoio psicológico às mães, seja algo individual seja em grupo. A ideia é ter um espaço para debater e refletir sobre como tornar a vida de equilibrista viável. Juntas, pensam em alternativas, trocam dicas, sentem-se confortadas vendo que todas estão “no mesmo barco”. 

Muito já foi feito mas ainda acho que estamos engatinhando nessa busca do melhor formato para as empresas se adaptarem às profissionais que também são mães. Quando as empresas foram criadas, o modelo masculino foi quem ditou as regras. Ainda hoje prevalece esse traço masculino no ambiente corporativo. Cabe à atual geração de mães, recriar o modelo, tornando-o mais receptivo para as mães, sem que isso signifique ser menos profissional. Acho que esse é o grande papel dessa geração. Não mais provar que pode ocupar todos os espaços dentro das empresas. Mas sim, transformar as empresas num espaço menos hostil para as mães, um local tão produtivo quanto mas muito mais amigo das mulheres. Como em todas as boas relações, é um caso típico onde os dois lados saem vitoriosos, empresas e mulheres. É o desejado ganha-ganha.

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