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O olhar da nova geração equilibrista

Minha geração tinha o foco na produção, pouco se falava em qualidade de vida. Hoje, as pessoas buscam equilibrar crescimento profissional com a vida pessoal

Quando eu estava na faculdade, o grande sonho da minha geração era sair e conseguir sobreviver profissionalmente. Literalmente bastava sobreviver. Naquela época, final dos anos 80, talvez no auge dos yuppies e na fase embrionária do que se chamou workaholic, o foco era produzir. Trabalhar e muito. Nada ou pouco se falava de equilíbrio entre família e carreira. Qualidade de vida era tema para poucos, em geral, aquele grupo de pessoas mais alternativas. Equilíbrio era apenas conseguir um bom trabalho e força total. 

Isso foi na minha geração.  Os anos passaram, os yuppies se foram, vieram as gerações X, Y e agora os millenials. Eles também abraçam o mundo corporativo, tem sonhos de crescer e ganhar dinheiro. Mas tudo é muito diferente. Muito diferente. Quem se relaciona no mundo profissional com jovens abaixo dos 25 anos certamente percebe isso. Eles têm outros sonhos, outras metas, outras ambições.

Com certeza a nova geração que chega agora ao mundo corporativo pensa muito diferente da geração anterior. Querem combinar o crescimento profissional com a qualidade de vida. Sim, uma vida equilibrada é desejo de todos. Eles não apenas trabalham, eles curtem a vida, dentro e fora do trabalho. São jovens que não abrem mão de certos prazeres. As empresas, dos antigos obcecados por trabalho, precisam se adaptar a esse novo perfil de colaborador. Horas extras sem fim, trabalhar final de semana, viagens emendadas uma na outra, tudo isso faz parte de sonhos de geração que não é essa. Eles pedem uma revisão do atual formato das empresas. Trabalhar, sem dúvida, mas com bem menos estresse e pressão. Esse é o jogo corporativo da nova geração. 

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E as mulheres da nova geração, com o que sonham?  Para elas, competir com homens ficou coisa do passado. Em certo sentido, o espaço das mulheres já está garantido. O que buscam agora é como tornar esse ambiente, nascido nos moldes masculinos, cada vez mais amigável para as mulheres. Entende-se por amigável a possibilidade de ele ser mais aberto, menos rígido, mais democrático em termos salariais e que tenha políticas organizacionais que espelhem as aspirações femininas.  Está nas mãos das novas profissionais discutir jornadas de trabalho com horários flexíveis, novos formatos de licença maternidade, modelos bem sucedidos de home office. Vejo isso como uma grande oportunidade para as mulheres e futuras mães. Está na hora de uma grande revolução dentro das empresas. 

Ainda não sabemos que cara terá, mas torço para que ele seja um ambiente mais amigo das mães.

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