Colunistas

O equilibrismo dos pais na Copa

Nossa colunista Cecilia Russo Troiano fala do impacto real dos jogos na vida de pais e mães. E de como, pelas crianças, a gente muda…

Em época de Copa do Mundo a rotina dos brasileiros sempre é desafiada. Com esta Copa dentro de casa, isso foi catapultado às alturas. Empresas criam novos horários para liberar funcionários nos dias de jogos, escolas antecipam férias e liberam as crianças, o trânsito fica ainda mais caótico nas cidades grandes e tem gente que não vê a hora de mandar embora os inúmeros turistas que tornam a vida dos brasileiros mais complexa. Se para as mães e pais que trabalham fora gerenciar a agenda de equilibrista já é tarefa para poucos, com o cenário da Copa ficou uma coisa quase impossível. Não raro nos últimos dias escutei mães e pais aflitos: “a escola da minha filha está liberando as crianças às 2 da tarde e eu saio apenas às 7! O que fazer?”, ou “as férias foram antecipadas e meu filho terá férias a partir de meados de junho!”. Pois é, quem diria que uma Copa do Mundo, além de todas as adaptações exigidas pela FIFA, ainda fosse cobrar um ônus dos pais. Mais uma confusão e dor de cabeça para ser debitada da conta da FIFA.

Apesar das reclamações de pais e mães, o fato é: a Copa do Mundo está ai. Algumas escolas, mais organizadas, já avisaram com muita antecedência sobre essa mudança no calendário anual, permitindo que os pais se preparassem para o fato. Outras pegaram os pais de surpresa e os colocaram em pânico, com a busca de soluções de última hora. Independente de qual seja a atitude da escola, o que fica evidente, para pais e mães que trabalham fora é como essa engrenagem – trabalho dos pais e escola dos filhos – precisa funcionar em harmonia para que todos os lados possam preservar suas rotinas. Qualquer desequilíbrio em uma das partes, o conjunto desaba e os pratinhos se espatifam. O Brasil ainda não desfruta de um apoio proporcionado pelas empresas ou pelo governo para amparar os pais que trabalham fora. Poucas são as empresas com creches e quando essas existem, são limitadas a crianças até a primeira infância. Depois disso, a busca de solução volta para os pais que têm que buscar alternativas para deixar os filhos enquanto trabalham.

Bom, a Copa está ai e mesmo com o país dividido em relação a torcer pelo Brasil (fato inédito numa Copa do Mundo), muitos pais estão quebrando a cabeça para equacionar o que fazer com os filhos que são liberados pela escola quando nem sempre os pais têm a mesma sorte. Como sempre, avós, pais de amiguinhos e familiares são escalados como auxiliares e “cobrem” essa área do campo para que pais possam cumprir seus compromissos profissionais.

Anúncio

FECHAR

Mas a Copa mexe com as famílias também de outra forma. Chamou minha atenção nesses primeiros dias de Copa as demonstrações patrióticas dos brasileiros, com fitinhas aos ventos nos carros, bandeiras enfeitando varandas e camisetas verde- amarelas exibidas pelas ruas. Porém, comparativamente aos outros anos, vemos que tais manifestações de amor à pátria estão mais tímidas. Muitos brasileiros estão tão descontentes com os rumos do Brasil e mesmo com a presença da Copa em nosso país que mantiveram uma postura menos eufórica ou até mesmo crítica. Porém, aqui de novo vejo os filhos nos empurrando para sermos mais patrióticos. Tenho amigos que foram estimulados pelos filhos a aderirem ao verde-amarelo, deixando de lado o tom mais contestador. Crianças não querem saber das exigências da FIFA ou das razões politicas por trás do Brasil ser o anfitrião da Copa. Eles querem ver os gols do Neymar e vibrar com as vitórias da nossa seleção. No jogo de abertura, aqui em São Paulo, muitos pais foram ao Itaquerão motivados pelos filhos e para que juntos testemunhassem a estreia da seleção canarinho.

Meu ponto é: Copa do Mundo no Brasil é coisa séria, sejamos nós a favor ou contra sua realização em nosso território. Ela muda rotinas, desperta paixões, aflora sentimentos patrióticos e mexe até mesmo com nossas vidas de pais equilibristas. Coisas aparentemente tão distantes como maternidade/paternidadee Copa do Mundo não são tão distantes assim, certo?

 

Pais&Filhos TV