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Namorados, maridos e desafios

Se pudesse fazer um pedido coletivo para o dia dos namorados nos próximos anos, seria encontrar a melhor equação para o relacionamento dos casais

Acabamos de celebrar o Dia dos Namorados e nesta data enquanto casais lotavam os restaurantes e motéis, São Paulo amargava um engarrafamento recorde. O amor é realmente lindo, mesmo em um dia tumultuado como foi o último 12 de junho nesta cidade. Mas, na vida das equilibristas, nem sempre o amor entre homem e mulher tem sido tão lindo assim. Vejo muitas mulheres, casadas ou não, muitas delas mães, debatendo-se no dia a dia para encontrar um espaço na agenda para namorar. Há momentos para cuidar dos filhos, tempo para fazer compras no supermercado, alguma brecha para cuidar da forma e muito pouco tempo para namorar!  O casal vem depois dos filhos, depois da casa, depois do trabalho…a vida a dois está, em muitos casos, no fim da fila. 

Parece que há um desencontro entre os casais, alimentado pela correria da vida contemporânea. Mulheres se queixam que homens as ajudam pouco nas tarefas do dia a dia e que a sobrecarga em cima delas gera um cansaço monstro. Como terão vontade de namorar depois de terem trabalhado fora, dedicando-se intensamente aos filhos pequenos, feito mil tarefas da casa e ainda, em alguns dias,  ficado horas no trânsito? Entre os homens, mesmo que de outra natureza, as queixas são também recorrentes. Seja porque o trabalho os absorve muito, seja porque não se adaptaram totalmente a ter ao lado mulheres mais exigentes e que não mais se dedicam apenas à casa e família. O resultado é visível: cada vez mais casais mostram-se meio descompassados, parece dançando músicas diferentes e sem encontrar um ritmo comum.  O descompasso é a marca dos relacionamentos e o conflito é inevitável. Estamos mais batendo cabeças do que dando as mãos. 

Se pudesse fazer um pedido coletivo para o dia dos namorados nos próximos anos, seria encontrar a melhor equação para o relacionamento dos casais. Este, para mim, é o grande desafio para os próximos anos. Nossa geração já provou muitas coisas, para nós mesmos e para o mundo.  Agora talvez tenha chegado a hora de vermos como esse novo modelo de relacionamento entre homens e mulheres pode sobreviver. Um novo modelo onde ambos são provedores, ambos cuidam da casa, ambos dividem as responsabilidades de educar os filhos, ou seja, ambos estão no público e no privado! 

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Raros são os casais que encontram uma fórmula vencedora. Que aprenderam a viver harmonicamente nesse novo cenário. A maior parte vive nos altos e baixos (alguns mais para o baixo, é bem verdade), tentando achar o ponto de equilíbrio. Não creio que seja impossível, mas exige de ambos os lados uma boa dose de paciência, persistência e muito amor! Enfim, está lançado nosso novo desafio para os apaixonados. Boa sorte a todos!

 

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