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Mãe de PowerPoint

Na vida real, não conheço mães perfeitas, mas conheço excelentes mães, verdadeiras, cheia de pequenos defeitos e outras tantas qualidades

Acredito que as mães definem o tom dentro da casa. Conversando com muitas mães, a maioria delas diz que se elas estão bem o resto da família fica feliz.  Na minha casa isso não é diferente. Quando por algum motivo eu não estou bem, o primeiro a ficar triste é meu filho. Como ele fica preocupado! Parece que mãe sempre tem que estar com o astral lá em cima, exalando energia e bom humor. Para nossos filhos, mães são pessoas imunes ao baixo astral. Fico pensando se nós mesmas não estamos criando essa imagem na cabeça de nossos filhos. 

Mas se somos nós que damos o tom da família, o que nós, mães, efetivamente estamos fazendo a nós mesmas para garantir que estejamos bem. Parece que o bem estar dos outros sempre vem sempre à frente do nosso. Se acreditamos mesmo que nosso estado de espírito define o astral da família toda, por que damos tão pouca atenção a nosso próprio bem estar? A resposta imediata será a do tempo. Não temos tempo. Será mesmo? Queria desafiar essa falta de tempo e propor um chamado a todas nós (incluo-me neste chamado). Passado o dia das crianças, vamos olhar nós mesmas. Está na hora de nos livramos de todas as culpas que nos cercam e buscar um espaço para, todos os dias, cultivarmos nossa paz de espírito. 

Creio que um primeiro passo é nos livrarmos dessa mania de perfeição. Sinceramente, acho que a síndrome da supermãe é nosso grande inimigo. Na busca por sermos a melhor mãe do mundo, a esposa exemplar, a funcionária do mês, nos esquecemos de que somos um ser humano normal. Alguém que tem falhas, que se cansa, que fica chateado. Um recente tema do “Culpa, não!”, da Revista Pais & Filhos, mostrou que mães se cansam também e que isso faz parte e não nos torna “menos” mães. Parece que vivemos com medo de não sermos suficientemente boas mães e isso é um grande armadilha. Buscamos a perfeição em casa e no trabalho e nos esquecemos que ela, a perfeição, é algo que existe apenas nos livros ou em apresentações de PowerPoint. Na vida real, não conheço mães perfeitas ou “mães de PowerPoint” mas conheço excelentes mães, verdadeiras, cheia de pequenos defeitos e outras tantas qualidades. E tudo bem! Esses pequenos defeitos fazem parte da vida. A busca incessante da perfeição é cansativa e não nos deixa mais felizes. Voltando de onde parti, se estamos menos felizes e somos quem dá o tom da casa, não tem jeito, a família vai respirar esse mesmo mal estar. 

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FECHAR

Posso estar sendo repetitiva, mas não há outro caminho. Para termos nossa família feliz, antes de mais nada, precisamos encontrar o nosso espaço de felicidade, baixar nossa mania de perfeição e aceitar nossos deslizes.  Está na hora de criarmos um novo “template” para a mãe de PowerPoint, talvez um slide em branco seja a melhor expressão. Um espaço para criarmos nosso próprio “layout”, sem modelos pré-definidos. Já abri um “arquivo” novo para começar minha lição de casa. Antes tarde do que nunca! 

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