Colunistas

Filhos pequeninos, filhos grandinhos, filhos crescidos

A mãe de ‘crescidos’ Cecilia Russo Troiano, colunista, faz uma reflexão sobre essas três fases da vida, com todas as suas dificuldades e delícias

Certamente nossa Vida de Equilibrista muda com o tempo.

Quando nossos filhos são pequeninos tudo é novidade e a insegurança toma conta de nós. Será que daremos conta?

Será que vou ser boa mãe?

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Será que meu filho vai sentir minha falta quando eu estiver no trabalho? Ou será que eu vou resistir ficar tantas horas sem sentir aquele cheirinho?

Dia após dia vamos acreditando que ser mãe e trabalhar fora é possível. Apesar de que há dias em que essa tarefa parece coisa para super-mulher.

Aos poucos, vamos nos ajeitando, nos adaptando e pais e filhos vão criando uma rotina particular. 

Há dias mais tensos, dias com filhos doentinhos, dias de muito trabalho, dentro e fora de casa.

Maridos que participam e dividem as tarefas (como o meu) e outros que nem tanto.

Dias em que a babá falta ou a escola não terá aula e você tem que se virar porque o trabalho continua lá, firme e forte, sem descanso.

Noites mal dormidas, dias intensos, emoção a todo instante. Todo dia é uma novidade e ao acordar e ao dormir não sabemos o que esperar.

Tudo pode acontecer. Desde o bebê dormir a noite toda e ficarmos até preocupadas com isso (será que tá tudo bem??) até ficarmos acordando de hora em hora para “repor” a chupeta ou amamentar.

Tudo passa, filhos pequeninos ficam grandinhos

 

Já com saudades de quando eles eram pequeninos, agora grandinhos eles já se vestem sozinhos, têm amiguinhos, correm pela casa, pelo jardim, pelo mundo.

Cadê aquele bebê quietinho que só ia onde queríamos? Pois é, cresceu!

Celebramos o crescimento, apoiamos eles na natação e gerenciamos as vontades que agora vem com um poder maior de persuasão. Eles querem, demandam e nos cobram.

Querem que estejamos com eles na hora da entrada na escola (e nem sempre podemos por conta do trabalho – calma, mais para frente eles vão querer você a um quarteirão de distância), gostam quando lemos livros na beira da cama e reclamam se pegamos muito no pé.

Tem dia que estamos cansadas mas mesmo assim juntamos força.

Afinal, essa fase marca um momento especial (como muitos outros!) para eles e para nós.

No corre-corre, entre lancheiras, condução, lição de casa, aulas de esportes, festinhas de amigos, temos ainda nosso trabalho, a vida do casal, a vida social e tudo mais.

Seguimos nossa vida de equilibrista, encantadas com nossos filhos que agora já tem vontade própria, já dominam o mundo, já são grandinhos.

É, filhos crescem, ainda bem…

 

E eles se tornam crescidos de verdade, já adolescentes, alguns adultos. Que saudades de quando eles eram grandinhos apenas. Não porque cresceram são menos nossos filhos. Aliás, acho que são ainda mais nossos queridos filhos. Tivemos mais tempo de nos conhecer, mais tempo de curtir, mais tempo de brigar, fazer as pazes e nos apaixonar.

Já sabem o que querem, mas algumas vezes não fazem a menor ideia para onde ir. Estamos ali para orientar e algumas vezes também nos perder, juntos. Sofremos com o medo de vê-los bater asas e vibramos com a independência deles. Quantas contradições!

Pois é, as noites eram para ser tranquilas mas agora mal conseguimos fechar os olhos preocupadas com as baladas. Ele ainda não chegou? Ai que alívio quando a porta abre e finalmente pai e mãe podem acomodar a cabeça no travesseiro e relaxar. Afinal, no dia seguinte temos uma reunião bem cedo e chegar com olheiras não será um bom sinal.

Agora o abraço dos meninos em nós é apertado, forte e intenso. As conversas com as filhas são animadas e cheias de detalhes, todos importantíssimos. O pai às vezes é o contra-ponto, com uma opinião que filho e filha param para ouvir. Outros dias é a mãe que tem o dom da voz. 

Que delícia é  para os pais e mães vê-los crescer e ver que se transformaram. Mais ou menos parecidos com o que sonhamos, não importa.

O caminho é deles. Nossos filhos crescem…

 

Escrevo esse texto num momento de minha vida em que já me considero uma mãe que viveu essas 3 fases, intensamente. Meus filhos Beatriz e Gabriel, hoje já no grupo dos “crescidos” viveram com todas as cores possíveis as três fases que aqui descrevo. Acho que daqui para  a frente eles sempre serão meus filhos crescidos. Não consigo imaginar um outro estágio, além desses, algo que vá além de um filho crescido. Viveremos para sempre essas contradições, o pegar e soltar, o querer vê-los soltos e o impulso de tê-los perto de nós. Filho é um pouco bumerangue, queremos lançá-los mas também queremos tê-los de volta, mesmo que para um abraço apenas, uma caminhada no parque ou um papo à toa.

Mesmo quando eles tiverem 30, 40, 60 anos, serão sempre meus filhos amados e queridos. Intensos, como todos os filhos devem ser. Ainda bem!

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